lama

Às vezes me batia (ainda bate) a vontade estranha de vir aqui e contar tudo, tudo o que aconteceu nos últimos meses, todos os diálogos, os fatos, o que se passou pela minha cabeça. Não para me expor, não para me vitimizar, apenas porque eu sabia (sempre soube) que provavelmente apareceria alguém nos comentários ou no meu email dizendo “poxa, Ari, já passei por isso” e nós conversaríamos por algum tempo (dez minutos, quem sabe?) e eu me sentiria menos pior por não ser a única. Porque hoje eu me sinto a pessoa mais idiota do mundo e é como se eu tivesse essa propensão a ser trocada, abandonada, deixada de lado, como se tivesse algo de repulsivo que ninguém mais tem. E porque sim, foi assim que a maioria das amizades que construí por conta desse blog começaram: com identificação. Hoje ele me pareceu mais importante do que qualquer outra coisa no mundo, vejam. Como meus diarinhos quando era criança, como meus moleskines há dois ou três anos. Porque (de novo) não tenho conseguido falar com ninguém e nem mesmo esperar nada das pessoas senão os próximos abandonos, e aqui posso dizer tudo sem necessariamente esperar que alguém, mais uma vez, vá embora de mim deixando apenas dor.

3 comentários em “lama”

  1. sabe o que é foda?
    não é essa sensação, esse sentimento, é o começo dos fins, dói pra caramba.
    well, como sempre, um post que entra debaixo da pele e faz sentir e pensar e lembrar…
    see ya.

    Ariane: Ah, eu sei como é o começo dos fins. Em geral, o que me incomoda mesmo está longe dos fins ou início. Mora na atitude das outras pessoas, dos “amigos”. Enfim, aprendi com a vida que somos eu e eu mesma até o fim. As outras pessoas passam, apenas.

  2. Putz. Parece que me li há cerca de quatro anos. Escrevendo algo muito parecido com isso. Me sentindo exatamente assim. Acho que ainda sinto.

    Mas, sei lá. A gente vive. Ou sobrevive. Por essa estranha mania que nós humanos temos de levar rasteira, levantar, e continuar andando. A gente sobrevive. E, em geral, temos duas escolhas: Ou deixamos a dor doer até devanecer como fumaça, e aí voltamos a confiar de novo (pelo menos até a próxima porrada), ou nos tornamos pessoas amargas, céticas, que já não acreditam mais em muitas coisas.

    Há um tempo eu tinha certeza que estava no primeiro caso. Hoje, já não tenho mais tanta certeza assim…

    Mas é isso. Nascemos sozinhos e vamos morrer assim, né? O jeito é curtir quem passa.

    E, sim, super rolou uma identificação. 🙂

    Ariane: “A gente vive. Ou sobrevive. Por essa estranha mania que nós humanos temos de levar rasteira, levantar, e continuar andando. A gente sobrevive”. Acho que nem preciso dizer nada. Obrigada pelo apoio, Fabiana.
    Que bom que você apareceu por aqui pra me mostrar que não sou única. Faz bem soltar tudo, não?

    Beijo

  3. cheguei neste blog por acaso e nem preciso dizer: aconteceu comigo há 10 anos (porra!!!) e eu tenho 31 anos hj. sabe o meu, e só meu, pior? não adiantaria mais o cara voltar (e ele voltou, incrível!) porque essa sua dor (e a minha nesses anos) para de doer mas nunca mais passa. distraia-se dela, foi só isso que me adiantou. boa sorte.

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