feliz aniversário

No inicio de 2011 eu estava desempregada. A sobrecarga de 2010, com o SWU, fez com que eu pedisse demissão para terminar o ano na faculdade e iniciar o TCC com decência.

Enfim, como uma boa desempregada de 20 anos de idade, assistia diariamente Os Simpsons às 11h na TV Globinho.

Minha mãe freqüentemente me interrompia sempre nessa hora, o que me tirava do serio. É claro que tinha a ver com esse ser o seu horário de chegada do trabalho, mas a única coisa que eu pedia era minha meia hora de Simpsons, poxa vida. Todo o resto do dia era sobre arrumar coisas e estudar.
Então, vira e mexe, com toda a minha maturidade, eu ficava de bico pelo resto do dia ou (é, piora) passava a tarde sem falar com ela.

O que nunca tinha percebido era o quanto eu ficava nervosa… até meu aniversario chegar.

Num bilhete sobre a mesa logo pela manhã, a seguinte mensagem:

“Feliz Aniversario, Ariane Von Richtofen! Não me mate, por favor! Não me mate! Prometo deixar você ver Simpsons tranqüila. Te amo.”

Tem muitas coisas que passam batidas ao longo da vida, mas esse parabéns eu acho que nunca vou esquecer.

E acho que nem tem mais Simpsons pela manhã, tem?

no space for pity

a gente estuda, estuda, estuda, trabalha pra caramba, entende de coisas completamente abstratas e ainda pena pra constatar o óbvio.

tipo hoje. reparei na mania humana de ficar esperando demais as coisas do outro lado quando o simples ato de tomar uma atitude resolveria todo o “problema”.

e eu nem estou falando de coisas complexas, estou falando de sinais sutis, mesmo.

se você acha que está faltando algo ou alguém na sua vida, em vez de desejar que caia do céu ou reclamar, por que simplesmente não busca isso?

e olha que sou eu falando, né?

faz muito mais sentido arriscar e perder do que ficar lamentando que algo não aconteceu milagrosamente.

dar sinais não é dar indiretas.

e isso não é só pra quem fica reclamando “queria que puxassem assunto comigo”, “queria que me ligasse”, “queria que soubesse que eu existo”, “queria compartilhar”.

você já puxou assunto hoje? já ligou alguma vez ou disse diretamente para alguém que gostaria de receber sua ligação? puxou assunto com aquela pessoa que stalkeia há anos rezando pra que um dia ela note que você existe?

a gente quebra a cara investindo. varias vezes se sente idiota por ter arriscado.

mas idiota mesmo é ficar se autoflagelando sem nem tentar.

porque se alguém te quiser por pena da flagelação, escolheu o motivo errado.

O mundo é um moinho

euzinha aos 17.

Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Aos 16 anos eu estava numa fase muito particular. Tinha feito uma cirurgia na coluna e começava o cursinho pré-vestibular. Pela primeira vez na minha vida, meus pais cortaram o cordão umbilical (por falta de opção) e eu ia sozinha de casa à Liberdade, e vice-versa.

Por mais clichê que possa parecer, naquele tempo “Liberdade” era então muito mais que o nome de um bairro, era o que eu estava experimentando de maneira confusa e ao mesmo tempo prazerosa. Passava o dia estudando (amava estudar), caminhando pelas ruas sozinha, tomando cafés e pensando no futuro que eu escolheria em breve, nos anos que se seguiriam e em que profissional deveria me tornar.

Eu tinha um daqueles aparelhos de mp3 chineses de 2Gb de memória e minha playlist era composta, basicamente, de Amy Winehouse, bossa nova e MPB. Muito sambinha bom, muita mágoa bem cantada.

Por um ano – um pouco mais, porque no primeiro ano das faculdades prolonguei essa onda – a minha vida foi ouvir sem parar a Chico, Caetano, Elis, Marisa, Maysa, Cazuza, Simonal, Adoniran, Cartola, Toquinho, Vinicius, Jobim, sobretudo Amy Winehouse. E vagar pelas ruas da Liberdade – depois pela Avenida Paulista e a Cidade Universitária – procurando um sofá vazio em um café pra ler e escrever.

Pra estudar sobre a contracultura, entender os movimentos que tanto admirava, mergulhar na geração Beat, no universo Punk que cultuei superficialmente até então.

E observar. As pessoas, as relações que ocorriam ao meu redor, a plenitude da cidade, da Avenida Paulista – que parecia tão grande comparada à minha pequenez! – tudo isso me deixava encantada, perplexa. O simples ato de atravessar as ruas mexia comigo de forma intensa, se tornava uma crônica, um conto, uma viagem pela imaginação cheia de perspectivas para o meu futuro: o fim da faculdade, que parecia tão distante.

