wild world

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livros, livros, aquela checada rápida no email, algumas anotações, livros. ajeita o edredom, repassa mentalmente os pesadelos que teve durante a noite tentando encontrar algum sentido – ultimamente, todos eles tem se realizado bem rápido – espia o Facebook só para descobrir que a vida de todos anda muito bem, obrigada, a despeito da sua. alterna entre fechar os olhos e desejar estar se afogando na banheira quentinha e abrir os olhos apenas para olhar para a janela – o céu cinza de inicio de outono – e para o celular, sem nem sombra de novas mensagens ou ligações. as unhas, que deixou de roer há um mês, agora começam a ficar grandes, afiadas – percebe isso ao tirar sangue do braço numa leve coçadinha sobre a tatuagem que eterniza em sua pele a letra de charles bukowski.

para focar em outra coisa e não roê-las novamente, já salivando, tenta cantar. a voz não sai. tenta escrever, surgem vozes de todos os lados lhe dizendo
verdades
novidades
convites
e no fim tudo é sobre os outros e isso a incomoda porque gostaria que algo de bom e interessante fosse sobre si, alguma conquista, uma boa noticia que provasse que tudo o que tem sofrido vale a pena, que o caminho do esforço é uma escolha e não comodismo puro, que há algo de bom no final esperando – a velha historia do pote de ouro ao fim do arco-iris.

Está cansada,
de amar algo que não lhe pertence,
buscar respostas para o que a incomoda,
ouvir diariamente as angustias de casa,
falar diariamente sobre suas angustias na rua,
ser mal interpretada até quando escolhe o silêncio,
ser colocada em segundo lugar,
ser a ultima opção ou não ser opção nenhuma,
de tanto por tão pouco em todos os aspectos da vida.

sente-se um incômodo, decide mudar de novo e sempre acaba falhando e voltando a ser o que é.
e ouve absurdos de quem ama, e nunca tem pra onde correr, um canto só seu.

na lista das grandes saudades:
um rapaz,
os cigarros,
a apatia e o álcool,
a solidão como escolha e não como derrota,
autoestima,
juventude e beleza.

se tivesse de optar por um só, provavelmente seria voltar para o tempo da inocência.

mesmo sabendo que teria de viver todas as desilusões de novo até entender o que hoje sente como se soubesse desde sempre:

– o mundo é cruel, Baby, pra quem se permite ser e sentir. o mundo é cruel com quem tem que crescer.

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