Biebians

Tem toda essa Biebermania agora e eu e minha irmã embarcamos de leve. Ela, por exemplo, só pega se for look coliriozinho da Capricho (que são as cópias do JB por aqui). O que é aceitável, porque ela tem 15 anos.

em geral, os colírios tem essa cara-padrão e o cabelinho cortado com tigela.

Mesmo assim, eu encanei com essa coisa dela só querer franjudo. Daí, fim de semana eu resolvi apresentá-la ao lesbians who look like Justin Bieber, meu tumblr favorito dos últimos tempos. Pra dar um choque de realidade, sabe?

androginia: trabalhamos

Primeira foto e ela: CREDO.
(acho que pensou “nada a ver, hein?”)

Segunda: Nossa…
(começou a perceber que, sim, ele parece uma lesbiquinha.)

Terceira: ISSO É UMA MENINA? É IGUALZINHA.
(autoexplicativo)

E eu só monitorando a reação, claro. Daí, lá pela quinta foto, ela virou bem séria pra mim. Cara de PÂNICO TOTAL.

— NOSSA, Ní. Já pensou essas meninas na balada, no escuro?

Queria ter filmado a carinha dela.

Porque né? Pra mim não seria muito um problema uma menina dessas na balada. Não faz meu tipo. Mas fiquei com pena da pobrezinha em crise, com medo de pegar menina por engano. HAHAHA, VAI SABER NÉ.

Ok, certeza que ela não dormiu direito à noite, só com esse barulho.

A propósito, até que a Tainá combina com o Justin, vai dizer?

@tatafreitas e @justinbieber ftw.

Vamo fazer campanha? Caso conheçam algum Bieber brazuca interessado, enviem currículo para… EI.
Bah, não… Deixa disso. Ela se vira sozinha. Melhor que eu [20 anos, encalhada, apaixonando-se de leve pelo Justin Bieber. caso perdido].

[aviso: esse post é levemente piada interna]

se você não tem a menor ideia de quem é Justin Bieber, aqui tem a resposta.

Hank Moody do dia

Dear Karen,

If you’re reading this it means I actually worked up the courage to mail it, so good for me. You don’t know me very well but if you get me started I have a tendency to go on and on about how hard the writing is for me. But this, this is the hardest thing I’ve ever had to write.

There’s no easy way to say this so I’ll just say it, I met someone. It was an accident, I wasn’t looking for it, it wasn’t on the make, it was a perfect storm. She said one thing, I said another, next thing I knew, I wanted to spend the rest of my life in the middle of that conversation. Now there’s this feeling in my gut she might be the one. She’s completely nuts in a way that makes me smile, highly neurotic with a great deal of maintenance required, she is you, Karen. That’s the good news.

The bad is I don’t know how to be with you right now. And that scares the **** out of me. Because if I’m not with you right now, I have this feeling that we’ll get lost out there. It’s a big, bad world full of twists and turns. And people have a way of blinking and missing the moment. The moment that could have changed everything. I don’t know what’s going on with us, and I can’t tell you why you should waste the leap of faith on the likes of me, but damn you smell good. Like home. And you make excellent coffee. That’s got to count for something right?

Call me.

Unfaithfully yours,

Hank Moody.

parabéns para mim por estar chorando inifinitamente por dentro há dias.
e parabéns ao roteirista de californication porque… puta merda.

endless highway

“acontece que a gente sente o que quer sentir”, dizia ela atribulada por ter sido posta à prova por conta do cigarro alheio, da fumaça que sequer lhe pertencia. era uma discussão sem sentido algum, aquela. e, além de tudo, doía-lhe profundamente ouvir um “eu não estou te reconhecendo mais” da pessoa que mais amava em sua desprezível existência. coisas assim causam uma confusão monstruosa na cabeça dela. se ela sempre foi a mesma e já não a estão reconhecendo, o que acontece? acontece que não adianta abraçar os problemas alheios e nem tentar ajudar, a menos que você queira um problema também.  foi isso que ela descobriu ali, enquanto ouvia, sem paciência, um sermão sobre tudo o que já estava cansada de saber.

