looking for trouble

eu vou explicar pra vocês o meu problema: eu busco motivos para surtar o tempo todo.

vejam bem: tenho sentido vontade de uma daquelas paixões incontroláveis, do tipo que faz as pessoas cometerem loucuras nos lugares mais imprevisíveis e nas horas mais impróprias. em que tudo é proibido e nada respeitado. sinto vontade, só. no meio da empresa, atolada de coisas para fazer. quédizê, tentar sentir qualquer coisa não é uma opção, então eu sento e espero passar. sei que é possível ignorar esse tipo de coisa ao todo. todo sentimental é um cínico, aprendi com Oscar Wilde. e o meu cinismo tem servido de alimento à minha loucura.

eu reclamava todos os dias por não conseguir esquecer alguém, por estar sofrendo and all that jazz. hoje meu problema todo é não estar apaixonada. não ter nada que acelere meu coração por motivo algum. é. ninguém a quem eu possa atribuir a culpa por minhas angústias  sem sentido (sim, elas existem, esteja eu apaixonada ou não) e que eu deseje o tempo todo por perto pra abraçar, beijar, sentir falta do sabor dos lábios nos meus. cínica.  não nego minha alma nem minhas lágrimas, mas não nego também que tudo é fruto de minhas próprias buscas (e da minha carência exagerada).

outra sexta eu li o never date a writer, um verdadeiro tapa na minha face sem cor. começou me fazendo sentir culpada (eu já fui a escritora, a destruidora de reputações, a sem-coração que fez com que um qualquer lembrasse de coisas que provavelmente não fez), depois amedrontada. eu me apaixono por escritores todos os dias. um atrás do outro. sempre sem motivo algum. sempre enlouquecendo a mim e aos outros. divaguei com um amigo — escritor, vejam só — a respeito e, como era previsto, não chegamos a lugar algum. não há lugar algum a que cheguemos. nada faz sentido.

eu enxergo sempre os buracos em que vou me metendo. a verdade única e exclusiva é a de que estou sempre atrás de problemas. de confusão. eu sempre quero o mais difícil, o mais errado, o mais confuso. sempre me envolvo nas relações mais problemáticas [e assustadoras, e engraçadas, e patéticas, tudo ao mesmo tempo].

e se eu não o fizer, minha vida não tem graça nenhuma. por exemplo, como agora.

porque se tudo dá certo sempre sobra um vazio tão chato e uma ideia de que tudo podia ser bem melhor


vai entender: ontem eu mataria pra estar assim, livre. hoje eu queria MUITO conseguir estar apaixonada.
(tudo bem, um dia eu paro de agir feito uma adolescente. por enquanto tá até bem legal.)



alguém me dá um tapa na cara e me ajuda a achar logo um homem de verdade que mate essa carência (de problemas e de carinho e de aventuras)?

10 comentários em “looking for trouble”

  1. Quem está nesse dilema só vai achar o cara quando a carência não for o principal motor das suas impressões e ações, já que a gente não deve viver “disso”, e sim “com isso” – existe uma diferença imensa.
    Antes que me xingue, é uma conclusão dura mas real, advinda de experiência pessoal empírica.
    PS – Seu cara não estará entre os que leram este post.

  2. Indiana Jones?

    😛

    Gata, deixa acontecer. Juro. Teoria minha comprovadíssima em 21 anos de pesquisa: as coisas acontecem quando não estamos loucas por obtê-las, mas serenamente interessadas e abertas (ui) a elas. Foi assim com quase, quase tudo que eu tive e tenho até agora.

    E não me arrrrependo!

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