sunday morning

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acordou: não sabia como, mas estava ali. e já era tarde. o quarto desconhecido, nenhuma roupa no corpo, uma estranha dormindo calma na cama ao lado. “o que estou fazendo aqui? como vou me vestir?”. [mas ali já era tarde.] lembrou-se da madrugada, das tequilas, das amigas, do desabafo na chuva, certa sedução e alguns excessos. então lhe veio a imagem do táxi, e pareceu muito clara a maneira como tinha ido parar naquele beliche, apenas com as roupas de baixo. sentiu um prazer de leve [coisa de quem jamais acreditou em si o suficiente para imaginar essa situação].

olhou para o quarto, localizou a meia arrastão rasgada num canto escuro, embolada em sua saia e camiseta surradas. desceu devagar, sem fazer barulho, e vestiu-se mais rápido que nunca. já ia saindo fugida do cômodo quando o olhar cruzou o da outra, na cama debaixo. fez um gesto como quem pedia silêncio [a desconhecida podia acordar], saiu e deitou-se no sofá, ainda tonta do efeito sal-limão. a dona do olhar seguiu-a com suas carnes fartas no minúsculo pijama de seda e sentou-se ao seu lado. sorria. o constrangimento incomodava as duas de leve, mas não chegou a atrapalhar. contaram histórias. segredos. relembraram a noite, o tesão, o desespero.  cigarros espalhados sobre a mesa. de repente, riam. de repente [de novo], clima. tocaram-se, devagar: beijos doces. um barulho. o medo afastou-as de novo. “preciso ir embora”, disse a dona das meias, sem jeito. “coragem”, respondeu afobada a menina do pijama de seda. sorriram. beijaram-se mais uma vez.

e, desde então, fingiram que nunca havia acontecido nada.

4 comentários em “sunday morning”

  1. tomei coragem pra comentar…mas não é nada relevante…
    nunca comentei pq não acho meus comentários o suficiente bons e mal eu consigo me expressar como vc, adimiro muuito vc, por tudo e nem sei direito o pq…
    viu..nada de muito relevante, pode até apagar esse comentário, me impressiono cada vez mais quando vejo seu blog, de como vc se abre e coloca seus pensamentos e angustias.
    coisa q jamais consegui fazer, mesmo querendo muito..
    bjos de alguém q não te conhece pessoalmente mas te adimira pencas. – isso pareceu aqueles psicopatas perseguidores O.O

    Ariane: Duda, fico feliz que goste daqui, e olha, vou confessar uma coisa: o fato de eu conseguir me abrir e colocar meus pensamentos e angústias pra fora não é necessariamente bom, viu? Vira e mexe eu arrumo cada problema por conta disso… haha! Já desejei muito conseguir não dizer nada. :~
    Enfim, não tenha medo de comentar mais vezes! Toda interação aqui é válida, não existe isso de comentário suficientemente bom! 😛
    Beijinho

  2. ja venho acompanhando seu site ja faz um tempo
    adoro ler o que vc coloca aqui
    mais esse agora fez lembrar de mim mesmo
    por isso que comentei
    porque sinceramente…adorei

    um abraço

    Ariane: Oi, Souza!
    Não é incrível quando se acha alguém que sente o mesmo que a gente? Eu adoro.
    Ficou feliz que goste daqui. Volte sempre 🙂
    Abraço

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