eu quero é que esse canto torto feito faca corte a carne de vocês

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava

Eu sei que não devo sucumbir ao blog. Porque afinal é um blog. É aberto (e se eu me basear unicamente nas estatísticas, devo dizer que ele é lido, entendam-se com elas).

Mas eu também não consigo achar outro jeito. Não consigo conversar com ninguém sobre o que estou passando. Nem comigo mesma. Cada vez que tento formular uma frase que explique o que eu sinto, ela me soa já internamente injusta e eu me perco, me julgo, e não me perdoo por cogitar reclamar. Eu me culpo. Por ter chegado onde cheguei e estar hesitando ou sendo fraca. Sendo uma adolescente? Talvez apenas sendo humana, não sei. Só sei que me incomodo. Por tentar e dar sempre o meu melhor e só conseguir enxergar as coisas de modo insatisfatório.

Não vou falar aqui abertamente sobre o que estou passando ou sentindo, não vem ao caso. Só queria dizer que hoje, cansada, de peito aberto e coração jogado na mesa junto com as contas, eu percebi que estou mais perto dos 25 do que dos 18.

E que, mesmo assim, ainda hoje ser adulta implica engolir certas coisas que eu não me sinto preparada para digerir. Por quê? Por que depois de tantas conquistas parece que sempre há algo maior a ser desfeito amanhã?

Será que essa sensação de estar pronto – mas nunca se sentir bom o suficiente – dura para sempre?

Eu espero sinceramente que não.

uma digressão

tocou man aqui agora.

e man sempre me lembra uma das pessoas que amo de verdade há mais tempo na minha vida e me faz repensar um monte de coisas que eu achava que tinha aprendido sobre amizade e amor nesses meus 22 anos no mundo.

me faz lembrar que eu nunca soube lidar com amor e nem preservá-lo (e provavelmente nunca vou saber), mas ele sempre vai existir na minha vida. assim, sem controle mesmo.

porque a gente pode tentar forçar um sentimento, mas a verdade é que quando a coisa é real não tem mesmo tempo nem distância que anulem o friozinho na barriga quando a gente vê a pessoa, sempre como se fosse a primeira vez. nem há razão que explique aquela dorzinha de saudade que a gente engole no meio da noite sem saber de onde e nem por que vem – sabendo que vai passar, sempre passa, mas depois volta de novo.

e renova a esperança.

enfim. compartilhei no mpqgm, cheio de pessoas que também vivem experiências assim com a música. me sinto menos louca por lá. mas achei que devesse reproduzir no blog. tudo se perde muito rápido no facebook – e aqui o espaço é só meu. 🙂

agora eu sou funkeira e ninguém vai me segurar

(ou: Funk do Social Media Depressão)

Tô desesperada de trabalho. Mesmo assim, foi só me deixarem sozinha na minha sala por dois minutos e comecei a cantar um funk. Do nada.

Sou uma excelente compositora, podem dizer.

“na tardinha boladona
sentada na salinha
correndo pra ação bombar
e escrevendo até em rima

com o saco estourado
e altos trem pra aprovar
até tomei café preto
senão ia desmaiar

sou redatora e não fadinha não adianta implorar
ou aumenta a minha verba ou o bicho vai pegar

boladona, boladona
boladona, boladona”

Tati Quebra-barraco ligou e pediu a vibe de volta.

NÃO DEVOLVO NÃO.

quinze de maio

não é como se fosse passar facilmente, guria.
e não é como se eu quisesse te perdoar agora.

talvez estivesse nas entrelinhas (e aí você não leu) –
algo me diz que agora é tarde demais.


