all we need

Just a little patience.

(saudades de tocar guns na neguinha. saudades de tocar na neguinha.)

21: all I want is all YOU got

***

“Você só tem que arrumar um homem de verdade, guria”, ele disse. “Como se fosse fácil”, pensei. E ele leu nos meus olhos. “Não é fácil, mas é tudo o que você precisa”, continuou. Precisei de muita fibra para ignorar a vontade de dizer que ele era um dos poucos “homens de verdade” que eu conhecia (e que, sabendo que não podíamos estar juntos, seu comentário apenas intensificava ainda mais meu estado de desconsolo). Por sorte, o caixa ficou livre e era a nossa vez de pagar a conta. Fim do horário de almoço.

***

só de saber que havia alguém como eu, era como se nunca tivesse vivido só.

***

(Nunca sabemos os motivos reais. De repente estamos lá, sem palavras, pensando repetidas vezes na mesma pessoa, em uma ou diversas situações. Quem me dera houvesse poder de decisão. Quer dizer, há um momento, por muitas vezes sutil, em que decidimos sentir ou não. Eu passei por ele dizendo “sim, eu quero”, iludida por mim mesma.)

***

_ Agora falei como se fosse uma cafajeste. Não é bem assim. Enfim, tenho problemas com homens, mulheres, animais, com o UNIVERSO.

_ Todo mundo tem, tu só és boa em reconhecê-los. Falta ainda resolvê-los, mas há de chegar o momento certo.

_ Isso de “momento certo” me consome desde o nascimento. Tudo sempre vem acompanhado de “na hora certa…”. É quase que um argumento para a derrota.

_ É um argumento para a paz. Há coisas que não se tem como resolver sem que seja no momento certo. Não que momento certo seja algo mágico e realmente existente, é mais como uma junção de fatores que nos aju-dam a resolver as coisas. E também não é questão de esperá-los, porque eles não funcionam de forma linear, te esperando daqui a quatro dias ou cinco meses. O tempo é totalmente dissolúvel e não se prende em meras amarras cotidianas com horas e dias. Esperar o momento certo é fazer o que tem que ser feito quando é hora. Não é pra ser um script. É pra ser o contrário disso. É parar de sentir algo. Ou começar. E isso não se quantifica nem cataloga. Desista.

_ Eu sei, eu sei, eu sei.

(Liguei na repetição mental: eu sei.)

***

Houve um vazio. Não comunicacional, existencial. Certamente algo que já estava lá e que só depois de ter provado me dei conta. Eu não queria e nunca quis ficar sozinha. O problema é que, tendo dentro de mim multidões nada democráticas ou pacíficas, acabo caindo em contradição o tempo todo. Uma parte de mim quer deixar tudo como está, mesa posta, solidão, cada coisa em seu devido lugar. Outra quer bagunça, descontrole, aproveitar todas as companhias que aparecerem pela frente. Há ainda uma outra que gosta de sangue, dor, sofrimento, desilusões… E por que não haveria aquela que sonha com o príncipe encantado, o amor eterno e correspondido, o final feliz? Às vezes elas vivem harmoniosamente, mas, em geral, estão em eterna guerra.

imaginary movie #1: a carta que eu não enviei

ou: vinte e um justificado

em algum buraco no continuum tempo-espaço ou entre o “estás certo” e o “podes confiar em mim”, eu me perdi. e por “me perdi”, entenda: concordei e fui tua CÚMPLICE, sim, como previsto. não menti quando disse que o faria. mas em momento algum fiz isto ou aquilo porque fostes minimamente convincente ou coerente. se te protegi e te entreguei tudo o que me pedistes, foi simplesmente porque lá, desde o início, mesmo antes que eu mesma soubesse, já te amava. e foi difícil entender que isso era amor. foi difícil aceitar que todo o UNIVERSO que criei para me defender de eventuais interesses, carinhos e paixões irremediáveis havia falhado novamente exatamente com a ÚLTIMA pessoa por quem poderia nutrir algo do gênero. é esse meu gosto pelo PROIBIDO, só pode ser. pelo proibido e pelo incorreto, o imperfeito, o ilusoriamente IRRECUPERÁVEL (ilusória porque, no sentido aqui posto, quase tudo se pode recuperar).

