alguns pedidos de aniversário que fiz a mim mesma [ou: de quando percebo que sou uma bobona]

acordei e tava na cabeça. me escrevi um recado, a letra bagunçada e as ideias também. certamente que estava precisando ser corrigida por quem mais conhece nesse mundo: eu mesma. e assim, a um mês de completar o vigésimo terceiro outono, parece uma boa. porque aí dá pra começar a executar a lista desde já e considerar o avanço até lá um presentão.

ariane, querida, mais um ano. o que você vai se dar? já decidiu?

não sei se é cedo ou não – creio que possa ser até tarde, veja bem. mas vim aqui te dar algumas sugestões. na verdade, são alguns pedidos pessoais (você sabe que eu mereço esses presentes tanto quanto você) para você ter como meta não só para o vinte e nove de março, mas para a vida.

então aí vai, ari. dez coisas que eu espero de você, do fundo do coração.

10. desapegue. você sabe que precisa. que o prazo está ficando apertado e você só vai se machucar. pra quê ficar correndo atrás de se machucar? isso é tão sua pré-adolescência. supere.
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9. relaxe e se dê um tempo, por favor? ficar se sobrecarregando, seja para se sentir à altura, seja para fugir, só vai te deixar ainda mais louca.
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8. já passou da hora de você parar com isso de hamburguer e milkshake e pizza e estrogonofe e e e… vamos emagrecer um pouquinho?
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prometa, no entanto, não ficar insuportável feito… bom, você sabe.

7. REAÇÃO. pare de choramingar. sério: apenas pare. sorria. tem muito amor na sua vida. eu sei que tem muita merda também, mas tente ser um pouco mais positiva, ok?
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6. converse via skype com os seus amigos mais próximos. por quê? não sei. só sei que você morre de vontade e isso de vergonha não está com nada, sua besta. skype e hangouts, aliás. mas, principalmente, saia de casa e vá encontrá-los. você precisa viver mais. aproveite com os poucos que te fazem bem.
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5. seja mais compreensiva com a Tainá. ouça mais a sua irmã. e, por mais perdida que você seja, tente guiá-la um pouquinho na vida. você sabe como gostaria de ter tido uma irmã mais velha pra te ajudar. melhor que ninguém.
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4. continue sendo você mesma. isso mesmo, pare de titubear. mesmo se sentindo idiota todos os dias, você é o que é. alguém que não te aceite como é não te merece. sim, eu tô com discurso de autoajuda pra cima de ti. sim, você vai me ouvir. e não, não estou dizendo que você não deva ser flexível e sempre buscar melhorar. só estou te avisando pra não mudar por ninguém além de você mesma.
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3. atitude. você sabe do que estou falando.
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2. pare de se sabotar, por favor.
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(não se faça de desentendida: você sabe que sim)

1. fale menos. fale menos. fale menos. seus amigos merecem mais atenção.

é tempo de reconstruir tudo.

Tem aquela música que consegue mudar completamente o que você está sentindo. Que começa a tocar nos fones e causa até reações físicas. A gente sabe que pode encontrar uma nova a cada ocasião, mas de vez em quando se surpreende por perceber que a mesma se encaixa tão bem em tantos aspectos da vida.

Eu, por exemplo, tenho a sensação de que a música que mais ouvi na minha vida toda é uma que conheci apenas 128 dias atrás, de acordo com a entidade INTERNET.

parece ser para um, mas é para tantos

Teve aquele dia em que a gente se estranhou e ficou um clima ruim – logo depois você pediu desculpas e eu fiz questão de lembrar que não, não tenho a menor intenção de te deixar escapar da minha vida.

Mas tudo isso é previsível: eu sempre amo as pessoas com todo o meu coração e não quero perdê-las de vista. Simplesmente acontece. Eu deixo ir. Sou desligada demais, vivo para dentro. O mundo é maior quando está em mim do que quando estou nele. Divago e relembro e remôo para só então perceber que enquanto estava ali observando a vida, ela passou mais um pouco, mais gente se foi, mais gente chegou, sempre tem um equilíbrio, ninguém nunca é igual a ninguém e todo mundo é sempre igual a todo mundo.

Foi numa dessas passagens que você chegou. Que eu prometi não te deixar partir – mas te libertei logo em seguida. E então, diferente do que costuma me acontecer, você ficou. Você fica, todos os dias. Talvez não como eu gostaria, e certamente de formas novas a cada passagem do tempo – mas ficou. E fica. Você insiste, quer, você existe e me lembra disso quase sempre, que é pra eu não desejar mais te perder.

E as minhas teorias acabam falhando, deixando-o ir e vir à vontade, pensando todos os dias em como será triste quando você simplesmente decidir partir. Como se a troca fosse inevitável. Como se eu tivesse nascido para o abandono.

O tempo passa, a vida acontece para todo mundo e a qualquer momento você não estará mais aqui me pedindo para lembrar.

É o que eu mais amo no tempo. Essa relatividade maravilhosa contida num “a qualquer momento”. A qualquer momento pode ser agora, antes que eu termine de inspirar – ou a quarenta anos, quando eu talvez já nem esteja mais aqui para presenciar – e, partindo do pressuposto de que falamos da minha vida, se eu não estiver aqui, não existiu. Então a qualquer momento é agora. E é nunca.

