planeta terra festival 2012

Foto: Terra

Eu não ia ao Terra. Serio, já tinha desistido, marcado viagem, já tava tudo certo pra eu fugir de SP esse final de semana e fingir que uma das minhas bandas favoritas não existia. Nem lembro como foi que eu decidi isso, só sei que foi difícil e eu não ficaria pensando muito a respeito.

Daí ganhei o convite para o lançamento do Chevrolet Ônix no início dessa semana e achei que esse fosse o ponto alto do mês, sabe? “Que incrível, ganhei convites para o Terra!”. Quis dar um abraço tão forte na pessoa que me convidou que fiquei até com medo do constrangimento de quando a encontrasse pessoalmente.

Tô deformada, mas tava curtindo.

Mas esse não foi o ponto alto, amigos. Felizmente.

O ponto alto foi ontem, quando eu passei o dia todo cercada de pessoas que amo, com direito a bonsdrink, matar saudades de amigos de longe, balançar o bumbum ao som de Azaelia, ser confundida pelo barman, paixões da minha adolescência assistindo ao meu lado o show de uma das bandas que eu mais gostava também na adolescência (Shirley Manson, VSF VC É GATA. Daniel Weksler, querido, se um dia a Pitty não te quiser mais, estou aqui) e o COMPLETO ÊXTASE que eu vivi no show do The Gossip, além de andar pela madrugada no centro, já com os pés cansados e feridos, apenas pra comer pernil com provolone.

Eu jamais imaginei que fosse ser tão incrível, que fosse me divertir tanto quanto me diverti.

Então obrigada, gente. Por fazer parte da minha vida, por compartilhar esse dia comigo, por acrescentar detalhes especiais a cada momento dos meus dias. <3 [caption id="" align="aligncenter" width="960"]Riquíssimas no show do Best Coast. :)[/caption]

Numa conversa durante o almoço

– eu tenho muito mais medo do que eu faço quando estou sóbria e cansada. é como se meu corpo se recusasse a continuar lutando contra os impulsos.
– eu não. eu mando mensagem bêbada. um perigo.
– eu mando mensagens sóbria. falo muito, sem controle. poucas vezes faço sentido. quando estou consciente, tudo em mim é amor. só existo dele e para ele. e preciso demonstrar. quando estou bêbada, é o meu lado carnal que aflora. eu não cedo fácil às mensagens e declarações porque estou ocupada procurando corpos para consumir…
– é verdade, também sou um pouco assim quando bebo.
– …se parar pra pensar, “consumir corpos” é uma expressão pesada demais. mas é isso. :/

(e por isso desde que me apaixonei tenho estado tão contida…)

Nicest Thing

já nem sei mais quantas vezes me entrego todos os dias: num sorriso, num comentário ou mesmo naquela hora vazia em que acabamos por silenciar.

mas deixa pra lá. o que eu queria saber mesmo é qual é o teu segredo, o que te faz tão essencial, o que me faz perder horas, dias imaginando quanto cada gesto teu poderia significar algo mais do que aquilo que de fato é.

eu queria saber o que diabos é isto que me amarra a garganta e o cérebro quando estamos juntos. que me faz querer dizer tanto e não conseguir falar nada.

eu só queria saber o que diabos é isso que está acontecendo entre nós.

papo de elevador

– e essas tattoos aí?
– bah, tô tentando me controlar, esse ano eu dei uma exagerada.
– é, tem que pegar leve. a gente começa e parece que não dá pra parar.
– tipo isso, não dá.

(voz do elevador: 2º andar)

saio e o desconhecido continua subindo.

não desista, menina

tava contando pra jessica que recebi uma pergunta no ask ontem e me embananei toda pra responder: “o que achou de fazer jornalismo? faria hj ainda? pq?”.

a gente estava na fila pra pagar o almoço.

depois da minha explicação (também toda embananada, obrigada) de porque diabos eu acho que sim, faria tudo de novo, concluí, com um tom que oscilava entre o deboche e a resignação: “eu não tenho culpa se vi filmes demais e a profissão com que sonhei a vida toda não existe, não é mesmo?”

o caixa do restaurante, um senhor de idade que nos recebe quase que diariamente com um sorriso de orelha a orelha, ouviu o que eu estava dizendo e me corrigiu: “não, menina. é claro que existe! não desista!”.

e eu pensei (alto): “não desisti. estou adaptando tudo – e não podia ser melhor”.

and I mean it. 🙂

delicadezas maternas (I)

“ariane, chega. você tem tanta flor tatuada que no seu velório não vão nem precisar comprar arranjos, só te colocar nua no caixão”

mãe é a coisa mais incrível do mundo, né? ?

preferi não comentar todas as rosas que ela tem fechando o braço, pra evitar atrito desnecessário. e também  deixei pra avisar pra ela que eu ainda tenho um monte de flores pra rabiscar no meu corpo mais tarde, just in case. : )

lower your expectations, increase your happiness

eu acho que a esperança não pode e nem deve morrer. é o fiozinho que nos mantém ligados ao mundo. viver resignado é triste – a vida não é uma doença e nem um problema para tratarmos como algo irremediável. não, por mais incrível que esteja, sempre há esperança. de que vá se manter assim. de que vá melhorar. de que possa sempre nos surpreender de diversas firmas.

mas esperanças não são expectativas.

as expectativas destroem os pequenos detalhes que tanto podem nos fazer felizes.

a gente valoriza muito mais as pequenas coisas quando não está esperando por elas. e é muito menos exigente com elas quando não faz ideia de como serão.

então eu estou vivendo num momento sem expectativas. se acontecer, bom. se não acontecer, tudo bem.

porque quando eu espero demais eu também queimo a largada e estrago tudo antes da hora.

então tá tranquilo, vida. tá tudo lindo. me surpreenda.