no mais, só tinha consciência de uma coisa: agora era uma ilustre desconhecida — de si e dos outros — e como machucava que fosse assim, engoliu calada o “amanhã conversamos”, virou-se para a parede e tentou dormir com o ódio pesando em seu coração. as palavras “você não é mais a mesma” conseguiam soar mais injustas a cada vez que sua mente as repetia.

para conseguir desligar, cantarolou bem baixinho: you’re gonna walk that endless highway, walk that high-way till you die. all you children goin’ my way, better tell your home-life sweet goodbye.

porque sim, ela era a mesma, e se não confiavam nela assim, significa é que os outros haviam mudado. não de uma maneira boa. better tell your home-life sweet goodbye.

( amô )

— mimimi
— triste?
— só saudade mesmo.  sonhei com você.
— sério? como foi?
— a gente tinha andado pra caramba na augusta. aí achou um lugar engraçado. tipo, tinham umas pessoas sentadas na frente do bar, no chão. era entrada de um pub, sei lá. o pessoal começou a tocar.  DO NADA (não sei de onde tirei) o uke.  PLIM.  você chegou pro garoto e falou “mempresta seu viiolão”,  a gente começou a tocar. só não lembro a música, mas era uma bem felizinha, saca? hahahahaha. você devolveu o violão depois, aí eu encostei no seu colo, deitei lá e falei “Ari, to muito cansada”. você começou a mexer no meu cabelo… aí acordei.

distância, quem curte?

tentei, tentastes, tentamos. talvez habite aí o erro: certas coisas não foram feitas para saírem do plano ideal.

i call it stormy monday

aparecias distante, uma loja de discos vazia, nós dois em seus extremos, cada um procurando aquilo que lhe apeteceria. por alguns momentos eu pensei em ir até onde estavas, mas pensei que tomarias isto como afronta. eu, que passei a vida toda sempre a ir atrás de ti, estava agora com medo do teu fantasma. era tempo de esperar-te vir ou simplesmente esquecer qualquer chance de redenção entre nós. fosse para continuar assim, sequer teria te deixado partir.

olhei minhas mãos: suavam. então voltei os olhos para teu extremo. escuro, nada lá. sumistes assim como sumiram os discos, sem deixar rastro algum. a chuva no vidro enquanto t-bone walker implorava — hey, baby, don’t throw your love on me so strong. assim como fizestes anos antes, nesse mesmo quarto. mirei o espelho, o reflexo à minha frente dizia “vai, acaba logo com isso”. ameacei queimar todos os papeis que de repente surgiram na mesa — todas aquelas cartas de amor que nunca tinha tido coragem de te enviar, agora devidamente envelopadas, endereçadas e seladas. hesitei. sentei à máquina mas não consegui tirar de dentro de mim sequer uma palavra.

desisti até mesmo da destruição instantânea. minha, das cartas, do que fosse. decidi que ia ser muito mais demorado, muito mais devastador. sangrento. olhei hesitante para a mesa cheia de pó, virei uma dose do Jack que deixastes antes de partir, acendi um cigarro, dois, três, muitos. chorei, escrevi, fumei até adormecer. escolhi continuar amando até o fim. a ti, àquele quarto, ao cheiro que deixastes impregnado em cada canto daquele cômodo.

a chuva, a lembrança, a saudade. tudo em mim era um intenso desejo de partir. i call it stormy monday (but tuesday is just as bad). aprendi contigo.

boca seca

dois dias atrás, numa das minhas incontáveis madrugadas insones, compartilhei com alguém: “uma hora eu precisarei desligar, não quero nem ver”. pois bem, eu já imaginava que meu corpo gritaria por socorro, só não pensei que fosse acontecer tão cedo. já fui muito mais forte.

pois foi tiro certo: depois de quatro dias de insônia e dores fortíssimas,  hoje cedi.  uma madrugada difícil e alguns comprimidos de antialérgico me salvaram da noite horrível que tive ontm. caí na cama, cheia de cólica e cansaço. rinite forte.

completamente destruída, passei o dia entre gemidos, largada na cama à espera da minha mãe, que me levaria ao médico.

porque veja: condição alguma de sair sozinha deste jeito.

