rockafeelings

rock

o astro definitivo do rock não passa de uma criança. como é possível não ser corrompido por tudo que vem junto? no fundo, o que está reservado à maioria dos rockstars é um monte de estragos, é ficar se deprimindo e trepando por aí, ser usado, explorado e destruído.

danny fields.mate-me por favor

[manja quando você entende que não é um astro do rock e… bom, e precisa parar de agir como um? então.]

considerações

1. fiquei feliz com os comentários, bate-papos e emails. sempre fico.
2. estou com saudades da Tory.
3. Cris me salvou essa semana com seus super fones de ouvido.
4. tá difícil, galere. tá difícil.

10072009

dezenove anos e bebia como uma velha viúva. uma, duas, seis caipirinhas. FORTE, ela dizia, tentando manter a voz firme a cada nova rodada. não devia ter saído de casa. precisava esquecer primeiro. na sétima dose, já balançando involuntariamente as pernas, resolveu que ia dançar. era a Augusta, bastava sair do boteco onde estava e atravessar a rua, pronto.

tu tá meio Amy, hein, amiga?, alguém lhe disse na fila. ignorou. a pista agora era só sua. um cigarro. outro. tequila. bebia para esquecer dele e acabou por esquecer-se de si mesma. sem que notasse, lá estava, ao telefone. voz doce, ele disse. voz bêbada, ela pensou. mas seguiu. queria que ele estivesse lá de qualquer jeito, mesmo sem entender o porquê. em nenhum lugar você vai encontrar alguém te esperando como eu estou aqui, disse, já sem noção alguma.

e ele veio, mesmo que com medo. sua banda favorita, cervejas, ervas e paqueras frustradas. two stoned young folks rumo ao apartamento 123, na vila mariana, madrugada chuvosa de julho. cansados, bêbados, alucinados. cama, tesão, roupa sai, membro entra. o sexo intocado dela de repente possuído por alguém. ele forte e com vontade, ela sentindo-se rasgar ao meio, feliz e triste, bêbada. o gozo, o sono, os dois abraçados, nus, janela aberta, o vento frio. ela acordada a contemplar a calma face dele, que dormia profundamente. ela o amava. ele só não queria vê-la sofrer e se dividia sua cama agora, era um pouco por pena – o outro pouco também.

levou-a para o metrô às seis da manhã como quem se livrava de um fardo. chovia. a sensação de estar sendo rasgada ao meio (ela só notou agora que estava sozinha) ia muito além do sexo. virgindade maldita, foi embora tarde, pensava. e com alguém que amo muito, completava para si. valeu a pena. mas agora tudo doía. não o físico, doía tudo por dentro, toda mínima lembrança, todo seu sentimento.

seria burrice insistir, e ela sabia. só precisava respirar e se recompor. precisava esquecer e encontrar um homem de verdade. alguém que a amasse, porque pena não a levaria a lugar algum. desceu a rampa na chuva, com sua meia calça preta rasgada, delineador escorrendo pelo rosto, vestido vermelho encharcado colado ao corpo. déja vu. eu tô exatamente aonde eu queria estar, pensou. sentiu que a história tinha acabado. sabia o rumo de tudo dali pra frente. e estava certa em todas as suposições: ele nunca mais ligou.

kerouac feelings

e deslizando pelas páginas d’O livro dos sonhos, li algo como ‘o meu amor fica maior quando disfarço’. leve tremor. grifo feito, segui em frente.

só agora, deitada na cama & pensando em quem provavelmente não pensa em mim foi que atinei: meu amor fica maior quando disfarço.

(mais um) ponto para o Jack.

e lá vou eu tentar dormir.

just in case you don’t know

“Physical love is unthinkable without violence.”

— Milan Kundera, The Unbearable Lightness of Being

[ yes, i’m really that kind of girl, even when i try not to show it ]

bilhete na geladeira

querido, descobri a razão de nossos problemas.
um homem de verdade: é disso que eu preciso.
considere-se uma página virada na minha vida

ps: estou levando meus cigarros, mas deixei cerveja na geladeira.

até algum dia.

#segredo

Eu gosto de ver o circo pegar fogo daqui do meu cantinho. Nem paciência tenho pra isso. E de mais a mais, “opinião é feito bunda: cada um tem a sua e ninguém é obrigado a dar”.

O que eu acho é que toda vez que acontece algum “escândalozinho” quem precisa aparecer corre pra dar a opinião primeiro e ver se arranja um espaço. Fica todo mundo gritando e ninguém ouve ninguém. Um monte de gente carente que se supervaloriza e quer apontar certo e errado o tempo todo – certos eles, errados os outros.

Não acho que seja um defeito ou um erro. Não acho que devam parar, não.
Só prefiro ficar aqui, no meu canto, opiniãozinha guardada. Se necessário for, libero. Senão, preservo-me.
Tenho muito a dizer, na maior parte do tempo. Mas não assim, ao vento, por nada.
Posso até perder com isso, mas agora eu me sinto realmente feliz. É que assim eu corro menos risco de me sentir hipócrita amanhã.
É, porque quem fala demais o tempo todo e dá opinião sobre tudo acaba caindo, cedo ou tarde, em contradição.

Obsessões

Eu me recuso a desistir das minhas obsessões.
América pare de me empurrar eu sei o que estou fazendo.
(…)
Está sempre me falando de responsabilidades. Os homens de negócios são sérios. Os produtores de cinema são sérios. Todo mundo é sério menos eu.
(…)
Meus recursos nacionais consistem em dois cigarros de maconha milhões de genitais uma literatura pessoal impublicável a 2.000 quilômetros por hora e vinte e cinco mil hospícios.


Trechos de América. In: GINSBERG, Allen. UIVO e outros poemas