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PITTY.

E eu nunca tinha me sentido assim antes, NUNCA tinha transcendido desse jeito. E cara, nunca foi tão libertador chorar cantando Na Sua Estante. Foi lindo, LINDO a trilha sonora da minah vida AO VIVO com a musa ALI PERTINHO.

Podem me zuar o quanto quiserem, eu já posso morrer em paz. 🙂

Look Closer

– Oi, pode me levar até a estação Brigadeiro?
Uma sombra disse que sim. A dona da voz sorriu, tímida, enquanto entrava no táxi. Ele virou-se para ela. Primeira vez que o viu de verdade: praticamente um galã de novela, porte atlético, sorriso cheio de charme, olhos dum azul-piscina e perfume que se espalhava por todo o carro. “O ar está incomodando?”, disse olhando nos olhos verdes dela. “Não, sem problemas”, respondeu quase sem deixar a voz sair. Ele se virou pra frente, mexeu no rádio que até então tocava um rock barulhento e difícil de identificar e colocou Blower’s Daughter baixinho enquanto acelerava o carro. Ela olhava através da janela, coberta de pingos de chuva, para as ruas vazias.

And so it is… Quis rir e chorar. Justo aquela música? Ele cortou o silêncio, talvez prevendo nela a solidão e a tristeza. “A chuva havia ido embora, agora voltou, daqui a pouco para de novo… Né?”. Ela continuava monossilábica. “É”. Lembrava-se de todas as vezes em que fizera aquele mesmo percurso, sem rumo, ao lado de quem supunha ser o homem de sua vida, Alameda Santos adentro. “Te deixo na Brigadeiro”, ele dizia, e colocava sua mão nas pernas dela até encontrar a mão que ela tanto detestava, a mão branquinha e gordinha, das unhas roídas até a carne. Dirigia a mão dela à boca e beijava-a sem tirar os olhos do trânsito. Ela enlouquecia. “Pare com isso! Sabe que acho perigoso!”. Só paravam na estação Santa Cruz, já bem longe do rumo previsto.

Did I say that I love you? Quase escorria uma lágrima dos olhos dela quando, no farol vermelho, entre os últimos sussurros de Damien Rice, o charmoso taxista chamou-a de volta ao presente. “Vai pegar o metrô ou encontrará alguém ali perto?”. “Metrô”, respondeu quase que com aspereza. Indiscreto, pensou. Que absurdo tirá-la do passado que tanto amava, que absurdo querer saber de seu presente. Mas deixou passar. Rice deu espaço para China, de Bowie, ela já dispersa, contando as gotas de chuva no vidro do carro, ele olhando para taxímetro que se aproximava dos dez reais, ambos se recompondo enquanto os alunos saíam do prédio da Gazeta, do outro lado da Avenida. O taxímetro parou nos R$9,80. Despediram-se. “Obrigada, obrigada mesmo”, ela sorriu pela primeira vez olhando nos olhos do desconhecido. “Obrigado eu”, disse o príncipe disfarçado, guardando no bolso a nota de dez reais.

Ah, quantas meninas perdidas como ela ele carregava por dia!
Sozinha na garoa, sem a mínima pressa de chegar em casa, viu o táxi sumir no horizonte.

Astrologia

“E é esta paixão louca, misturada com a frieza do ariano que confunde as mulheres. Não dá para entender como alguém pode ser tão intenso no amor e tão frio ao mesmo tempo. Nem dá para saber quando irá embora depois de perder o interesse na “EX MULHER DA SUA VIDA”! Mas é assim mesmo que as coisas funcionam: “Se hoje te amo, amanhã não amo mais”! Eles deixam um relacionamento com a mesma velocidade com que se envolvem.”

E tem gente que diz que não é verdade.

Socorro, estou grávida!

gravida

(CALMA. NÃO DEIXEM QUE SUAS MENTES TRABALHEM ANTES DE LER)

Tem algo engraçado acontecendo – a melhor definição é ‘bizarro’, mas eventualmente alguém sinta também e goste, e aí pode ficar ofendido, então vai o eufemismo mesmo. Há um mês caiu em minhas mãos uma pauta sobre “Barrigas de Aluguel”. Também por questões profissionais, comecei ao mesmo tempo a acompanhar o Mamie Bella – que eu já seguia no twitter e no flickr, mas cujo blog eu não lia.

De repente, eu me sinto grávida. Quer dizer, não dá pra achar normal. Afinal, sempre li o Planejando Meu Casamento e o Nerds In Love e isso nunca me fez mudar de ideia quanto ao fato de que não quero me casar. Lia simplesmente porque um dia o Google Reader me indicou os feeds, eu assinei e ficaram lá, pra sempre.

Com a gravidez não foi e nem podia ser assim. Deixem-me explicar a diferença: tomo remédios cujos efeitos colaterais são enjoo, tonturas e vontade frequente de fazer xixi. Como #gordinhasafada que sou, ter desejos vez por outra não é exatamente algo raro. Daí que vendo vídeos, fotos, posts, descrições e comentários sobre bebês, gravidez, maternidade e sentindo meus enjoos, tonturas, vontades – plus TPM, que aparece e mexe de vez com meus hormônios já pouco comportados, temos… a Gravidez da Ariane.

