parece ser para um, mas é para tantos

Teve aquele dia em que a gente se estranhou e ficou um clima ruim – logo depois você pediu desculpas e eu fiz questão de lembrar que não, não tenho a menor intenção de te deixar escapar da minha vida.

Mas tudo isso é previsível: eu sempre amo as pessoas com todo o meu coração e não quero perdê-las de vista. Simplesmente acontece. Eu deixo ir. Sou desligada demais, vivo para dentro. O mundo é maior quando está em mim do que quando estou nele. Divago e relembro e remôo para só então perceber que enquanto estava ali observando a vida, ela passou mais um pouco, mais gente se foi, mais gente chegou, sempre tem um equilíbrio, ninguém nunca é igual a ninguém e todo mundo é sempre igual a todo mundo.

Foi numa dessas passagens que você chegou. Que eu prometi não te deixar partir – mas te libertei logo em seguida. E então, diferente do que costuma me acontecer, você ficou. Você fica, todos os dias. Talvez não como eu gostaria, e certamente de formas novas a cada passagem do tempo – mas ficou. E fica. Você insiste, quer, você existe e me lembra disso quase sempre, que é pra eu não desejar mais te perder.

E as minhas teorias acabam falhando, deixando-o ir e vir à vontade, pensando todos os dias em como será triste quando você simplesmente decidir partir. Como se a troca fosse inevitável. Como se eu tivesse nascido para o abandono.

O tempo passa, a vida acontece para todo mundo e a qualquer momento você não estará mais aqui me pedindo para lembrar.

É o que eu mais amo no tempo. Essa relatividade maravilhosa contida num “a qualquer momento”. A qualquer momento pode ser agora, antes que eu termine de inspirar – ou a quarenta anos, quando eu talvez já nem esteja mais aqui para presenciar – e, partindo do pressuposto de que falamos da minha vida, se eu não estiver aqui, não existiu. Então a qualquer momento é agora. E é nunca.

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