feeling good

engraçado isso de querer esquecer algo que me fez tão bem. achava interessantes tuas maneiras à rua ou ao telefone, ou somente comigo, ambos vestidos sempre com a carcaça séria, sempre na defensiva, o desejo editorial, os pequenos prazeres, os livros a ler e a escrever, todas as cartas não enviadas. e doía tanto saber sempre pelos teus olhares que fugias de mim, como que por repulsa. mas eu sempre insisti: corria a esticar a corda, problemática, a querer uma nova maneira de representar o mundo sem dores, prazeres contidos ou noites maldormidas, um mundo sem intimidações, só entre mim e ti.  sempre farta de tantas idealizações, eu que às vezes sofro por minha negatividade, não deveria tomar-te como verdadeiro, assim tão cheio de facilidades para construir e desconstruir contextos. eu sempre quis essa capacidade que tens de recortar e editar a vida como parece conveniente, todo esse universo ficcional que se mistura à nossa realidade.  e se só posso saber de algo por meio dos elementos que isso me oferece, a verdade é que eu sempre soube que interpretar ou argumentar jamais me levariam a ti. sempre esteve tudo ali, desde o início da humanidade, em quaisquer formas de representação e interpretação do mundo. talvez por isso tenha sido tão bom te deixar partir: assim me sinto livre. assim me sinto bem.

4 comentários em “feeling good”

  1. essa música tem as manhas de ser a mais foda de todos os tempos

    Ariane: É, Aline. Não a mais foda, porque eu não tenho esse poder de escolher uma só, mas uma das, certamente. 🙂

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