departamento de vibes incorretas veio para ficar

achei meio onírico. até um pouco assustador.

como se eu estivesse numa cena de filme de terror. mas não terror-pastelaria, terror-suspense mesmo. daqueles que pegam teus pontos fracos e te deixam meio (muito) perturbado.

ah, vejam por vocês. e aí me digam se exagerei:

it don’t have to change

Antes de tudo:

Já falei sobre como vivi esse ano intensamente desde o começo. Sobre como me permiti e mudei, como cresci e ando mais forte do que pensava ser. E tudo isso tem uma razão, não é mesmo? Acho que 2012 foi, até o momento, o ano em que mais pessoas incríveis me surpreenderam e entraram definitivamente na minha vida.

Na realidade, a maioria destes guris e gurias já era conhecido de longa data de internet, faculdades, colegas em comum. Mas eu me abri muito mais, no sentido de deixar entrar. Deixei muito mais gente entrar no meu coração.

E tem sido tão bom.

Porque minha compreensão das coisas mudou. Parei de procurar relações que fossem sempre uma equilibrada via de mão dupla. Parei de buscar exclusividade e sofrer muito como se fosse “dona” dos amigos.

Hoje eu só ofereço o meu melhor – que nem é muito, acho que não tenho vocação pra amiga – sem esperar retribuição. E aceito o melhor que as pessoas têm a me oferecer, é claro. Mas sem obrigação.

Porque amor só é amor se é de graça.

Os tempos andam difíceis e as coisas estão mudando, mas o importante é que continuemos os mesmos. O amor não precisa mudar.

É só isso que eu desejo todos os dias: que essas pessoas continuem a ser parte da minha vida – e que eu seja boa pra elas como elas têm sido pra mim (mesmo de longe, mesmo sem saber).

i’m coming home

 pode apertar o play antes de começar. assim você entende melhor.

não é como se eu olhasse pela janela e pudesse ver acontecendo. toda essa confusão só é irremediável agora exatamente por não estar lá fora, mas dentro de mim.

quando pequena, uma professora reclamou com minha mãe pois acreditava que eu dava atenção demais aos detalhes. “vai ser escritora a guria”, ela dizia, e outras depois repetiram. minha mãe encorajava, eu sonhava com isso e nem de longe a loucura aconteceu.

mas havia a fixação nos detalhes. pensei que tivesse ido embora após anos ligada à tecnologia, ao desvio de atenção e às tantas informações inúteis que filtramos automaticamente durante o dia, mas a verdade é que sempre esteve ali.

não um detalhismo calculado ou previsível, e por isso passou batido por tanto tempo. é uma habilidade natural de, por algum motivo que desconhecemos, captar detalhes que ninguém notou antes. colocá-los no radar. ver as coisas tomando forma.

e sofrer muito por enxergar algumas coisas antes de acontecerem de fato.

mas também sofrer por saber ver tanto do mundo e tão pouco de mim: apenas uma imagem distorcida no espelho, um aglomerado de cicatrizes, um desejo profundo de ser. simples assim.

e, a execução plena resultando no não pertencer. a lugar nenhum, a ninguém, a coisa alguma. para ser por completo, sem intervenções, sem medo, acabei abrindo mão disso: de ser parte do outro.

eu construo pontes entre pessoas muito parecidas e mesmo sem algoritmos sei quando são feitas umas para as outras – não pela eternidade, pois nela sequer acredito – mas naquele momento. e não enxergar para dentro, não enxergar do avesso, apenas ser – sem confundir o reflexo absurdo no espelho – é angustiante.

porque quando consegue notar os detalhes mais imprevisíveis de desconhecidos e não sabe identificar as sensações mais simples na sua vida, o inimigo começa a ser você mesmo.

não é como se não fosse aparecer um remédio logo ou como se esse sofrimento todo não compensasse de alguma forma – aprendizado, que seja. é só que a sensação de que o remédio está mais longe do que deveria e que algumas feridas poderiam ser evitadas dura tempo demais.

é só que incomoda saber que consigo ajudar a todos, menos a mim.

estar com o controle não é de todo mal. estar sem ele é desesperador.

 

e ainda dizem que o inferno são os outros.

[a quem interessar possa, esse é o milésimo post neste humilde blog]

a simple life

O que eu tenho a dizer sobre minha vida no momento (e podemos encerrar os trabalhos de autocompreensão de hoje por aqui):

Quando comecei a tocar guitarra e cantar, eu era adolescente. E quando adolescente, apesar de amar Black Sabbath e Stones desde sempre, eu era ~~emo~~. Isso significa um repertório inacreditável de músicas sobre uma vida triste, injusta e cujo mundo estava desabando. Por melhor que as coisas estivessem. Porque era do drama que eu me nutria.

Dessas bandas todas que eu curtia, a que eu mais tocava era Simple Plan. Era fácil, eu amava os caras, tava na moda e nas apresentações o público (aka nossos pais) sabia cantar junto – meu professor do conservatório obviamente levava isso em conta na hora de escolher o que ia ensinar porque depois eu teria o que apresentar nas audições.

TRÊS foram as músicas que mais marcaram esse meu período:

1- Welcome To My Life
2- Untitled
3- Perfect

Sabia tocar e cantar até de trás pra frente porque aparentemente elas resumiam minha existência. E tudo bem, eu tocava e cantava até de trás pra frente. Era isso.

Agora vamos aos finalmentes: é muito patético quando quase dez anos depois você ouve essas músicas e (além de questionar o próprio gosto, obviamente) sofre do mesmo jeito? Com problemas diferentes e um pouco menos de drama mas, ainda assim, tendo a mesma sensação?

Porque cara…

Talvez o excesso de drama da minha vida não tenha ficado na adolescência.