enquanto outros buscam PERFEIÇÃO e idealizam pessoas sem defeitos, eu busco FALHAS. entrego sempre um pedaço ainda maior de mim a cada novo desvio que encontro em ti (talvez porque te sinta mais humano, mais próximo de mim), talvez porque saiba que não será surpresa nenhuma quando tudo der errado, quando um dos dois destruir tudo, quando mais um pra sempre chegar ao FIM. e no teu caso, embora a situação tenha vindo de um modo muito novo, muito estranho, ÓDIO e ÂNSIA, um desejo intenso de que não fosse nada, um nó na garganta IRREPARÁVEL toda vez que pensava em dizer a ti ou a qualquer outra pessoa a respeito de como estava me sentindo, depois de superar as lágrimas e nós, tive de ouvir (dos poucos amigos com quem compartilhei algo a respeito de nós) que todo esse meu bloqueio e angústia, e toda essa minha história de “eu não sei o que é isso, nunca senti nada parecido”, essa NECESSIDADE de repetir que não estava apaixonada, tudo isso era amor. AMOR, essa palavra que eu evito até mesmo REPETIR só por medo de validá-la (e desde quando sou capaz de dizer se um amor é válido ou não?).

amor, o nome dessa LOUCURA. dizer que sempre quis poder cuidar de ti, ver teu sorriso de menino (são poucos os momentos em que, ao olhar nos teus olhos negros e brilhantes, vê-se uma criança), fazer bem qualquer coisa que te agrade, só para poder ouvir tua voz contando a alguém, como faziam os meninos na pré-escola ao ganharem um brinquedo novo. eventualmente quis dividir espaço, alegrias, tristezas, alguma INTIMIDADE. além de minha vontade suprema: continuar a APRENDER contigo e, por tua causa, sempre, melhorar. saber cada vez mais. esse teu jeito único de me fazer sentir tão inteligente e tão vazia, tão carente de conhecimento, me impulsionou a descobrir muita coisa em pouco tempo. vês: sempre quis entender o DESAPEGO, ser capaz de praticá-lo. mas foi só quando te conheci que realmente senti que era a hora de começar. graças a palavras tuas vivi em seis meses mais do que havia vivido em dezenove anos — e não fazes a menor ideia disso.

um dia, porque teus olhos nos meus disseram que eu era ali a única pessoa na face da terra, eu me perdi. ali, numa das poucas vezes em que achei que realmente sabia e entendia algo — porque era contigo que falava a respeito de TUDO e NADA como se fossem a mesma coisa.

DEVOREI livros, tropecei em experiências, idas e vindas,  não foram só desejos. ouvi álbuns e álbuns que antes não me faziam sentido nenhum e COMPREENDI, mesmo que de forma errada, vários deles. da minha maneira, como tudo até então. minha maneira velha conhecida nossa, em que a transformação de femme fatale para menininha carente e assustada se dá AUTOMATICAMENTE, sem aviso, e em apenas alguns segundos.  foi assim que, em algum momento entre o acordo de BRINCADEIRA que fizestes questão de simular sério e as PROMESSAS de ambos de que tudo aquilo iria bem, em algum momento entre o nosso beijo estranho e sem encaixe e o abraço que me destes no escuro do quarto, eu me perdi. eu entreguei os pontos e o sentimento tomou conta. mas não foi de todo mal, não. depois que aceitei essa condição, que encontrei finalmente a definição para aquilo que por dias e dias fez-me isolar e calar e SUCUMBIR a uma enorme tristeza aparentemente sem razão, pude finalmente ficar em PAZ. feliz porque estás bem, feliz porque sei que há solução. mesmo quando a única solução possível é o TEMPO, que leva e põe no lugar todas as coisas.

mas não é o fim, ainda. antes de tudo, preciso dizer, ao menos uma vez e sem medo algum: EU TE AMO. de uma forma engraçada, sublime, desinteressada, fraternal. eu te amo sem querer nada em troca, satisfazendo-me apenas em poder assistir, por assim dizer, a cada novo riso teu. sem te conhecer, sem ser conhecida por ti.

