Saia daqui com suas teorias

Cansei de ouvir tanta gente me mandando fazer terapia. Sei que é sinal de que estou falando demais, portanto culpa minha; então vou parar. Cortar um pouco as relações que andei estreitando.

Eu não quero falar com um terapeuta e estou sinceramente cansada de ser taxada de louca – muito embora eu saiba que, sim, tenho sérios problemas (por exemplo, ser louca) e de fato um terapeuta talvez pudesse ajudar.

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Eu sei que tenho problemas.

Mas não quero ter que pagar por sessões em que alguém me ouve e controla se estou tomando corretamente os meus remédios quando sei que, ao atravessar a porta do consultório, o mundo estará do mesmo jeito, e eu continuarei tendo que lutar sozinha contra a minha ansiedade, minhas mudanças repentinas de humor, meu descontrole e, principalmente, contra a falta de bom senso alheia que, todos os dias, permite que gente que realmente me importa me trate como lixo e ainda se faça de vítima (gente que por exemplo, talvez não perceba ou só se faça mesmo de idiota, nunca vou saber, mas me diminui e me maltrata e quando eu finalmente não consigo mais agüentar e respondo no mesmo tom, me faz ouvir por horas que péssima pessoa eu sou e como a maltrato e desconto meus problemas nela), ou que gente incompetente e ruim ainda tenha poder e controle sobre quem quer fazer seu trabalho direito e não recebe suporte para isso.

Talvez a solução seja ir embora de casa, é claro. Mudar de área, de profissão, de ares. Viajar pra longe. Morar sozinha. Não sei.

Não nego que é algo que desejo muito, um canto só meu.

Mas isso significaria tantas coisas tão tristes para mim. Nada de viagens constantes (se bem que cadê elas agora?), nada do carinho noturno que eu ainda busco todos os dias nos meus pais e irmã depois de horas vivendo neste mundo cão e lidando com bajuladores, pessoas insensíveis, cobras e amigos que até se importam, mas tem suas próprias vidas e por isso nenhum tempo para me dar atenção da forma que eu gostaria.

Não é fácil não.

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Um belo dia resolvi mudar

A música está alta demais e a bebida já faz efeito a algum tempo. Imagino quantas historias minhas deixei de presenciar porque os drinques haviam me levado mais cedo para longe: e aqui estou eu de novo. Num lugar escuro, agitado, lotado, em que de repente só há eu e mais ninguém, em que flashes de outros seres humanos aparecem e me causam emoções variadas enquanto interagem comigo de alguma forma, em que meu corpo é marionete de desejos que sequer sei que possuo – até o momento em que decido realizar cada um deles.

Estou aqui, descendo e subindo ao som da péssima musica alta que toca em todo o espaço, um copo na mão direita, uma jogada de cabelo com a mão esquerda, e então você chega e dançamos próximos, e mais, e então subindo e descendo enquanto os corpos se tocam, as respirações cada vez mais avançadas, os olhos nos olhos e as bocas finalmente se encontrando. Você me beija. E eu paro de lutar com a escuridão, simplesmente deixo que ela me leve. Que você me leve. Há mais beijos, mais musicas, mais drinques, mais danças e flashes e fotografias e conhecidos indo e vindo e achando tudo isso o máximo, ou tudo isso detestável – não me importa, nunca me importam os julgamentos alheios, só o meu veredicto é relevante. Tudo é sempre intenso demais, rapido demais, novo demais. E eu abraço isso.

Trato o caos como um filho. Cuido para que permaneça, para que se divirta comigo. Faço todas as suas vontades apenas para mantê-lo por perto, esse mimado.

É tudo tão rápido que sequer consigo registrar. Eu estou lá, mas não lembrarei amanhã. O preço de toda essa nada glamurosa vida sem rédeas é o esquecimento – e nem posso reclamar. De muitas noites, eu realmente prefiro não lembrar. Além de mimado, o Caos não conhece limites. E nem eu, quando com ele. Por isso prefiro mesmo que a minha mente se esvazie sempre antes que volte a estar consciente.

