Dia dos namorados

Doze de junho é dia oficial da pauta dos mais variados namoros. De todas as que eu vi e vejo todo ano, há 22 longos anos, a Vivian compartilhou hoje uma notícia do G1 sobre casais que escolheram uma forma diferente de namorar: sem beijo ou sexo, apenas com “cortejo” com a qual eu finalmente me identifiquei. E tem muita gente rindo ou achando absurdo sem saber o porquê.

Mas pra mim é fácil aceitar isso, é claro.

Aos 15 anos eu tive um relacionamento desses. Não era difícil, porque era minha natureza. Tudo muito verdadeiro. Eu não tinha a menor intenção de nada além de esperar. Nunca tinha beijado ninguém e não pretendia fazê-lo, não tinha pressa. Tudo coisa da minha cabeça, todos princípios meus desde criança. O sonho do príncipe encantado no cavalo branco, etc. Eu estava apaixonada (adolescência, né?), ele dizia estar também (lembrava em detalhes a roupa que eu vestia na primeira vez que me viu, aos 12 anos de idade, e todas as conversas que tivemos desde então) e eu não vi mal nenhum em me guardar pra ele.

A verdade é que só terminei porque as pessoas ao redor (com exceção dos meus pais, as pessoas mais incríveis do mundo) não acreditavam nisso e fizeram pressão pelo fim. No ambiente em que eu vivia, o namoro entre adolescentes era proibido. Já falei sobre isso aqui no blog, de forma um pouco amargurada – agora até a amargura passou. Mas tudo acabou porque eu não aceitei a fraqueza dele, a insegurança perante a um ambiente que nada tinha a ver com o que tínhamos. Os meus princípios não haviam mudado, de jeito nenhum, ainda não. Eles duraram até os dezoito (ok, dezenove) anos, quando finalmente pereceram diante das minhas novas experiências e formas de ver a vida. O que mudou ali, naquele dia em que eu enviei uma SMS pra ele dizendo que não queria mais tentar e cortei relações com todas as pessoas que se acharam no direito de opinar no meu dia a dia, foi apenas o que eu sentia por eles. Eu esperava força dele e esperava respeito dos outros. Quando vi que isso não existia e que eu é que teria de mudar, pulei fora do barco.

Eu nunca aceitei que me dissessem o que fazer, dentro ou fora de uma relação. Desde criança. Eu obviamente aceito conselhos de amigos, pondero. Ordens, sejam de estranhos ou íntimos, eu não tolero. Elas me fazem desejar ser ainda mais eu. Essa minha inflexibilidade, inclusive, é o que bloqueia meus relacionamentos até hoje. Os meus princípios são outros agora, mas eu continuo não permitindo que ninguém me diga como eu devo ser ou que me peça pra mudar. Se eu não desenvolver um pouco isso, talvez acabe sozinha pra sempre. Mas essa não é minha preocupação no momento. Talvez daqui a alguns anos eu volte aqui analisando esse post e me julgue – novamente – imatura e inocente. Talvez eu seja a mesma. Ninguém sabe.

Enfim,  só parei aqui pra dizer que tem gente rindo, mas não se julga relacionamentos assim. Esse tipo de relação não é novo e não deixa de ser sadio. A fé de uma pessoa, os princípios de uma pessoa, tudo tem a ver apenas com ela mesma. Assim como sua orientação sexual, seu time de futebol, seu partido político. São particularidades.

O que eu priorizo numa relação, por exemplo, é conhecer alguém. Trocar cortesias. Viver o carinho. Aceitação mútua. Eu me entrego o tempo todo e de repente eu me recolho, sempre fui assim. Porque eu não sei mentir, fingir que gosto, não sei ser eu pela metade e nem sei dizer que gosto do que não me agrada. Tem gente que troca toda essa intimidade e essa cumplicidade por sexo. Não julgo, só não combinaria com alguém assim.

E eu não acho essencial estar com alguém para ser feliz – mas acho que se você escolheu ser feliz com alguém, tem que dar seu melhor para isso. Se pensar que não vale a pena, não tem por que insistir nem fingir. É por isso que eu fico triste quando as pessoas ficam reclamando de não ter ninguém como se isso fosse resolver todos os seus problemas. E é por isso que eu fico triste quando as pessoas ficam depositando as esperanças da sua felicidade em outras. Em sexo. Em qualquer coisa que exija mais do que elas mesmas podem se oferecer. Só por isso: porque a felicidade vem de dentro. É particular. É um estado. E existe com ou sem namorado, com ou sem beijo na boca ou sexo.

Não acredito mais em muitas das coisas que esses casais da reportagem acreditam. Em algumas delas eu nunca acreditei. Mas eu entendo todos eles.

A felicidade existe quando estamos realizados, fazendo aquilo que escolhemos, aquilo que nos faz bem. Quando lutamos pelo que acreditamos, seja Deus, Odin, Buda, Sauron, Madonna, Voldemort ou  Darth Vader.

Depois de toda essa divagaçã0 – que na verdade era um comentário no Facebook mas acabou crescendo tanto que preferi não enviar lá e publicar aqui – eu só consigo pensar em uma coisa:  ainda bem que nada disso de esperar deu certo aos 15 anos, porque eu corria o sério risco de estar casada com ele hoje se não tivesse seguido meu coração e depois aberto minha mente, sozinha. E tudo seria muito diferente do que planejo para mim desde criança.

Planejo muitas coisas incríveis para mim desde criança.
(e elas estão acontecendo, acreditem ou não!)

 

Se você leu até aqui, sinto lhe informar: não era mesmo para fazer sentido nenhum.
Mas sabe, se tivesse de concluir algo aqui, seria… Sabe aquelas pessoas que em algum momento aparentam estar fodendo com a sua vida? Ou aquelas que debocham daquilo que você faz ou acredita? Deixa elas. Aproveita. Usa como estímulo pra crescer.

E cresce, bate as asas, se liberta.
Voa longe.

Com ou sem seu namorado do lado.

2 comentários em “Dia dos namorados”

  1. Engraçado, várias pessoas me mandaram essa notícia hoje, e eu confesso que pensei “porra, mas que merda” assim que dei a primeira olhadinha. Mas a verdade é que passei o resto do dia tentando me convencer de que se a minha forma de amar é legítima, por que é que a deles não é? E daí dei de cara com o seu blog, que fala justamente disso.
    Você tá certa, cada um ama do jeito que souber e quiser amar.
    🙂

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