eu te amo como nunca antes amei ninguém e como provavelmente nenhum outro homem será amado. e, ao mesmo tempo, eu tenho a mais absoluta certeza de que nunca te amei. porque sentimentos são assim, indiscutivelmente únicos.  inefáveis.

meu coma pessoal

—  Então qual é o sentido de pintar uma coisa que você não ama?
O que ela amava, disse Misty a ele, nunca iria vender. As pessoas não iam comprar.
E Peter disse:
—  Talvez você se surpreenda.

Esta era a teoria da expressão pessoal de Peter. O paradoxo de ser um artista profissional. Como passamos nossa vida tentando nos expressar bem, mas não temos nada a dizer. Queremos que a criatividade seja um sistema de causa e efeito. Resultados. Produto vendável. Queremos que dedicação e disciplina se igualem a reconhecimento e recompensa. Ingressamos em nosso moinho da escola de belas-artes, nosso programa de mestrado em artes, e praticamos, praticamos, praticamos. Com todas as nossas excelentes habilidades, nada temos de especial para documentar. De acordo com Peter, nada nos irrita mais do que um viciado em drogas chapado, um vagabundo ou um pervertido choramingas criando uma obra-prima. Como que por acidente.
Um idiota que não tem medo de dizer o que realmente ama.

Um dos infinitos tapas na cara que Misty Kleinman distribui em Diário, de Chuck Palahniuk.
aliás: Misty Kleinman poderia, facilmente, ser eu. Ou vice versa.

all you need is a delivery

Daí que eu ligo pro restaurante pra pedir meu café da manhã. (Reparem que ainda não são nem oito horas)

— Básico.
— Bom dia. É a Ariane da Polvora!.
— Bom dia! =)
— Eu queria, por favor… Um pão na chapa, uma salada de frutas e um suco de laranja.
— Um pão na chapa, uma salada de frutas e um suco de laranja?
— Isso.
— Só isso?!
— (…) *meio minuto de silêncio*  só.
— Beeeeijo!

Sério, gente, SÓ ISSO? Isso é pergunta que se faça pra mim a essa hora?
CLARO QUE NÃO É SÓ ISSO, Ventura! Eu quero também um moreno alto, forte, inteligente e que me ame como ninguém nunca o fez. Ou pelo menos finja bem. Quero também o notebook que eu esqueci em casa hoje e sem o qual fazer a prova de legislação será uma tortura. Se possível, quero terminar de escrever tudo o que deixei incompleto nos últimos dias. E um salário maior. E terminar a faculdade. E umas três ou quatro objetivas novas. Só isso.

AH, EU QUERO PRA JÁ.

Dá licença que a enxaqueca dos últimos dias fritou o que restava dos meus poucos miolos. Qualquer dia saio ligando nos deliverys da vida e pedindo tudo que eu preciso. Quem sabe algum me resolve os problemas?

Tá, a pergunta dele não teve nada demais, mesmo com o tom de deboche. É só que eu tô sensível. Remédios, TPM, inferno astral… Querem saber? Tou ali trabalhando, qualquer coisa me chamem.

Quanto pesa seu amor?

No auge dos meus 18 anos, primeiro período da faculdade, surgiu um guri se dizendo apaixonado. Veterano, caladinho, romântico, falou que eu era especial, fez o fofo, criou todo um discurso de que não queria só “ficar”… Primeiro achei meio patetão. Depois babei. Não era bonito, mas quem repara nisso? Ele tinha as características dos sonhos de qualquer mulher! Acontece que, logo depois do nosso PRIMEIRO BEIJO (sim, PRIMEIRO), bateu uma crise de sinceridade no pobrezinho. Sim, ele disse que foi só sincero.  E eu é que paguei o pato:

— Só tem uma coisa…
— O que foi?
— É que assim, Ariane… Você até é bonita, mas é gorda. E, sabe, meus amigos podem zoar, rir, fazer piadas…
— …
— Não, você é linda. Não se preocupe. Mas é que eu vou ter que me esforçar e tal.  E te defender (…insira aqui um blablabla e uma bullshitagem a respeito de como ele sofreria me defendendo dos amigos, ó como ele era bondoso por estar com a gorda mesmo havendo piadas!)

