bad trip

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e depois de uma hora na fila do banco apenas pra ouvir “nossa, moça, como você é novinha, muito nova para o segundo ano, muito nova para a segunda faculdade, não sei o que houve com a conta, não há problema algum, pode confiar, vou te ligar mais tarde, confie, seu dinheiro estará disponível ainda hoje” eu simplesmente surtei, você no seu mundo feliz, no seu mundo indiferente, no seu mundo cheio de tudo e vazio de mim. eu não deveria, poxa, no trabalho, ninguém me conhece, ninguém conhece nossa história minimamente bem e nem vai conhecer porque eu já não me sinto mais capaz de contá-la sem me encher de vergonha (é pura falta de vergonha na cara continuar sofrendo por você), no trabalho eu olhava todas aquelas pessoas falando desesperadas sobre suas próprias angústias profissionais e tentando resolver em equipe um problema que estava incomodando a todos desde a manhã e me sentia impotente por não conseguir ajudá-los impotente por não conseguir ignorar sua existência impotente porque as páginas de que precisava apontavam um erro impotente porque queria gritar e bater a cabeça na parede mas ali eu não podia sequer respirar mais alto sem que alguém notasse e viesse ao meu encontro. então de repente a sua janela pulou na minha frente dizendo “não fique nervosa assim, linda” e eu explodi, tropecei na lixeira e corri pra cozinha, só a tempo de dizer “vou pegar um copo d’água”. um companheiro apareceu segundos depois perguntando se tudo estava bem comigo “tá tudo bem, não se preocupe, é o meu jeitinho” e eu tentava fazer piada engolindo as lágrimas que quase deixei escapar, ah, quantas lágrimas eu engoli pra que ninguém ali visse “se precisar de ajuda, Ariane, estou aqui, pode chamar” e eu com vontade de abraçar alguém forte e chorar, chorar, chorar, e dizer “socorro, está tudo lindo, tudo dando certo e eu me sinto uma idiota, uma merda, só uma idiota não sabe aproveitar esse momento perfeito e ser feliz, eu não consigo simplesmente ser feliz porque eu amo aquele puto e ele ignora minha existência” me contive e limitei meu comentário a “estou bem, pode ficar sossegado”. voltei pra minha mesa, respondi em sua janela “já estou nervosa, tarde demais”. desmanchei por dentro, corroí, mordi os lábios, bufei, pedi socorro a alguns amigos, encontrei conforto numa piadinha com o já profundamente querido companheiro de trabalho, pedi que me passassem mais obrigações e me permiti rir de novo. de repente eu estava gargalhando no meio de todos feito uma louca, a sensação de ser querida num lugar, não necessariamente por todos, mas pelo menos por alguns, a sensação de pertencer, de não estar tão sozinha. louca. acho que sou uma louca, que ninguém nunca vai entender, que ninguém deveria saber que é assim. e quer saber, não que ser eu mesma justifique meus erros, mas sinceramente me acalma que me conheçam, me acalma tanto quanto me deixa mais vulnerável. é a vida. pra falar a verdade, o que eu mais quero é poder escrever “essa foi a última vez que chorei por você” e não voltar atrás no minuto seguinte, enquanto releio o texto. sinto saudades do tempo em que eu achava que você era um idiota “ai olha que paspalho fazendo uma declaração de amor” porque desde que eu comecei a te ver como um homem de verdade a idiota da história fui eu dizendo “eu te amo eu te amo eu te amo” e ouvindo de volta um “linda obrigado adoro seu jeito”. é. Idiota. louca.

3 comentários em “bad trip”

  1. já tive várias bad trips iguaizinhas a essa que vc descreveu… imagina que eu segurei o choro várias vezes lendo esse post, como já fiz várias vezes lendo seu blog.
    Se eu conseguisse expor metade dos meus sentimentos como vc faz, estaria bem mais leve!

    love will find the way 😉

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