You’ve got your reasons that, hey hey, turned by the seasons and long days gone. Too many minds in my, I don’t know, got in the way of my busting out.

catorze de maio

começou com uma garrafa de rum e algumas verdades fragmentadas em mensagens no celular.  intimidade.

da segunda vez que pensei nisso havia apenas uma mesa, uma caipirinha e algumas cervejas entre nós. consolação. e de repente uma pizza caindo da bandeja e luzes distintas piscando em todas as direções, e fazendo com que meu estômago seguisse um ritmo ainda mais acelerado que o coração, que pulsava descontrolado. talvez por medo, não sei, o que acontece é que você estava ali. esteve ali. e todas aquelas pessoas estranhas que iam e vinham ao nosso redor não importavam: não importava sequer a voz daquela negra linda e sensual que ambos amávamos cantando que encontrou amor onde não havia esperança (embora isso estivesse acontecendo conosco também).

podia fugir. dizer que era a cachaça, a vodca, o rum ou a cerveja, mas a verdade mesmo é que era eu, só eu ali dizendo tudo o que eu sentia e planejava para nós – e recebendo em troca teu recato e timidez, teu receio e teus traumas, a investida das tuas amigas mais atraentes, até o momento em que te olhei nos olhos, peguei pelos braços e beijei pela primeira vez, dizendo “saiam daqui que esta é minha” e tentando protegê-la do mundo mesmo quando nao era necessária defesa alguma.

e eu não sentia segurança ao teu lado: era como se possuísse uma jóia preciosa demais para que pudesse porta-la sem correr o risco de um assalto, um roubo – até mesmo o risco de morte apenas por tê-la só para mim.

mas tudo muda e nossa história mudou: se foram minhas palavras acariciando teus ouvidos ou teus votos de confiança me abrindo portas, não sei: só sei que um dia estavas lá, a porta, dizendo me querer tanto quanto e até mais do que eu mesmo quis qualquer coisa um dia. apaixonamos?

e os dias agora talvez tivessem mais cor – as músicas certamente faziam mais sentido – simplesmente porque escolhemos enxergar assim. salas de cinema, teatro, cantos escuros, banheiros, festas, ruas, casas aleatórias. sempre a tua vontade sobre o meu descontrole, sempre tua voz sobre a minha resistência, sempre tuas neuras sobre os meus interesses distintos.

até que um dia eu tinha tua boca me pedindo de perto e baixinho pra que usasse teu corpo ali mesmo, como bem entendesse – e eu mal entendia o que se passava, mas soube pelo peso da tua repetição (ora tristeza e solidão, ora  instinto) que deveria obedecer. ainda que com resistência, medo, frio e dúvidas, encontrei uma parte de ti que não achei que fosse tocar tão cedo – uma intimidade tão convidativa e inesperada que decidi explorá-la, mãos, olhos, boca, nariz, coração. tudo ali era uma forma de me ligar à tua carne, de me entranhar em tua pele e ser teus ossos nos meus ossos, tua alma na minha alma.

resisti o quanto pude entre teus tremores, as tuas mãos guiando as minhas, minha boca na tua, meus olhos apenas em ti e mais nada, um quarto avulso, uma rua perdida. naquele momento, ali, naquele canto escuro, vendo tua silhueta nua e trêmula, eu pereci. bem que a vida tentou me tirar de ti enchendo-se de obstáculos, questionamentos e intolerância, mas já era tarde demais.

desde então (um, dois, três, dez meses venham: é da nossa distância que me alimento e são o tempo e as definições humanas que me perturbam e assolam ainda mais) não há nada além de ti que me possa consertar.

só te peço paciência. por algum motivo eu gosto de viver assim, do errado, do irremediável, do perdido. e é assim que quero continuar, ao teu lado ou não: sem conserto. desconcertada.

crises à parte,

eu precisava contar. I found love in a hopeless place.
e é assim que vai ser daqui pra frente, cheio de amor. até quando a vida achar que deve.

a rede social

Facebook: o lugar em que, superexposta ao que adoraria não ter que ver (mas, por masoquismo, acaba acompanhando), a mágoa faz comentários por você. Comentários recheados de uma tristeza ímpar por conta das lembranças que você tem, por conta de feridas que demoraram a cicatrizar, por conta de erros que você mesmo cometeu e nunca vai aceitas. Coisas que qualquer um chamaria facilmente de recalque.

E depois você não tem coragem nem bom senso que faça apagar essas merdas que disse sem pensar, em público e num espaço que não é seu – que é pro mundo todo ver e saber quão infantil e pequeno você é. Aos 22 anos.

Seria interessante essa análise… Se eu não estivesse falando de mim.