Seguinte, eu nem lembro o que foi que ele falou depois. Entrei em transe. Juro. Fiquei MUDA. SEM REAÇÃO. Do tipo alô-garoto-tá-zoando-a-minha-cara? Porque eu não estava lidando com um moleque de 12 anos, gente. Era um homem feito, já. Deselegante. Não surtei nem nada, só que  nunca mais deixei ele encostar em mim nem pra dar oi. Assim, sutilmente. Peguei nojinho.

É claro que foi uma reação exagerada, mas vejam bem: eu era na minha. Sempre tive problemas de autoestima. *Detalhe: Na ocasião eu pesava quase 20 kg a menos do que eu peso hoje.* Daí um filho da mãe vem me dizer que eu vou ser um problema logo depois de se declarar? NÃO FODE! Até porque, nessa época eu era praticamente BV (não riam): tinha beijado um garoto aos 15 anos e nunca mais. E, desculpem, se tem uma coisa que eu tenho em mente a vida toda é que, no dia em que eu estiver com alguém, vai ser uma pessoa que me aceite como eu sou. Vai ver é por isso que cheguei aos vinte e ainda estou sozinha.

**

PROMOÇÃO 😀

Eu sei que já contei essa história aqui uma vez, mesmo que de forma sutil.  Daí, como essa semana fui convidada a assistir a peça Gorda, de Neil Labute, o assunto acabou por voltar à memória — e onde é que eu lanço angústias quando a coisa aperta? No blog, né. =P

Gorda conta a história de Tony,  um executivo bem-sucedido que se apaixona perdidamente por Helena, uma mulher inteligente, de bem com a vida e… Acima do peso. A partir daí, ambos são obrigados a encarar o preconceito de seus amigos, que representam nossa sociedade obcecada com a imagem. Estrelada por Fabiana Karla (é, poooooode!) e  Michel Bercovitch, a comédia dramática foi sucesso de público e crítica nos Estados Unidos,  Europa e América Latina. E, pra minha alegria, semana que vem estreia a temporada no Teatro Procópio Ferreira, ali na Augusta. Pra minha alegria porque eu sempre quis saber como outras pessoas lidariam com situações feito a minha, mesmo que fosse só na ficção. E agora terei a chance. =)

A novidade é que não sou só eu quem vai poder ver Gorda logo na estreia. Ganhei também três pares de ingressos pra sortear entre vocês, que acompanham minhas desventuras nos blogs e nos twitters. Então, bonitos de São Paulo que quiserem ver a peça no dia 14 de março às 19 horas, corram pra participar. 🙂

Como eu não tenho PACIÊNCIA NENHUMA pra promoções de RT, mas também não tenho tempo pra fazer algo mais elaborado, as regras são simples: Basta twittar a resposta para “QUANTO PESA SEU AMOR?” colocando no final o link http://migre.me/ncKC. Serão aceitas respostas até sexta-feira, às 18h.

Não precisa mergulhar no dramalhão mexicano não! Aceito links, números, imagens, posts, frases, músicas, piadinhas… O que vale é participar. Caso role bastante coisa bacana, posto os melhores tweets aqui depois. 🙂

Quem quiser participar comentando no blog, ok também. 🙂

Não esqueçam de me seguir no twitter pra que eu possa combinar tudo via DM após o sorteio, hein?

ATENÇÃO: NÃO ESQUEÇAM DE COLOCAR A URL http://migre.me/ncKC NO FINAL DO TWEET. É por ela que farei o sorteio. 😉

Qualquer dúvida, comentários são serventia da casa.

Aqueeele beijo!