Esse mês completa um ano desde a entrega do meu TCC. Um ano desde que o tal futuro antes distante chegou. E em diversos aspectos sou completamente diferente daquela Ariane que vagava pelas ruas, perdida e insegura, cheia de sonhos, de planos e de convicções que sequer me lembro. Uma Ariane cheia de primeiras vezes para explorar.

Ao mesmo tempo, eu sou a mesma Ariane. A mesma. Como se não tivesse crescido, como se os desafios apenas ficassem mais difíceis e os cenários fossem mudando.

Há seis anos eu era a mesma, com os mesmos sonhos, mas uma playlist diferente. Ou igual, não sei. Com centenas de livros a menos na prateleira, na mente e no coração. Com dezenas de experiências boas e ruins a menos para contar. Mas a mesma.

Aquela Ariane que cantava que o Mundo é um Moinho quase sem entender, hoje já viu vários de seus sonhos triturados e ilusões reduzidas a pó – e ainda assim não se deixa iludir quanto ao fato de ter amadurecido.

Porque tem uma coisa que não muda: continuo sentindo que preciso de mais. Mais livros, mais experiências, mais sonhos, ilusões, paixões.

Eu quero novos lugares que me façam sentir pequena em relação ao mundo como senti quando olhei para cima na Paulista pela primeira vez. A avenida onde hoje me sinto em casa – não porque sua grandeza diminuiu, mas porque eu cresci nela.

Não sei em que momento da vida a gente sente que cresceu o suficiente. Nem sei se isso de fato acontece.

E, pra falar a verdade, não sei se quero sentir isso algum dia. Porque não tem nada mais gostoso que o nó na garganta e o frio na barriga de ter que explorar e começar tudo de novo. E de novo. E de novo. Várias vidas vividas para completar apenas uma.

Até a morte chegar.
(Ainda é cedo, amor.)

todos loucos

Tá complicado e não tem perspectiva de melhorar. Quando o problema é com quem a gente ama, parece pior do que conosco.

E o que fazer? Não tenho a menor ideia.

home alone

quando a bad trip pega a gente e nao tem amigos, nem filmes, nem álcool por perto.
nada.

só os demônios assombrando sem parar.

para dias chuvosos como hoje

A chuva é propícia à reflexão indolente. Na realidade toda a reflexão é indolente. Talvez, até, desnecessária. Os problemas começam quando começamos a pensar. A pensá-los.

Manuel A. Domingos, (…)

a vontade era estar deitada na cama vendo filme, lendo poesias, fazendo qualquer coisa melhor. mas é Terça e o máximo que vamos curtir da chuvinha hoje é o reflexo na janela do trabalho. nada de pensar demais, não é mesmo?

o segredo é abusar duma playlist com a pitada certa de melancolia e pronto: o mundo fica lindo rapidinho. 🙂


pra ouvir direto no Rdio ou assinar a playlist, no hope, no harm – just another false alarm. se você não assina o Rdio ou prefere ouvir no Grooveshark, clique aqui.

“Há vários estilos de solidão. É como enfrentar uma tempestade. Algumas são violentas, e você quer se livrar logo delas. Mas também há tormentas calmas, agridoces, contemplativas. Certas turbulências são tão gentis que há um certo prazer em passar por elas.”

– Eduardo Fernandes, A anarquia da solidão [via Ranchocarne]

broken chair

para ler ouvindo:

 

Na última semana eu fiz o maior drama por ter me apaixonado esse ano, como se isso fosse errado. Depois surtei por ter me declarado pra essa paixão e por considerar isso uma coisa de quem tem 13 anos de idade.

Calma lá.

Penso, sim, que aos 13 anos a gente não tem nada a perder e por isso se declara com uma facilidade muito maior. Eu escrevia cartas de três, quatro folhas (que nunca entreguei). Gastava páginas e páginas dos meus diários narrando o meu grande suplício por ter que escolher entre confessar meu ~amor~ ou aproveitar a grande amizade que tinha à minha disposição.

Isso é uma coisa que todas as minhas paixões têm em comum: de uma forma ou de outra, antes ou depois do sentimento começar a existir, os rapazes se tornaram grandes amigos meus. E eu vivia (ainda hoje vivo) o impasse de amá-lo simultaneamente de várias maneiras distintas; quando, a bem da verdade, no final das contas era tudo amor.

