Sobre todas as coisas que eu não soube esconder

percy jackson e a maldição do titã

Eu quis muito não dizer nada sobre isso – e tentando calar todos os dias descobri que só consigo mesmo é entregar tudo. Abrir e esmiuçar cada detalhe para mim.

E para todos. Até quando não estou falando, até quando não estou presente. Nos olhos, nas músicas, nas escapadas estratégicas. Na solidão que cavei fundo por medo de me revelar nos gestos. Porque isso se tornou minha vida e foi em função de vivê-la da melhor forma possível que evitei e quis me esconder, te esconder, nos esconder.

E no fim acabei por perceber que estava tudo aqui, tão claro, tão público desde o princípio: todos vendo, que quando algo é de verdade não há ser humano que controle. Descobri que o acaso até tem seus truques, mas é a perseverança vinda do amor que torna isso assim, tão real enquanto sonho e tão perfeitamente próximo do sonho que sequer parece real.

Não é culpa minha falar: apenas transborda. Não é culpa sua negar: não estamos prontos. Talvez nunca estejamos.

Não é pra ser, não como planejei – a vida não obedece ao roteiro de ninguém, é cheia de caprichos e personalidade. E eu achando que estavam apenas criando desculpas pra evitar que um de nós fosse feliz.

role os dados

521543_10200911868181685_516730042_n

hoje cedo as meninas do Supremas postaram um trechinho de roll the dice lá na fanpage delas. que eu sou apaixonada por bukowski, nem preciso repetir. provavelmente eu também já disse por aqui que tenho uma tatuagem que mistura roll the dice com trapped. são dois poemas dele que tem resumido minha vida desde o ano passado e, sinceramente, merecem os infinitos compartilhamentos que já fiz.

enfim, hoje tive que vir aqui compartilhá-los. inteiros. sabe quando o timing é bom? então.
tô postando pra mim. pra voltar o dia todo, porque tô precisando mesmo lembrar. e também pra vocês, que já devem ter visto dezenas de vezes porque compartilho sempre – mas podem estar precisando lembrar. 😉

—-

roll the dice

if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.

if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.

go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else
you can imagine.

if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.

do it, do it, do it.
do it.

all the way
all the way.

you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.

trapped

in the winter walking on my
ceiling my eyes the size of street-
lamps. I have 4 feet like a mouse but
wash my own underwear—bearded and
hungover and a hard-on and no lawyer. I
have a face like a washrag. I sing
love songs and carry steel.

I would rather die than cry. I can’t
stand hounds can’t live without them.
I hang my head against the white
refrigerator and want to scream like
the last weeping of life forever but
I am bigger than the mountains.

De novo?

Todo ano, mais ou menos nessa época pré-aniversario, eu vivo essa confusão toda maior que a comum. Desde que eu me lembre. É bizarro: eu me sinto profundamente sozinha – o que não é ruim, mas nesse período vem com uma carência horrorosa – e sem nem perceber estou comentando a respeito a torto e a direto. No final, é pura vergonha e eu gostaria de apagar tudo e fugir.

Fica aquele clima de trying too hard, sabe? E eu não gosto.

Além de me matar de vergonha, essa crise afasta as pessoas. É intimidante, né? E na internet tudo parece indireta. Ainda mais quando vem de alguém amarga como eu.

Cadê o botão de fast forward da vida real?

wild world

418785_10200874678331962_515936424_n

livros, livros, aquela checada rápida no email, algumas anotações, livros. ajeita o edredom, repassa mentalmente os pesadelos que teve durante a noite tentando encontrar algum sentido – ultimamente, todos eles tem se realizado bem rápido – espia o Facebook só para descobrir que a vida de todos anda muito bem, obrigada, a despeito da sua. alterna entre fechar os olhos e desejar estar se afogando na banheira quentinha e abrir os olhos apenas para olhar para a janela – o céu cinza de inicio de outono – e para o celular, sem nem sombra de novas mensagens ou ligações. as unhas, que deixou de roer há um mês, agora começam a ficar grandes, afiadas – percebe isso ao tirar sangue do braço numa leve coçadinha sobre a tatuagem que eterniza em sua pele a letra de charles bukowski.

para focar em outra coisa e não roê-las novamente, já salivando, tenta cantar. a voz não sai. tenta escrever, surgem vozes de todos os lados lhe dizendo
verdades
novidades
convites
e no fim tudo é sobre os outros e isso a incomoda porque gostaria que algo de bom e interessante fosse sobre si, alguma conquista, uma boa noticia que provasse que tudo o que tem sofrido vale a pena, que o caminho do esforço é uma escolha e não comodismo puro, que há algo de bom no final esperando – a velha historia do pote de ouro ao fim do arco-iris.

