eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava

Eu sei que não devo sucumbir ao blog. Porque afinal é um blog. É aberto (e se eu me basear unicamente nas estatísticas, devo dizer que ele é lido, entendam-se com elas).

Mas eu também não consigo achar outro jeito. Não consigo conversar com ninguém sobre o que estou passando. Nem comigo mesma. Cada vez que tento formular uma frase que explique o que eu sinto, ela me soa já internamente injusta e eu me perco, me julgo, e não me perdoo por cogitar reclamar. Eu me culpo. Por ter chegado onde cheguei e estar hesitando ou sendo fraca. Sendo uma adolescente? Talvez apenas sendo humana, não sei. Só sei que me incomodo. Por tentar e dar sempre o meu melhor e só conseguir enxergar as coisas de modo insatisfatório.

Não vou falar aqui abertamente sobre o que estou passando ou sentindo, não vem ao caso. Só queria dizer que hoje, cansada, de peito aberto e coração jogado na mesa junto com as contas, eu percebi que estou mais perto dos 25 do que dos 18.

E que, mesmo assim, ainda hoje ser adulta implica engolir certas coisas que eu não me sinto preparada para digerir. Por quê? Por que depois de tantas conquistas parece que sempre há algo maior a ser desfeito amanhã?

Será que essa sensação de estar pronto – mas nunca se sentir bom o suficiente – dura para sempre?

Eu espero sinceramente que não.

Um comentário em “eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês”

  1. Engraçado estar numa situação e encontrar alguém sentindo algo parecido. Tudo, teoricamente, deveria estar bem, ou até ótimo, mas, não está, nem perto disso. Belas palavras.

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