geração 2.0

“Quando uma pessoa se transforma numa série de dados num website como o Facebook, tudo nela fica menor: a personalidade individual, as amizades, a linguagem, a sensibilidade. De certo modo, não deixa de ser uma forma de transcendência: perdemos nosso corpo, nossos sentimentos contraditórios, nossos desejos, nossos medos — o que me faz pensar que aqueles de nós que sempre recusaram, com repulsa, o que vemos como uma ideia burguesa hiperinflada da identidade individual talvez tenham exagerado no sentido inverso: as identidades despojadas que assumimos na rede não mostram mais liberdade. São, apenas, mais controladas por alguém.”

“Todo programa de computador pode reduzir os seres humanos, mas as gradações variam. A literatura de ficção também reduz os indivíduos — só que a má literatura reduz mais que a boa, e sempre temos a opção de escolher a boa literatura. O que Jaron Lanier diz é que a ‘conversão’ para a internet 2.0 vai acontecer dentro de pouco tempo; está acontecendo agora; até certo ponto, já aconteceu. E o que foi ‘convertido’?”

Zadie Smith: Quero ficar na geração 1.0.
Revista Piauí, Edição 53. Fevereiro/2011

~> tinha acabado de escrever sobre a mudança que as redes sociais trouxeram à comunicação (em particular às minhas formas de comunicação) quando comecei o artigo de Zadie na Piauí — coisa que, de certa forma, fez com que me sentisse ingênua em diversos aspectos.

mas já estava feito. então guardei os parágrafos que mais gostei e toquei pra frente. vai demorar algumas semanas até que eu descubra em que parte tudo o que eu disse naquele texto não condizia com minha realidade, mas com a de Zadie. no entanto, e por mais contraditório que possa parecer, recomendo fervorosamente a leitura dela. é agradável, mesmo para quem (como eu) está conectado desde que o mundo é mundo e, por isso, confronta as ideias da autora em diversos pontos do texto.

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