Está cansada,
de amar algo que não lhe pertence,
buscar respostas para o que a incomoda,
ouvir diariamente as angustias de casa,
falar diariamente sobre suas angustias na rua,
ser mal interpretada até quando escolhe o silêncio,
ser colocada em segundo lugar,
ser a ultima opção ou não ser opção nenhuma,
de tanto por tão pouco em todos os aspectos da vida.

sente-se um incômodo, decide mudar de novo e sempre acaba falhando e voltando a ser o que é.
e ouve absurdos de quem ama, e nunca tem pra onde correr, um canto só seu.

na lista das grandes saudades:
um rapaz,
os cigarros,
a apatia e o álcool,
a solidão como escolha e não como derrota,
autoestima,
juventude e beleza.

se tivesse de optar por um só, provavelmente seria voltar para o tempo da inocência.

mesmo sabendo que teria de viver todas as desilusões de novo até entender o que hoje sente como se soubesse desde sempre:

– o mundo é cruel, Baby, pra quem se permite ser e sentir. o mundo é cruel com quem tem que crescer.

A dor sem a delícia

Aquele guri que me ajudou a mudar completamente de atitude no ano passado me abrindo os olhos apareceu de relance numa postagem minha. Internet é esse bagulho estranho, você nunca vê alguém, mas é como se estivesse na sala da casa dessa pessoa o dia todo, vez por outra inclusive com o controle da TV na sua mão ou os pés no sofá.

Pois bem, faz mais de um ano que não vejo o guri. E nem rolou nada demais. Nunca. Mas só a lembrança dele foi o suficiente para que eu atinasse de novo que preciso mudar. É que sempre achei que isso de todo dia ter que recomeçar um saco. Foi por isso que dei uma reviravolta tão grande em 2012. Porque soube ligar o foda-se.

Mas não sei viver de foda-se ligado por muito tempo. Gosto de ter controle.

E esse ano é diferente, porque estou exausta em diversos aspectos. E descrente. E acreditando que desistir é uma possibilidade, como nunca antes. Esse papo de que “ariano nunca termina as coisas”, por exemplo, me irrita por um motivo bem simples: é verdade.

Talvez não todos os arianos, mas esta Ariane que vos fala.

Estou exausta de ser eu.
E não sei nem consigo ser mais nada.
Eu não quero ser mais nada.

o antes, o agora e o depois

quando eu era guria de tudo, mandei gravar um cd com as minhas faixas favoritas pra ouvir no discman. como se pode imaginar, era um álbum melancólico e cheio de faixas chorosas – lembro de quase todas como se ele ainda funcionasse.

uma dessas faixas era “sozinho”, interpretada por Caetano Veloso.

toda vez que eu acompanhava meu pai ao trabalho, ou ao medico, ou numa visita a tios e avós e chovia, principalmente à noite, eu colocava os fones de ouvido, encostava a cabeça no vidro e, olhando sem parar para a marginal cheia de carros, ouvia “sozinho” no repeat, remoendo histórias de amor que nunca davam certo nem na minha mente.

e eu chorava, nossa. como eu chorava.

então chegava em casa e escrevia varias cartas de amor com páginas e mais páginas – e não entregava jamais.

acho que isso diz muito sobre quem eu sou hoje. ou não, rs.

Segunda-feira

Eu acordei pensando no quanto minha vida está uma bagunça e isso se reflete no meu corpo e no meu humor e em como eu sinto vontade de bater nas pessoas que abusam no metrô e desrespeitam a nos como se só o atraso delas importasse.

Mas junto com esse mood horrível e o shuffle tocando Snow Patrol, também recebi um “bom dia” caloroso do Thas em cada canto, e de certo modo me acalmei lembrando que nem tudo é ruim na minha vida. Amigo é pra essas coisas.

regrets collect like old friends

Por tudo que há de belo nessa vida, gostaria de estar numa fase melhor. Porque a gente faz o possível sempre para não quebrar – e de repente esta lá de novo com a cara no chão, o coração partido em dois, três, dez pedaços. Não parece real, todo o sofrimento. Parece treinado, ensaiado, como se a vida tivesse sido roteirizada para ser esse eterno musical adolescente cheio de personagens estranhas que lutam todos os dias para serem aceitas, você no centro, sabendo que sempre que algo de bom lhe acontecer, é apenas a alegria que precede o final dramático. Em resumo: se ficar feliz, aí vem merda.

Esse fim de semana desliguei o email de trabalho do celular e do ipad. Estava sem internet, então não chequei no computador. Faz meses que não consigo me desligar e isso me incomoda, eu só passo horas e horas e horas trabalhando e depois dormindo e depois trabalhando de novo. Ou sofrendo por pessoas que sequer sabem da minha existência. Chega. Tentei não me preocupar com ninguém e nada. Queria voltar ao estado de apatia que vivi há um ano. Parece deprimente, mas só estou cansada de sentir. Sentir sem parar, em relação a tudo e a todos. Saudades da apatia. Assim é tão mais fácil esquecer. É tão mais fácil pensar, racionalizar, decidir, mudar.

Sentindo eu me perco. Se me importo com os outros, para o bem ou o mal, isso interfere nas minhas escolhas. Isso me atrasa.

E me deixa infeliz comigo mesma. Insatisfeita. Cheia de inseguranças que eu havia calado com muito esforço.

Está difícil dançar carregando meus demônios nas costas, é hora de me mexer.