de um outro tempo, até, mas agora mesmo.

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na primeira noite em que nos encontramos, eu passei batom vermelho e caprichei no delineado dos olhos. deixei a minha franja impecavelmente reta e trancei os cabelos para o lado, tentando ser delicada como nunca havia sido e ao mesmo tempo não deixar de lado aquilo que sempre fui de fato. não queria nada e, justamente por isso, tudo parecia ser possível. mas o tempo foi passando e nós fomos nos aproximando e agora que eu enxergava o que queria e percebia que as possibilidades eram cada vez menores, aumentavam as minhas vontades: quanto maior o impossível, mais eu o desejava incondicionalmente.

eu quero, sei que não posso mas eu quero, sei que não devo mas eu quero: você e os encontros casuais, o seu passado que não conhecia de perto e ainda assim me machucava no presente, tudo o que foi e o que havia de ser para nós dois, eu não compreendia nada daquilo, mas queria tudo. tudo.

nunca soube o que são limites, não consigo nem mesmo falar sobre eles e por isso mesmo tentava tanto te impressionar naquele tempo: queria ser vista por você, queria ter certeza de que você sabia que eu estava lá – o que de fato aconteceu muito rápido, mas não como o esperado, e de repente você e eu vivíamos e éramos parte tão certa do dia um do outro que praticamente nao existíamos para nós, apenas éramos o mesmo, um só.

eu era parte de você que você não olhava, mas sabia que estava lá. aquele detalhe ao qual você já está tão acostumado que passa batido quando se olha no espelho – eventualmente você me aceitaria como essencial, mas ainda não. ainda era algo que inconscientemente sempre estaria ali, portanto não fazia falta. e isso equivalia à minha não existência mais uma vez.

poderia passar dias e dias presa naquela sensação errada de pretérito imperfeito, do passado que não foi. e eu passei, é claro. construindo castelos de areia e fazendo planos que sabia que não iriam se tornar reais. eu poderia viver assim para sempre, mas escolhi deixar ir. esquecer.

pra um dia poder olhar para essa página da minha vida e finalmente entender que a razão não está no que poderia ser, mas no que foi. e foi lindo, lindo demais para que eu consiga explicar.

muito embora eu tenha compreendido tudo tão bem.

2 comentários em “de um outro tempo, até, mas agora mesmo.”

  1. “eu quero, sei que não posso mas eu quero, sei que não devo mas eu quero: você”.

    Ari, me identifiquei perpetuamente nessa frase. Principalmente quando você disse “sei que não posso mas eu quero”. Dor é dor. Mas suas nuances são menores ou maiores e certamente saber que não se pode ter alguém/algo faz com que a nuance da dor seja mais intensa.

    Obrigado por me lembrar que há pessoas que sofrem e passam – e vencem – as mesmas coisas que eu sofro, passo – e venço/vencerei. Porque só assim a gente não se sente tão sozinho na batalha e compreende que uma hora a bebida vai deixar de ser lágrima.

    Fique bem, minha linda.
    Assim como eu também hei de ficar.
    Beijo,
    Buduguinho.

    1. Ah, Buduguinho, se tem uma coisa que eu sei é que não é fácil – mas passa.

      Queria poder te dar um abraço nessa hora. Eu mesma também ando precisando, rs.
      Mas se tem uma coisa que me faz bem todas as vezes que eu posto no blog é saber que muita gente passa pelo mesmo que eu. Então eu não sou assim tão azarada – nem tenho motivo pra tanta fraqueza.

      Acho um saco isso da vida ser tão passageira, das coisas que parecem eternas serem tão breves no fim. Mas o maravilhoso são as pessoas que agregamos no caminho e a forma como nos sentimos bem em relação a elas.

      Fica bem, meu amor.

      E precisando estou aqui, mesmo que seja só pra responder um email de mágoas, dividir cerveja e um abraço de urso. 🙂

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