12 de outubro de 1996

Tem 16 anos que você mandou o Mickey me trazer uma cesta de café da manhã de Dia das Crianças pra que eu me sentisse especial, porque a bebê agora recebia muita atenção. Você sempre nos deu todo o amor do mundo, como se fosse nossa mãe. Talvez eu não tenha retribuído à altura algumas vezes, talvez tenha me faltado paciência eventualmente, mas eu sempre te amei demais. Da mesma forma que amo a minha mãe.

E desde que você se foi eu sinto tanta saudade que não sei mais nem como reagir algumas vezes. Mas o que há de mais incrível em tudo isso é que pensar em você é automaticamente pensar em amor – e eu fico feliz que vá ser pra sempre assim. 🙂

nem todo mundo te ama. gracas a deus

Eu ando pensando muito nisso. Tanto que escrevi esse post no celular, pleno sábado à noite, quando claramente deveria buscar algo melhor a fazer. Mas não publiquei, nem ia publicar até me deparar com a fala de Capote em seus ensaios.

Estava lá: “É possível que a transição da inocência à sabedoria aconteça naquele momento em que descobrimos que nem todo mundo nos ama? Muitos aprendem cedo esta lição”.

Pois bem. Eu aprendi cedo, e desde então tenho vivido muito melhor. Na verdade, apanhei um pouco no começo. Hoje está tudo em paz.

Às vezes me incomoda um pouco: tenho muitas pessoas especiais na minha vida. Tantas que me sinto culpada por não estreitar os laços tanto quanto gostaria ou me fazer presente o tempo todo – isso tomaria muito mais do que esforço, exigiria duas ou mais de mim. Sou uma só.

Enfim, tenho muitas pessoas especiais. Sério. E não estou me gabando, estou reconhecendo isso. Acho que é essencial.

De criança, quando o Rapha ouvia os meus segredos e, mesmo zombando de mim em algum momento, me apoiava (e quando me reencontrou, dez anos depois, ainda lembrava tudo e sentia tudo talvez com a mesma intensidade ou com mais que antes), eu aprendia o que era amor. Quando a Mimi me recebeu de braços abertos no colégio novo, me ensinando que não há nada mais maravilhoso que um abraço, me abriu para o mundo que eu ate então rejeitava.

Cada pessoa com quem estreitei laços na vida permitiu que depois tantos outros amigos se fizessem nos cursos de teatro, inglês, música, na internet… E fui me acostumando a essas pessoas incríveis. Elas só aumentaram. No cursinho, nas faculdades, nas festas, no trabalho. Era especial.

Ainda é.

Eu não sei gerenciar bem meu tempo. Fico devendo danças, cervejas, saídas loucas, um e-mail sincero contando como as coisas estão. Eu não devo apenas a essas pessoas, mas a mim mesma. Mas se você é especial para mim, eu vou fazer questão de que saiba. Vou fazer piadinhas fora de hora, vou ser grossa contigo na TPM, vou mandar um link de música aleatório no seu mural, um SMS fora de contexto, vou chamar pra sair.

Vou relembrar nossas fotos constrangedoras, fazer confissões e compartilhar informações além do necessário. Vou agir como uma criança mimada e, segundos depois, falar com você como se nada tivesse acontecido. Eu não sou filha da puta, na verdade eu nem percebo essas coisas acontecendo.

Apenas vou agindo por impulso, fazendo o que o coração manda, dando e recebendo ordens diretamente do universo. Eu sou assim. Mas não sou de todo uma pessoa ruim. Sei valorizar o carinho também.

Vou te dizer o quanto você é incrível. De diversas formas. É sério.

Porque sim, todas as pessoas que eu tenho como especiais na minha vida são incríveis.

E eu morro de saudade, apesar do meu espirito solitário. De passar tempo com cada uma delas.

Porque eu sei que nem todo mundo me ama, e sempre fui eu mesma – o que de certa forma agride um pouco quem pensa diferente. Mas só à primeira vista. Se você pode me aceitar, descobre que eu aceito tudo e todos. Que acho o diferente muito legal e, principalmente, que amo o desconhecido.

2012 teria sido completamente diferente sem essa galera. Então, de verdade, presentes ou não em fotos, replies, tags, e-mails e eventos – não importa quanto tempo faça desde a última vez que nos falamos, saiba: você e especial.

E eu estou muito feliz de ter alguém assim na minha vida.

Cada instante que vivemos juntos foi único. E é por isso que eu peço todos os dias para que tenhamos mais (muito mais) dias como esses.

Mesmo que seja por um momento estranho e silencioso de troca de olás pelo celular.

Mesmo que seja uma cutucadinha no Facebook ou um abraço tímido pessoalmente.

Nem todo mundo me ama, graças a deus. Mas faço questão de deixar clara minha gratidão a todos aqueles que, de alguma forma, tentam.