sms

escrevi no metrô um post sobre como acho que há uma atitude desesperada por trás de cada sms. isso foi na terça-feira, no caminho de volta do trabalho. fluiu o texto, rápido. conclusivo. ao chegar em casa, descobri que a pessoa que mais me mandava esse tipo de sms desesperada havia morrido há algumas horas, num acidente de carro. chuva forte, estrada escura, celular, uma carreta. enfim, aconteceu.

e eu assim, muda, em choque, sentei. de repente, a certeza era de que andava tão desesperada quanto ela.

tantas tristezas por conta de mensagens que não respondi… e uma dor incontrolável por não ter a quem enviá-las agora. a única pessoa que gostaria de receber algo meu se foi enquanto eu pensava precisar achar alguém.

os últimos meses têm sido, sem dúvida alguma, os mais estranhos da minha vida.

mas eu tô adorando o fato de prever as bizarrices e pagar pra ver até onde elas conseguem ir.

it’s back

2010 começou à toda para mim. planejei um novo modo de edição do site, pra tentar movimentar a equipe [e a página, obviamente].

“ah, hora de criar uma coluna nova!”. entrei em contato com pessoas sensacionais. pedi ajuda, lancei o desafio. esquematizei tudo. combinei um prazo de entrega bacana.

daí hoje, de sopetão, recebi um dos textos. inesperado. bateu com raciocínios do ano todo, coração apertado. um email, dois links e meio livro:  sensação única de WOW. ENCONTREI AS PALAVRAS. pior: o êxtase é tanto que não sei o que fazer com elas.

no mais, amanhã começa a coluna e logo logo saberão do que eu estou falando.

think I’m allowed to relax.

sobre a minha ausência

[a todos que eventualmente passem pela minha vida nesse momento]


desculpa. desculpa se eu insisto em tocar em determinados assuntos, remoer o passado, questionar existências. se sou sentimental demais, intensa demais, impulsiva demais, fiel demais, romântica demais… desculpa.

estou passando por um período complicado de transição em que, querendo tudo, não quero nada. não tenho mais um amor pelo qual sofro dia após dia e tampouco estou desesperada por algo assim. mas também quero um colo pra descansar a cabeça. estou feliz, inegavelmente feliz – e toda a angústia proveniente da minha felicidade sem razão aparente, hoje tenho preferido guardar pra mim. mais do que nunca, meus conflitos são exclusivamente internos.

então desculpa. desculpa porque hoje, caso eu pise na bola, eu provavelmente não seja capaz de explicar o porquê. e é exatamente isso que tem tornado meus dias tão prazerosos: fazer o que sempre quis, e pensar só depois. mesmo que, eventualmente, machuqye a mim ou a alguém.

o juízo? deixei pra recuperar mais tarde.

moving on

não é questão de não saber ficar sozinha, sabe? porque eu lido até muito bem com a solidão. é só que ela às vezes é incômoda: é egoísmo, mas quero à minha disposição alguém com quem tenha intimidade e desejo. qualquer coisa de simples [TESÃO, que seja], mútua,  verdadeira, para suprir minha carência.  e eu ando carente o tempo todo. [ok, não o tempo todo, mas diversas vezes.] e é ruim não ter a quem recorrer, seja pra trocar duas palavras, seja pra rolar na cama, seja pra beber um pouco ou dividir a fumaça de um cigarro. recorrer só a mim mesma, a lembranças e desejos, tem me tornado fria. quero corpos, suor, sorrisos e lágrimas, tentações. eu quero ousar, ter prazer, dar prazer, e quero viver o que posso AGORA. amanhã é outro dia.

mas tudo o que tenho agora são delírios solitários de vontade.

[e, talvez por conta de madrugadas insones & solitárias como as de hoje,  me vejo obrigada a admitir, mesmo que bem baixinho: “eu não me basto”.]

certeza: começou 2010.