De repente a musica para e estamos na calçada, eu arredia, você avançando. Como previsto, me convida para ir à sua casa contando quão imperdivel sera a festa que você tem preparada so para nos dois. As luzes se acendem. Você me quer, é o que diz. Tudo ao redor para. Como se nunca tivesse existido, na verdade. Não há mais escuridão, nem flashes, nem pessoas correndo por nós, estou de novo consciente. Na rua. com você, que pode ser um grande amigo, um total estranho, tanto faz: não vai me levar para casa. Chamo um taxi, me despeço mesmo ouvindo seus pretextos e protestos. Ignoro suas promessas porque sei que todas as noites assim são iguais. Todas terminam do mesmo jeito,

E durmo no banco de trás do carro do motorista desconhecido por alguns minutos – talvez uma hora – até que ele me chame com delicadeza e diga “chegamos”, aguardando o pagamento.

Por mais perdida que seja, por mais que a escuridão me cegue por horas, sempre acabo a noite segura e sozinha em minha cama. É assim que tem que ser.

Mas há riscos, sempre. De não acabar bem assim, por exemplo.

E percebi que não os quero mais.

Não sou sempre assim, como vocês bem sabem

A vontade hoje é de entrar no banheiro e enfiar o punho na garganta agora parando só quando estiver pesando 50kg. Não que isso vá resolver os meus problemas, é claro, mas depois de vomitar mais de 50kg de gordura eu imagino que o meu ato de desespero me parecerá mais repulsivo do que a minha própria cara, as minhas vontades e eu mesma perante o outros agora.

Eu não to boa.

Impasse

Insira aqui um texto longo e sangrento que acabou censurado, transformado em carta e enviado apenas para o Eric. Por precaução.

Hoje vi um passarinho azul.

Depois de um surto consumista que culminou com uma busca infinita por um iPad, passei hoje o dia desenhando e lendo no bendito tablet. Aí lembrei de um dos meus poemas favoritos (de onde vêm os passaros azuis do meu peito) e rabisquei esse tiquinho de fofura.

Queria ter o dom do desenho, viu? Mas tá ok.

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bluebird

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say, stay in there, I’m not going
to let anybody see
you.
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pour whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he’s
in there.

there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?
there’s a bluebird in my heart that
wants to get out
but I’m too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody’s asleep.
I say, I know that you’re there,
so don’t be
sad.
then I put him back,
but he’s singing a little
in there, I haven’t quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it’s nice enough to
make a man
weep, but I don’t
weep, do
you?

bukowski

Está tudo errado

“Antes de corrigir o coleguinha, verifique se ele está mesmo errado”, eu vivo dizendo sobre as pessoas que teimam em opinar sobre gramática e ortografia sem terem sequer noções básicas do tema.

Mas a verdade é que essa frase serve pra todos os aspectos da vida. Economize o seu tempo e o dos outros parando de tentar corrigir o que está certo.

Em resumo: na duvida, cuida do seu que eu cuido do meu.

fevereiro

um novo mês. podia começar sem contas, amores, demandas, compromissos, sofrimento – começar numa folha em branco pra escrever do zero toda a vida. uma nova vida em um novo mês.

mas não é assim. um novo mês começa apenas para efeito de calendário, de contagem de tempo, de controle. a vida é um contínuo e, se algo incomoda, não vai ser só a passagem do tempo que vai mudar isso. não essa passagem objetiva que segue blocos de trinta ou trinta e um dias (vinte e oito, neste caso em específico).

ajuda, é claro. mas é preciso que se faça algo. correr atrás é preciso.

afinal, se é pra destacar o que sofrimento e alegria tem em comum, vamos com o óbvio: ninguém nunca sabe quando vão acabar de fato.

mas todo mundo sabe que as nossas atitudes e escolhas diárias ajudam a definir se esse tempo é muito ou pouco, sim senhor.