adeus,

é isso: 30 de dezembro de 2009.

eu poderia dizer que foi rápido (e parece ter sido, vendo  agora, com a perspectiva calma de quem já se encontrou), mas para isso teria de ignorar o enorme sofrimento pelo qual passei pra chegar até aqui.

mas não foi só sofrimento: foram alegrias, aprendizados, reencontros, foi vida, acima de tudo. e se hoje eu digo  a 2009 que ele já vai tarde, é só porque eu realmente espero (pela primeira vez na vida) muito do ano que vem pela frente. e eu sei que vale a pena. adeus,

e obrigada pelos peixes, 2009.

feliz ano novo, gente.

tudo de lindo pra vocês.

[só apareço aqui em janeiro]

status: desinteressada

eu acho bastante engraçado ver que as pessoas sentem prazer em machucar. em outros tempos, sofreria. hoje apenas relevo. é da natureza humana, não? e a maior forma de revidar é ignorando. nada incomoda mais quem quer nos botar pra baixo do que ver que suas investidas foram inúteis.

eu sei, sei que sou masoquista. mas nem todo tipo de dor me dá prazer, e é por isso que tenho me policiado tanto. ainda agorinha twittaram sobre usar as pessoas como alicerce: faz tempo notei que é um erro, faz tempo não o faço mais (e nada me deixou mais feliz do que perceber que, diferente de muita gente ao meu redor, sou capaz de seguir sozinha). é por isso que o outro lado se incomoda. é por isso que me provoca. talvez seja ruim se considerar indispensável para alguém e descobrir de repente que não é verdade (não sei, nunca tive a petulância de me considerar indispensável). em todo caso, descobri a solução para as agressões gratuitas: tenho mostrado da melhor maneira que ninguém me é indispensável agora. é, e é o que tenho feito.

[se  já estava desnorteada com tantas lembranças, realizem meu estado agora que li diários antigos no final de semana. enfim, a sensação que fica é vanilla ice, sabem? even in my dreams I’m an idiot… who knows he’s about to wake up to reality. sou feliz, apesar de tudo isso.]

MELHOR NOTÍCIA DA SEMANA (quiçá do mês)

(no email da classe)

Caros alunos

Repassem para suas turmas o seguinte aviso

De comum acordo com o secretário geral, e motivado por um pedido de aluno baseado no REGULAMENTO, as notas finais como 6.88 ou 6.92 serão arredondadas pelo sistema para 7, evitando o desgaste de o aluno vir a fazer prova por falta de 0,8 ou 0,12 ponto. Como a faculdade não trabalha com nota quebrada, a partir de 6.75 o sistema automaticamente arredondará para 7.

Forte abraço

Carlos Costa

CHOREI SANGUE

WHATEVERmaltine

eu fico variando humores e modos de agir e enfim, eu sou várias em uma, mas é tudo natural. sou assim dramática desde criança. teatral. acontece que hoje, diferente de antes, eu PERCEBO que estou em surto. quer dizer, eu sei qual das arianes está ali naquele momento. então eu vivo as personagens. eu curto isso: esse ser eu mesma e ainda poder rir de mim depois. pena que poucos entendam.

faz parte do meu show.

Por que diabos eu sinto sempre uma vontade imensa de deletar meus posts antes mesmo de apertar PUBLISH?

(e por que RAIOS eu publico mesmo assim?)

O futuro do livro: ele não vai acabar

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Há exatamente um mês estive no Intercon 2009. Desde então, não tive tempo de sentar para escrever para o blog (não da maneira como gostaria), mas sentia uma vontade louca de fazê-lo. Acontece que participei de vários painéis, mas só um me impressionou o suficiente para falar a respeito. Calma, foi tudo muito bom – é que o Juliano Spyer foi direto na minha ferida. E aí, obviamente, marcou mais em relação ao resto do evento. Pois bem, aí vão, tardias – mas não irrelevantes – anotações sobre o painel “O futuro do livro”.

Pois bem, nos últimos tempos tem-se falado muito sobre o futuro da música com o advento da internet, leis de copyright, direitos de uso, enfim, chega até a ser chato o constante uso de “futuro disso”, “futuro daquilo”, afinal, não somos nem seremos nunca profetas (imagino). O que acontece é que, da mesma forma que a música, a literatura é cercada de variadas leis de direitos autorais e, no entanto, parece que o assunto tem sido evitado pela maioria das pessoas – inclusive das mais interessadas. Basta imaginar que, se antes da internet e da digitalização e disseminação de arquivos já existia o compartilhamento de cópias e fragmentos (sobre o qual, de certa forma, ainda é possível um controle maior que o online), imaginem hoje. Para as empresas, fica difícil conter a reprodução de obras, tanto no meio online quanto no offline.