Esse final de semana me ocorreu que, diferente de quando tinha 13 anos, hoje sei o que tenho a perder. É verdade que o álcool eventualmente me anestesia dos medos e me solta a língua, mas é tudo sempre pensado – no sentido de que, aos 13 anos, eu me entregava às paixões sem avaliar nada antes. A todas elas. Vivia de forma intensa demais. Sofria sozinha. Hoje penso muito antes de aceitar isso. Eu me iludo e sofro sozinha, é claro, isso é parte da paixão, a irracionalidade toda. Mas até me apaixonar houve um longo percurso: então sim, vale a pena cada instante perdido com isso. A gente precisa sentir de vez em quando pra lembrar que está vivo.

Foi por isso que vivi os dois anos de luto desde que me traí de forma mais severa com paixões que sabia que não deveria arriscar: porque tinha sentido demais e precisava de uma anestesia – me sentia tão viva que só o que desejava era morrer. Foi por isso que no começo desse ano, quando notei que estava me abrindo para alguém que não iria corresponder ao que eu procuro de mais simples – paixão e companheirismo sem cobranças – mandei embora da minha vida: porque se eu já sei o que procuro, e diferente de quando eu tinha 13 anos, já sei que não existe príncipe encantado no cavalo branco, isso é razão pra que eu não aceite qualquer coisa. E foi por isso que me apaixonei recentemente: porque sabia que valia a pena sentir algo por essa pessoa, que ele era um conjunto das características que busco em alguém, que gostava de mim o suficiente para ser meu amigo e que eu nunca iria cobrar que esse sentimento viesse para mim de volta, porque me sentia bem gostando dele assim, gratuitamente.

Pausa pra respirar.

Eu sei que é muito bom um amor recíproco, mas também sei que é raro: e ultimamente nada me faz mais feliz do que amar de graça, pensar no bem da pessoa em primeiro lugar, perto ou longe de mim. Nada me faz tão bem quanto saber que o que sinto é verdadeiro e não precisa ser posto a prova ou ter pressa.

Eu fico mais satisfeita em zelar por alguém do que eu ficaria estando em um relacionamento com essa pessoa.

Eu achava que estava sendo infantil e tola por ter me declarado. Passei muitos dias me julgando e imaginando estar sendo julgada por ter revelado algo que guardei por tanto tempo. Agora estou tranquila, foi bobagem, mas aconteceu. E, convenhamos, passei tanto tempo sem me importar com o que as pessoas costumam pensar de mim… Essa não é a hora de ligar para isso.

Sinceramente? Se você gosta de alguém independente do que aconteça, se você ama alguém o suficiente para querer essa pessoa feliz (perto ou longe de você), não guarde isso. Às vezes a gente confunde um pouco as coisas, por isso não importa se é paixão, paixonite, gostar, amor, ódio, carinho.

Vai lá, querida(o).

Conta tudo. E depois me conta, pra gente se sentir bobo junto.

 

via Postsecret

You breathe, you learn, you lose, you take, you break, you choose – and as you learn and cry, you do your best and try. And as the days go by, it makes you wonder why you try so hard, so hard, to mend what’s bound to fall apart.

Ooh maybe it’s time to let it go.

this too shall pass

Sabe, eu tô cheia de coisa na cabeça. Um monte mesmo – não é só trabalho ou paixonite ou o que o valha. É muita coisa. Uma puta confusão. Mas me dei uma pausa de 10 minutinhos. Pra ir ao banheiro, pra olhar uma revista e ver se tinha um insight. Pra ver como tinha ficado o instagram @arianefreitas na web.

Aquela pausa pra respirar que é essencial no dia em que você não fez nada além de trabalhar, quando o cérebro está dando tilt e você ainda tem muito o que criar.

E aí eu encontrei essas fotos.

Parece besta, mas isso deu todo um significado novo à minha angústia.

Pra muita gente, são só fotos de várias sessões de tatuagem. Na real, 3 sessões – pouco mais de 6 horinhas da minha vida.

Pra mim, nesse momento, mais que horinhas da minha vida ou um antes e depois, isso foi a prova de que as coisas mudam muito rápido. Às vezes pro mal, às vezes pro bem, só tenho uma certeza: tudo passa.

E eu não estou falando de cor de cabelo, um piercing e sete tatuagens novas, mais ou menos peso. Estou falando das coisas que eu sentia há seis meses e hoje eu não sinto mais.

Então vamos lá encarar o que está me aporrinhando e confundindo. Vamos porque amanhã é outro dia. 🙂