broken chair

para ler ouvindo:

 

Na última semana eu fiz o maior drama por ter me apaixonado esse ano, como se isso fosse errado. Depois surtei por ter me declarado pra essa paixão e por considerar isso uma coisa de quem tem 13 anos de idade.

Calma lá.

Penso, sim, que aos 13 anos a gente não tem nada a perder e por isso se declara com uma facilidade muito maior. Eu escrevia cartas de três, quatro folhas (que nunca entreguei). Gastava páginas e páginas dos meus diários narrando o meu grande suplício por ter que escolher entre confessar meu ~amor~ ou aproveitar a grande amizade que tinha à minha disposição.

Isso é uma coisa que todas as minhas paixões têm em comum: de uma forma ou de outra, antes ou depois do sentimento começar a existir, os rapazes se tornaram grandes amigos meus. E eu vivia (ainda hoje vivo) o impasse de amá-lo simultaneamente de várias maneiras distintas; quando, a bem da verdade, no final das contas era tudo amor.

Esse final de semana me ocorreu que, diferente de quando tinha 13 anos, hoje sei o que tenho a perder. É verdade que o álcool eventualmente me anestesia dos medos e me solta a língua, mas é tudo sempre pensado – no sentido de que, aos 13 anos, eu me entregava às paixões sem avaliar nada antes. A todas elas. Vivia de forma intensa demais. Sofria sozinha. Hoje penso muito antes de aceitar isso. Eu me iludo e sofro sozinha, é claro, isso é parte da paixão, a irracionalidade toda. Mas até me apaixonar houve um longo percurso: então sim, vale a pena cada instante perdido com isso. A gente precisa sentir de vez em quando pra lembrar que está vivo.

Foi por isso que vivi os dois anos de luto desde que me traí de forma mais severa com paixões que sabia que não deveria arriscar: porque tinha sentido demais e precisava de uma anestesia – me sentia tão viva que só o que desejava era morrer. Foi por isso que no começo desse ano, quando notei que estava me abrindo para alguém que não iria corresponder ao que eu procuro de mais simples – paixão e companheirismo sem cobranças – mandei embora da minha vida: porque se eu já sei o que procuro, e diferente de quando eu tinha 13 anos, já sei que não existe príncipe encantado no cavalo branco, isso é razão pra que eu não aceite qualquer coisa. E foi por isso que me apaixonei recentemente: porque sabia que valia a pena sentir algo por essa pessoa, que ele era um conjunto das características que busco em alguém, que gostava de mim o suficiente para ser meu amigo e que eu nunca iria cobrar que esse sentimento viesse para mim de volta, porque me sentia bem gostando dele assim, gratuitamente.

Pausa pra respirar.

Eu sei que é muito bom um amor recíproco, mas também sei que é raro: e ultimamente nada me faz mais feliz do que amar de graça, pensar no bem da pessoa em primeiro lugar, perto ou longe de mim. Nada me faz tão bem quanto saber que o que sinto é verdadeiro e não precisa ser posto a prova ou ter pressa.

Eu fico mais satisfeita em zelar por alguém do que eu ficaria estando em um relacionamento com essa pessoa.

Eu achava que estava sendo infantil e tola por ter me declarado. Passei muitos dias me julgando e imaginando estar sendo julgada por ter revelado algo que guardei por tanto tempo. Agora estou tranquila, foi bobagem, mas aconteceu. E, convenhamos, passei tanto tempo sem me importar com o que as pessoas costumam pensar de mim… Essa não é a hora de ligar para isso.

Sinceramente? Se você gosta de alguém independente do que aconteça, se você ama alguém o suficiente para querer essa pessoa feliz (perto ou longe de você), não guarde isso. Às vezes a gente confunde um pouco as coisas, por isso não importa se é paixão, paixonite, gostar, amor, ódio, carinho.

Vai lá, querida(o).

Conta tudo. E depois me conta, pra gente se sentir bobo junto.

 

via Postsecret

You breathe, you learn, you lose, you take, you break, you choose – and as you learn and cry, you do your best and try. And as the days go by, it makes you wonder why you try so hard, so hard, to mend what’s bound to fall apart.

Ooh maybe it’s time to let it go.

Um comentário em “broken chair”

  1. Hahaaaahahah que engraçado. Só li alguns posts do seu blog mas tô achando um barato. Ele parece ter sido escrito por mim. Absurda semelhança de idéias. Vou ler tudo. Parabéns pela sua escrita e pela sua coragem.

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