Quer dizer: o mercado editorial, em breve, embora não se torne obsoleto, mudará bastante. Não me apeguei aqui às considerações sobre novas plataformas de leitura (Kindle, celulares e ebook readers), mas ao exemplo do Google Books, que em outubro de 2008 já tinha 7 milhões de livros buscáveis, dando na indústria do livro um chacoalhão: não são apenas pdfs jogados na rede, são informações indexadas e rastreadas na search do Google, enriquecendo pesquisas. O site disponibiliza desde obras em domínio público até conteúdo parcial de copyright, graças a uma parceria com as editoras. Em pouco tempo, será uma livraria virtual riquíssima tanto em conteúdo quanto em público, afinal, nada mais desejável que o possível cruzamento de referências e o turismo entre obras literárias que este proporciona, não? Confesso que, até mesmo eu, conservadora e apaixonada pelo gostinho de abrir o impresso, folheá-lo, usar e abusar do grifatexto e das anotações (eu, Ariane, confesso: os livros são o pouco que ainda me prende ao universo analógico), estou empolgada com esse desenvolvimento digital.

Além disso, segundo Spyer, escrever demanda mais que talento, demanda estímulo. Afinal, se para a produção literária precisamos de um grande espaço de tempo, o lucro em função destes escritos é pequeno. A título de exemplo, Juliano mencionou o processo de criação de dois de seus livros: Conectado e Para entender a internet. O primeiro, embora tenha demandado muitos meses para o processo de apuração, escrita, edição e publicação, rendeu ao autor a venda de 3000 exemplares em dois anos. O segundo, feito no período da Campus Party 2009 e editado na semana seguinte, rendeu-lhe 3000 downloads em 5 dias. Por isso, hoje tem-se investido especialmente em projetos online, em que leva-se em consideração o capital social dos autores e o poder que estes têm de escrever sobre aquilo que se sabe em poucas palavras. É o poder do boca-a-boca, a facilidade de coordenação do projeto e o número ilimitado de cópias contra  invstimentos absurdos de tempo, dinheiro em marketing e produção e ainda a busca pela aceitação de uma editora que tem feito com que, além de sites como o Google Books e lojas de ebooks, que proporcionam aos leitores uma experiência incrível [o custo de livros é menor e você não precisa de espaço físico – podendo criar um estoque infinito], cresça mundialmente também a publicação sob demanda, em que, economizando-se no valor da impressão, pode-se imprimir apenas os livros que forem comprados, facilitando assim a edição e o lançamento de obras. Atualmente, pode-se citar como exemplo em destaque dessa categoria o nacional Clube dos Autores.

Há também editoras apostando no uso de novos formatos de venda. A Zahar, por exemplo, de olho em estudiosos e pesquisadores que, vira e mexe, necessitam de trechos de livros e acabam recorrendo à Xerox dos mesmos (hoje, cheia de restrições legais), vende fragmentos literários: interesse de ambas as partes saciado. Caminhos que cada vez mais serão buscados por aqueles que não querem ficar no prejuízo.

Infelizmente, abordei apenas o que me interessou de pronto na palestra – além de ter perdido grande parte das minhas próprias considerações só porque demorei a escrever a respeito. Há ainda muito mais a aprofundar – geração Kindle, popularização de ebook readers, polêmica do custeamento de direitos autorais… Enfim, para quem tiver interesse, há nesse link a apresentação utilizada por Spyer, com referências interessantes para pesquisa. Esse post foi mais um apanhado de informações/resumo. Assim que eu estiver oficialmente de férias, discorrerei mais sobre o assunto, devidamente informada. 🙂

sunday morning

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acordou: não sabia como, mas estava ali. e já era tarde. o quarto desconhecido, nenhuma roupa no corpo, uma estranha dormindo calma na cama ao lado. “o que estou fazendo aqui? como vou me vestir?”. [mas ali já era tarde.] lembrou-se da madrugada, das tequilas, das amigas, do desabafo na chuva, certa sedução e alguns excessos. então lhe veio a imagem do táxi, e pareceu muito clara a maneira como tinha ido parar naquele beliche, apenas com as roupas de baixo. sentiu um prazer de leve [coisa de quem jamais acreditou em si o suficiente para imaginar essa situação].

olhou para o quarto, localizou a meia arrastão rasgada num canto escuro, embolada em sua saia e camiseta surradas. desceu devagar, sem fazer barulho, e vestiu-se mais rápido que nunca. já ia saindo fugida do cômodo quando o olhar cruzou o da outra, na cama debaixo. fez um gesto como quem pedia silêncio [a desconhecida podia acordar], saiu e deitou-se no sofá, ainda tonta do efeito sal-limão. a dona do olhar seguiu-a com suas carnes fartas no minúsculo pijama de seda e sentou-se ao seu lado. sorria. o constrangimento incomodava as duas de leve, mas não chegou a atrapalhar. contaram histórias. segredos. relembraram a noite, o tesão, o desespero.  cigarros espalhados sobre a mesa. de repente, riam. de repente [de novo], clima. tocaram-se, devagar: beijos doces. um barulho. o medo afastou-as de novo. “preciso ir embora”, disse a dona das meias, sem jeito. “coragem”, respondeu afobada a menina do pijama de seda. sorriram. beijaram-se mais uma vez.

e, desde então, fingiram que nunca havia acontecido nada.