**

não sei desde que horas estava lá o tal dr. ernesto, nem com que tipo de gente ele já teve de lidar hoje, mas seu humor não era dos melhores. talvez fosse natural, não sei, fato é que preferi respeitar. afinal, ele é o médico e, convenhamos, não faz muito sentido querer dele carinho — contanto que me respeite e faça seu trabalho.

estresse, ele apontou. como apontaria minha mãe, minha vizinha, como apontaria o espelho. “você está vivendo uma vida desgastante demais”, é o que todos dizem. ok, amigos, então não há cura para o meu mal. mas sempre há algum remédio que o amenize.

*

coloco os fones de ouvido enquanto ernesto me guia à enfermaria. morphine pra acalmar, remediar, acompanhar. o que quer que fosse.

***

quando você tem veias difíceis de alcançar, sofre toda vez que precisa tirar sangue ou tomar soro. sei disso desde pequena porque sempre esperei minutos em silêncio enquanto as enfermeiras futucavam meu braço — com os dedos e com as agulhas. pois bem, quando, já com essa dificuldade natural, você alcança os 95kg, torna-se praticamente impossível encontrar veia, de modo que, dez minutos depois de tentativas falhas, a enfermeira pergunta se pode furar sua mão.

apenas para sua informação: furar a mão doi. no dia seguinte, o local do furo está preto e inchado.
tomar soro pela mão é uma grande merda.

mas ali não havia opção. qualquer coisa é aceitável para alguém que está há quatro dias sofrendo de cólicas incessantes.

****

“a sua boca vai ficar seca e a visão turva”, essa é a última coisa que você a ouve falar. então sente o algodão com álcool na mão. como se fosse um carinho. em seguida, a picada.

a metáfora da minha vida: o carinho seguido da dor.

morphine está explodindo os fones de ouvido com bo’s veranda. “eu preciso me equilibrar”, é o único pensamento, “não posso mais ficar doente por estresse, sobrecarga ou cansaço. mas também não posso deixar de fazer nada do que faço hoje”. as palavras demoram para se agrupar. um pensamento simples leva minutos. tudo passa em câmera lenta. honey white. a senhora ao lado com uma crise alérgica, a mão já cor de canela contrastando com seu corpo pálido e magro. swing it low.

***

no caminho de volta pra casa, a chuva,  misturada com a embriaguez similar a das últimas sete caipirinhas (só que sem caipirinha alguma) traz certa melancolia. kerouac, a imagem do último role model destruído.

saudades dos quinze anos, mas eles já passaram, e, bom, foram uma merda. não vale a pena.

e eu sou tão feliz, porra, tudo é tão bom. mas nem tudo parece em seu devido lugar.

**

“você é tão negativa que às vezes até IRRITA”, ele disse ontem na mesa do jantar. engoli. compreendi.

e então resolvi assumir que Guimarães Rosa está certo (obrigadas e mais obrigadas, aldurin, pela lembrança).

“A gente vive repetido, o repetido, e, escorregável, num mim minuto, já está empurrado noutro galho. Acertasse eu com o que depois sabendo fiquei, para de lá de tantos assombros… Um está sempre no escuro, só no último derradeiro é que clareiam a sala. Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. Mesmo fui muito tolo! Hoje em dia, não me queixo de
nenhuma coisa. Não tiro sombras dos buracos. Mas, também, não há jeito de me baixar em remorso. Sim, que só duma coisa. E dessa, mesma, o que tenho é medo. Enquanto se tem medo, eu acho até que o bom remorso não se pode criar, não é possível.”

*

a travessia.

e agora eu vou, que amanhã é sempre um novo dia.