O futuro do livro: ele não vai acabar

futuro_livro

Há exatamente um mês estive no Intercon 2009. Desde então, não tive tempo de sentar para escrever para o blog (não da maneira como gostaria), mas sentia uma vontade louca de fazê-lo. Acontece que participei de vários painéis, mas só um me impressionou o suficiente para falar a respeito. Calma, foi tudo muito bom – é que o Juliano Spyer foi direto na minha ferida. E aí, obviamente, marcou mais em relação ao resto do evento. Pois bem, aí vão, tardias – mas não irrelevantes – anotações sobre o painel “O futuro do livro”.

Pois bem, nos últimos tempos tem-se falado muito sobre o futuro da música com o advento da internet, leis de copyright, direitos de uso, enfim, chega até a ser chato o constante uso de “futuro disso”, “futuro daquilo”, afinal, não somos nem seremos nunca profetas (imagino). O que acontece é que, da mesma forma que a música, a literatura é cercada de variadas leis de direitos autorais e, no entanto, parece que o assunto tem sido evitado pela maioria das pessoas – inclusive das mais interessadas. Basta imaginar que, se antes da internet e da digitalização e disseminação de arquivos já existia o compartilhamento de cópias e fragmentos (sobre o qual, de certa forma, ainda é possível um controle maior que o online), imaginem hoje. Para as empresas, fica difícil conter a reprodução de obras, tanto no meio online quanto no offline.

Quer dizer: o mercado editorial, em breve, embora não se torne obsoleto, mudará bastante. Não me apeguei aqui às considerações sobre novas plataformas de leitura (Kindle, celulares e ebook readers), mas ao exemplo do Google Books, que em outubro de 2008 já tinha 7 milhões de livros buscáveis, dando na indústria do livro um chacoalhão: não são apenas pdfs jogados na rede, são informações indexadas e rastreadas na search do Google, enriquecendo pesquisas. O site disponibiliza desde obras em domínio público até conteúdo parcial de copyright, graças a uma parceria com as editoras. Em pouco tempo, será uma livraria virtual riquíssima tanto em conteúdo quanto em público, afinal, nada mais desejável que o possível cruzamento de referências e o turismo entre obras literárias que este proporciona, não? Confesso que, até mesmo eu, conservadora e apaixonada pelo gostinho de abrir o impresso, folheá-lo, usar e abusar do grifatexto e das anotações (eu, Ariane, confesso: os livros são o pouco que ainda me prende ao universo analógico), estou empolgada com esse desenvolvimento digital.

Além disso, segundo Spyer, escrever demanda mais que talento, demanda estímulo. Afinal, se para a produção literária precisamos de um grande espaço de tempo, o lucro em função destes escritos é pequeno. A título de exemplo, Juliano mencionou o processo de criação de dois de seus livros: Conectado e Para entender a internet. O primeiro, embora tenha demandado muitos meses para o processo de apuração, escrita, edição e publicação, rendeu ao autor a venda de 3000 exemplares em dois anos. O segundo, feito no período da Campus Party 2009 e editado na semana seguinte, rendeu-lhe 3000 downloads em 5 dias. Por isso, hoje tem-se investido especialmente em projetos online, em que leva-se em consideração o capital social dos autores e o poder que estes têm de escrever sobre aquilo que se sabe em poucas palavras. É o poder do boca-a-boca, a facilidade de coordenação do projeto e o número ilimitado de cópias contra  invstimentos absurdos de tempo, dinheiro em marketing e produção e ainda a busca pela aceitação de uma editora que tem feito com que, além de sites como o Google Books e lojas de ebooks, que proporcionam aos leitores uma experiência incrível [o custo de livros é menor e você não precisa de espaço físico – podendo criar um estoque infinito], cresça mundialmente também a publicação sob demanda, em que, economizando-se no valor da impressão, pode-se imprimir apenas os livros que forem comprados, facilitando assim a edição e o lançamento de obras. Atualmente, pode-se citar como exemplo em destaque dessa categoria o nacional Clube dos Autores.

Há também editoras apostando no uso de novos formatos de venda. A Zahar, por exemplo, de olho em estudiosos e pesquisadores que, vira e mexe, necessitam de trechos de livros e acabam recorrendo à Xerox dos mesmos (hoje, cheia de restrições legais), vende fragmentos literários: interesse de ambas as partes saciado. Caminhos que cada vez mais serão buscados por aqueles que não querem ficar no prejuízo.

Infelizmente, abordei apenas o que me interessou de pronto na palestra – além de ter perdido grande parte das minhas próprias considerações só porque demorei a escrever a respeito. Há ainda muito mais a aprofundar – geração Kindle, popularização de ebook readers, polêmica do custeamento de direitos autorais… Enfim, para quem tiver interesse, há nesse link a apresentação utilizada por Spyer, com referências interessantes para pesquisa. Esse post foi mais um apanhado de informações/resumo. Assim que eu estiver oficialmente de férias, discorrerei mais sobre o assunto, devidamente informada. 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *