2013

particularmente, acredito que réveillon devesse ser uma data introspectiva, pra assentar o que houve no ano anterior e se equilibrar melhor para o próximo. no entanto, por protocolos sociais e falta de grana/ferias eu to aqui numa casa lotada ouvindo pagode no ultimo volume.

sinceramente?

se 2013 for bom como 2012 já valeu a pena aguentar isso.

vamos lá.

charada

da primeira vez que eu te vi, pensei “quem diabos é esse garotinho? o que está fazendo aqui, entre nós?”. e na mesma noite, depois de ignorá-lo o máximo que pude, depois de mergulhar num mar de auto piedade regada a cachaça e muitas lágrimas, depois de dormir no banheiro, confrontar o inimigo e me humilhar diante de todos, conhecidos ou não, quando eu já havia perdido completamente a esperança de sentir algo bom naquele lugar, você caiu no meu colo sem querer e foi a solução para todos os problemas daquele dia.

e não, não vou transformar a memória daquela noite em algo lindo e emocional, porque não foi. eu não preciso e nem posso mascarar isso. foram nossos corpos brigando, isso sim: nossas bocas se beijando como se procurassem fugir desta dimensão e encontrar qualquer outra menos desconfortável, menos opressora, qualquer outro lugar no espaço. aquilo foi carne, foi um encontro inesperado, com sensações boas e que, a princípio, deixaram nada além de marcas físicas em nós dois.

na segunda vez em que te vi, tentei aceitar que você não era uma criança como eu imaginava até então. que nem culpa, nem arrependimento combinavam com a lembrança do que houve e que, apesar de todos os pesares – as piadas, as marcas, o constrangimento –, foi uma surpresa maravilhosa. da segunda vez que te vi, soube que você era um garoto incrível. que talvez nunca encontrasse ninguém igual. e eu tive orgulho de saber que havia estado com alguém assim, mesmo que de forma tão superficial. que, diferente de tantas outras ocasiões e pessoas passando por minha vida de forma semelhante, eu poderia ser sua amiga.

nossos encontros se tornaram mais frequentes desde então. não muito frequentes, é claro – mas você agora é parte da minha vida. um amigo que me orgulha mesmo de longe e sem saber. e a cada dia te enxergo muito mais como homem do que como um menino. a cada nova conversa (ou mesmo cada vez que observo você falando ou reagindo ao que outras pessoas falam apenas com o olhar), sinto que tenho muito a aprender com aquele garotinho que eu vi pela primeira vez vestido de Charada numa noite na Av. Consolação.

acho que por isso eu nunca me senti tão feliz como quando você disse o que achava de mim: porque sinto o mesmo. você é inteligente, é educado, é carinhoso e gentil. um dos melhores presentes que a vida me deu nesses anos – junto a todos os outros irmãos que ganhei, e que nos apresentaramm. obrigada.

foi um final de semana maravilhoso e eu quero mais disso no próximo ano. na vida.

quem disse que o desapego é sempre maravilhoso?

Eu sempre tive um defeito muito grande: o poder de desapego. Apesar de ser quase obsessiva quando quero algo e quando possuo algo que amo, qualquer dano – mesmo depois de reparado – me faz perder o encanto.

Sei que é errado desistir. Sei da importância de tentar de novo. E eu valorizo isso. Eu luto. Mas é inevitável.

Eu agia assim com bonecas cuja cabeça caiu e foi recolocada, ou cujo penteado teve de ser refeito. Agia assim com cadernos que tinham mais páginas do que deveriam arrancadas e livros cuja capa foi amassada ou as páginas sofreram alguma alteração.

Eu agia assim com amigos que traíam a minha confiança e depois pediam perdão. Com celulares que me deixavam na mão quando eu precisava…

…com relacionamentos disfuncionais.

Eu tenho 22 anos e um coração aberto a novas chances. Uma insistência que chega a ser insuportável toda vez que começo algo – mesmo que esteja me fazendo mal, mesmo que queira muito desistir. Mas tanto comigo mesma quanto com os outros, o meu desapego ainda é grande demais. Se insistir não adiantar, eu não me humilho. Não me contrario. Basta uma falha. Um erro que acerte a ferida. Eu apago coisas e pessoas da vida na velocidade da luz quando preciso.

Mas pra isso tem que haver motivo.

E estar apaixonada acaba me cegando para todas as razoes possíveis, por mais que elas gritem na minha cara.

Estou em pânico, acreditem.

Preciso desapegar da maneira certa: gradualmente. Tem que ser agora mesmo, antes de quebrar mais um dos brinquedos que tanto gosto e jogá-lo no baú das memórias ruins, esquecido com tantos outros.

Às vezes eu gostaria de ser um pouquinho menos contraditória.

Susan Miller do dia

hoje eu abri o horóscopo e fiquei me sentindo uma Padawan – o que é bizarro, uma vez que sempre me achei lado negro demais pra ser Jedi.

olha só:

“Sudden curiosity may lead you to seek out real answers to lingering questions. You may even seek answers from elders or other family members who have walked a longer path than you have. Pursuit of this knowledge will be fulfilling.”

May the Force be with us.

talvez essa seja a decisão mais difícil de 2012

mas é isso: eu desisto do que quer que seja que está acontecendo.

nunca (NUNCA!) senti isso. esse interesse que causa dor física. essa confusão mental que me fez chorar sem parar por um final de semana inteiro.

nunca tinha vivido isso e não quero viver mais.

é tudo seu, vida. bandeira branca, pode levar. quero minha força de volta.

Sobre os últimos 22 anos

É tudo imaginação e egoísmo, mas tudo faz sentido e acontece. Toda frustração imaginada uma hora se torna real, e a culpa não é de ninguém além do usual: você mesmo, que se permitiu criar tantas sensações de uma vez, sabendo que iam se desencontrar.

A vida não é fácil nem pra quem jogo no modo iniciante.