regrets collect like old friends

Por tudo que há de belo nessa vida, gostaria de estar numa fase melhor. Porque a gente faz o possível sempre para não quebrar – e de repente esta lá de novo com a cara no chão, o coração partido em dois, três, dez pedaços. Não parece real, todo o sofrimento. Parece treinado, ensaiado, como se a vida tivesse sido roteirizada para ser esse eterno musical adolescente cheio de personagens estranhas que lutam todos os dias para serem aceitas, você no centro, sabendo que sempre que algo de bom lhe acontecer, é apenas a alegria que precede o final dramático. Em resumo: se ficar feliz, aí vem merda.

Esse fim de semana desliguei o email de trabalho do celular e do ipad. Estava sem internet, então não chequei no computador. Faz meses que não consigo me desligar e isso me incomoda, eu só passo horas e horas e horas trabalhando e depois dormindo e depois trabalhando de novo. Ou sofrendo por pessoas que sequer sabem da minha existência. Chega. Tentei não me preocupar com ninguém e nada. Queria voltar ao estado de apatia que vivi há um ano. Parece deprimente, mas só estou cansada de sentir. Sentir sem parar, em relação a tudo e a todos. Saudades da apatia. Assim é tão mais fácil esquecer. É tão mais fácil pensar, racionalizar, decidir, mudar.

Sentindo eu me perco. Se me importo com os outros, para o bem ou o mal, isso interfere nas minhas escolhas. Isso me atrasa.

E me deixa infeliz comigo mesma. Insatisfeita. Cheia de inseguranças que eu havia calado com muito esforço.

Está difícil dançar carregando meus demônios nas costas, é hora de me mexer.

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