meu coma pessoal

—  Então qual é o sentido de pintar uma coisa que você não ama?
O que ela amava, disse Misty a ele, nunca iria vender. As pessoas não iam comprar.
E Peter disse:
—  Talvez você se surpreenda.

Esta era a teoria da expressão pessoal de Peter. O paradoxo de ser um artista profissional. Como passamos nossa vida tentando nos expressar bem, mas não temos nada a dizer. Queremos que a criatividade seja um sistema de causa e efeito. Resultados. Produto vendável. Queremos que dedicação e disciplina se igualem a reconhecimento e recompensa. Ingressamos em nosso moinho da escola de belas-artes, nosso programa de mestrado em artes, e praticamos, praticamos, praticamos. Com todas as nossas excelentes habilidades, nada temos de especial para documentar. De acordo com Peter, nada nos irrita mais do que um viciado em drogas chapado, um vagabundo ou um pervertido choramingas criando uma obra-prima. Como que por acidente.
Um idiota que não tem medo de dizer o que realmente ama.

Um dos infinitos tapas na cara que Misty Kleinman distribui em Diário, de Chuck Palahniuk.
aliás: Misty Kleinman poderia, facilmente, ser eu. Ou vice versa.

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