3AM

Lembro da minha vó dizendo “Chorar faz bem, Ane!”.

Não consigo recordar a razão. Nem sei se é mesmo uma memória de infância ou foi um sonho, uma memória criada. Mas eu lembro claramente da risadinha dela no corredor da casa em que vivia há dez anos, lá no Carrão.

E aí, ultimamente, toda vez que eu fico engolindo e engolindo e engolindo e me escondendo até de mim, eu lembro da voz dela me dizendo isso. Deixo saírem as lagrimas. Quantas forem necessárias.

Porque faz bem. E, se não fizer, pelo menos não terei nada de ruim estocado aqui dentro.

What’s up?

Tudo (e quase todo mundo) está me enchendo o saco. Parece que o mundo acordou do avesso esse ano – quem era legal ficou insuportável. Porém, quem era insuportável continuou nessa missão – e a pouca meia dúzia que ainda me agrada (obrigada, amigos que nunca me desapontam) certamente já está ficando de saco cheio, porque se nem eu estou mais me aguentando…

Em resumo: 2013 está sendo um ano difícil.

dezenove do nove

Caminhamos lentamente lado a lado, eu com meu riso ensaiado para ocultar a timidez e ele com sua expressão introspectiva e sempre sincera. Não combinamos o encontro, ele simplesmente aconteceu – muito embora quem me conhecesse tivesse suas dúvidas sobre haver ali um pouco mais do que sorte.

Então lá estávamos: eu indo embora escoltada por ele até a rua; os dois prolongando assuntos de ordem fática desde o momento em que entramos no elevador. O calor, a idade de ambos, as entregas previstas para o futuro próximo, a seriedade dos funcionários do prédio, o novo corte de cabelo dele, as minhas novas peças de roupa.

Já na porta, dou um abraço rápido e distante para me livrar logo do embaraço e ir embora enquanto ainda não me entreguei sem querer em algum comentário. A avenida movimentada parece ter sido engolida pela timidez dos dois. São muitos carros e nós aparentemente não ouvimos barulho algum.

Então ele, na contramão de tudo que eu esperava, segura-me pela mão e, num deboche carinhoso, solta ‘dá um abraço direito, por favor?’ sem esperar que eu tome atitude, puxando-me contra si e me acomodando em seu colo num longo abraço apertado do qual nos desfazemos corados e incapazes de olhar nos olhos um do outro sem sentir conforto e curiosidade.

O abraço que fez com que eu estragasse tudo semanas depois.

he is exactly the poem I wanted to write (mary oliver)

Black

Sempre me intrigou muito o fato dos nossos diálogos nunca marcarem você de forma alguma. O que eu acho presunçoso de dizer, já que não tenho como saber se marcaram ou não, veja bem.

Estou supondo porque você diz não se lembrar de coisas que pra mim não podiam estar mais claras na memória. E, na contramão, costuma compartilhar o que teve com outras pessoas com muita facilidade, o tempo todo, como uma forma de se aproximar delas.

Eu vivo para saber o porquê de nenhum dos nossos tantos diálogos (foram muitos, foram tão bons) receberem destaque no seu dia.

Porque vejo o que você e outras pessoas conversaram ser sempre tão exaltado. E eu… É como se eu não existisse. Não de forma especial.

Na verdade, estou só sendo imatura de novo.

E como me irrita essa notável imaturidade.

Estou surtando, como se previa. Abstinência. Mas ela era prevista, só está chegando mais cedo.

* * *

Tenho uma maldita sensação que não sei controlar. Tudo o que vivo e vejo com você me causa imediata NECESSIDADE de compartilhamento. É como se todos precisassem saber. Como se isso prolongasse o sentimento, o legitimasse.

Mas ao mesmo tempo é sempre algo tão nosso, tão particular. Tenho medo de entregar o ouro a quem não merece. Por isso me seguro, não falo, ou apago e finjo que nunca existiu.

* * *

Isso de “happiness is only real when shared” deve ser verdade.

Mas eu quero compartilhar só com você, não com o mundo. E por Zeus, como é difícil. Não é minha natureza.

Com você, estou sempre em conflito.

Mas eu sempre soube que seria assim. Sempre tem um lado que vai amar mais.
E às vezes um lado que simplesmente não ama.

A questão é o que se faz deles.

I know someday you’ll have a beautiful life, I know you’ll be a star
In somebody else’s sky, but why, why, why
Can’t it be, can’t it be mine

* * *

Foi o horóscopo que disse:

“Neste período, que vai de 18/02 (Hoje) a 20/02, a passagem da Lua pelo setor das crises pessoais pode significar um transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos dias, Ariane. O Sol em trânsito pela Casa 5 entra em conflito com a Lua, sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! A Lua neste momento pede que você não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. O Sol na Casa 5 lhe ajuda a ver as coisas com maior clareza, ou pelo menos com melhor humor. A reflexão para o período é: do que eu preciso me libertar?

Eu só grifei.

(Depois de ouvir só nesse fim de semana – de todo mundo que eu amo – que claramente estou prestes a explodir, acho que até faz sentido)

FODA-SE ESTA MERDA TODA :D