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GORDA

Texto: Neil LaBute
Direção: Daniel Veronese
Elenco: Fabiana Karla (Helena), Michel Bercovitch (Tony), Mouhamed Harchouf (Caco) e Flávia Rubim (Joana)

Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823
Estreia dia 12 de março de 2010
De sexta à domingo

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Update: O sorteio

Bom, tirando os nomes que não são de São Paulo e as repetições, temos a seguinte planilha:

Agora, passadinha no RANDOM.ORG:

Parabéns pra @nanda_nogueira, @primassuda e @trotta! Entro em contato com vocês para avisar sobre a peça no domingo!

Obrigada a todo mundo que participou – especialmente quem era de fora! Amanhã coloco os resultados aqui. 🙂

Update 2:

O Trotta vai viajar no domingo e não pode ir à peça. Por isso, RANDOM.ORG de novo 🙂

O 13 é a @Jacquelinerosa. Então ENJOY, Jacque! =D

(repete eternamente)

I know how it goes,
So I just had to let you know I know

My life’s been stinking, my heart’s been shrinking,
And I’m too busy thinking to stop
I blink and you’re gone

Should’ve been in love
We should’ve been in love
We should’ve been in love

should’ve been in love, wilco.
ou: resumo da minha vida

[sem tempo nem pra botar pra fora o que está me consumindo]

Chave

E daí que eu estava sonhando com um dos meu mil causos de amor platônico e, no meio de um diálogo entre os dois, disse uma frase qualquer. Só que a frase qualquer surtiu um efeito estranho, do gênero COMO NÃO PENSEI NISSO ANTES e, do nada, eu acordei repetindo-a e procurando com as mãos um papel e uma caneta para anotar, como se fosse a solução de todos os meus problemas recentes. Até aí, normal. Acontece sempre. Quase derrubei o notebook que fica na cabeceira da cama tentando pegar o moleskine que deixo ali exatamente para situações como essa. Pensei “porra, já escrevi coisa muito melhor. já pensei coisa muito melhor e deixei passar”, parei de tatear o universo, fechei os olhos e voltei a dormir. Voltei a dormir? QUEM ME DERA. A frase começou a se repetir ad infinitum na minha mente. Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece. Uma coisa meio neurótica, até, porque vejam bem, gente, não era O SEGREDO DO UNIVERSO, era só um devaneio-discussão-de-relacionamento. Digamos que eu NÃO DORMI MAIS. Fiquei num estado transitório ali entre sonho e realidade em que eu falava a mesma coisa o tempo todo. Para mim. Para os meus pais. Para os caras por quem sofri. Para os caras por quem sofrerei. Para aqueles com quem eu fiquei só pra ver como era. Extremamente bizarro. Horas e horas assim.

Às cinco, quando levantei para ir trabalhar, finalmente anotei a tal da fala no moleskine. Coloquei ele de volta na cama. Pensei bem, arranquei a página com a anotação e coloquei na bolsa. Vai saber, né? Depois eu deixo a anotação em casa e a frase me atormenta pelo resto do dia, deusmelivre. Não ando muito certa das coisas, mesmo.

No caminho, olhando com atenção, entendi a reação (exagerada) da minha cabeça. É exatamente o gancho que eu precisava para terminar um livretinho que não consigo parar de revisar há um mês. O que me mata é que (além de ser simples) ela é só um elemento pequenino num universo de frases e clichês e discussões mal sucedidas e relacionamentos platônicos e conturbados. Quer dizer, uma noite de sono se foi e é capaz que (supondo que alguém além de mim leia o livreto) ninguém nunca enxergue tudo o que há ali. Pior (e mais plausível ainda): é capaz que entendam tudo completamente às avessas.

Se bem que é por isso que eu amo tanto a literatura.

E aqui vem a ênfase: amo CONSUMIR, não PRODUZIR — — se é que esses são termos cabíveis, rola toda uma reflexão que eu não vou fazer agora — literatura. Até mesmo porque eu já cheguei a conclusão de que não sei criar, eu vivo. Imaginação aqui, não trabalhamos. Mas não vou chorar minhas pitangas por não ter nascido genial como os caras que admiro desde criança. Não agora. Eu só precisava deixar constar aqui que ando mais desequilibrada que o normal.

(E que finalmente eu entendi o que faltava do último universo que construí, bora partir pra um outro!)