Ontem foi tão grave que até chutar o meu bebê chutou. (HAHAHA) O mais irônico de tudo é que eu nunca quis ter filhos (aliás, continuo não querendo) e essa coisa de achar gravidez algo lindo não é comigo. Sou uma ogrinha: tenho medo de pegar bebês no colo, entro em pânico com crianças chorando e JAMAIS espero ter que aguentar outro pré-adolescente que não minha irmã. Agora imaginem uma pessoa assim COM A SENSAÇÃO DE ESTAR GRÁVIDA. Pânico. Depressão. O HORROR. A TREVA.

Foi quase um litro de café pra me distrair no trabalho. No fim do dia, eu ainda solto a pérola no twitter e em voz alta. PRA QUÊ? Além dos sintomas comuns e das eventuais comoções inexplicáveis, agora aguento a gozação do pessoal da agência. Daqui a pouco tô com o peito grande e cheio de leite. Não vou comentar aqui sobre o tamanho da barriga, ok? Numa coisa eu dei sorte: Não vou ter que sentir dores de parto (sem falar que não tem chance de botar outra vida no mundo).

Ok, não tem tanta graça assim. Não tem graça NENHUMA, aliás. Rolou uma tensão insuportável entre ontem e hoje. Aos defensores da ideia de que maternidade é algo lindo, maravilhoso, especial, eu peço desculpas. Não tenho nada contra, na verdade acho que essa minha aversão é coisa de menina imatura. E não ligo. Na medição de prós e contras, com responsabilidades martelando, a conclusão é de que o melhor é mesmo ter horror à ideia. Pelo menos por enquanto. Afinal, tenho 19 anos, nunca namorei de verdade, tô no primeiro trabalho e definitivamente não sou capaz de cuidar sozinha nem da minha própria vida.

(Claro que isso era neura da TPM, não tinha possibilidade, etc, etc, mas ficar pensando é bad trip, sério. Vale a pena se você é inconsequente, faz mudar de ideia num segundo. Sem contar do grilo falante nos sonhos, do colo da Tory na vida real… Sério, gravidez eu não quero nem de brincadeira.)

foto original aqui.

papo de amigo

entender > aceitar > esquecer:
é um job sem cronograma

(porque ficaria só entre mim e ele, mas aqui sempre passa alguém que precisa desses toques tanto quanto eu.)

… podia ter sido eu.

“Ah, me socorre que hoje não quero fechar a porta com esta fome na boca, beber um copo de leite, molhar plantas, jogar fora jornais, tirar o pó de livros, arrumar discos, olhar paredes, ligar-desligar a tevê, ouvir Mozart para não gritar e procurar teu cheiro outra vez no mais escondido do meu corpo, acender velas, saliva tua de ontem guardada na minha boca, trocar lençóis, fazer a cama, procurar a mancha da esperma tua nos lençóis usados, agora está feito e foda-se, nada vale a pena, puxar as cobertas, cobrir a cabeça, tudo valea pena se a alma, você sabe, mas alma existe mesmo? e quem garante? e quem se importa? (…) amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro. Não temos culpa, tentei. Tentamos.”

Caio Fernando Abreu.

(essa ânsia que me faz compulsivamente ler Caio e me afunda na maior das mágoas passou. comprei hoje um Bukowski e deixarei o meu querido de castigo na estante por algum tempo. pelo menos assim espero, veremos o que farei amanhã pela manhã. é tão ruim e tão bom ter Caio sempre por perto… tantas verdades doídas e necessárias.)

lucidez

1- Falei mais merda do que deveria, sou seguida por mais gente do que deveria e sinto que terei probleminhas com meus dramas e minhas crises.

2- esse não é o blog do papai noel, grata.

bad trip

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e depois de uma hora na fila do banco apenas pra ouvir “nossa, moça, como você é novinha, muito nova para o segundo ano, muito nova para a segunda faculdade, não sei o que houve com a conta, não há problema algum, pode confiar, vou te ligar mais tarde, confie, seu dinheiro estará disponível ainda hoje” eu simplesmente surtei, você no seu mundo feliz, no seu mundo indiferente, no seu mundo cheio de tudo e vazio de mim. eu não deveria, poxa, no trabalho, ninguém me conhece, ninguém conhece nossa história minimamente bem e nem vai conhecer porque eu já não me sinto mais capaz de contá-la sem me encher de vergonha (é pura falta de vergonha na cara continuar sofrendo por você), no trabalho eu olhava todas aquelas pessoas falando desesperadas sobre suas próprias angústias profissionais e tentando resolver em equipe um problema que estava incomodando a todos desde a manhã e me sentia impotente por não conseguir ajudá-los impotente por não conseguir ignorar sua existência impotente porque as páginas de que precisava apontavam um erro impotente porque queria gritar e bater a cabeça na parede mas ali eu não podia sequer respirar mais alto sem que alguém notasse e viesse ao meu encontro. então de repente a sua janela pulou na minha frente dizendo “não fique nervosa assim, linda” e eu explodi, tropecei na lixeira e corri pra cozinha, só a tempo de dizer “vou pegar um copo d’água”. um companheiro apareceu segundos depois perguntando se tudo estava bem comigo “tá tudo bem, não se preocupe, é o meu jeitinho” e eu tentava fazer piada engolindo as lágrimas que quase deixei escapar, ah, quantas lágrimas eu engoli pra que ninguém ali visse “se precisar de ajuda, Ariane, estou aqui, pode chamar” e eu com vontade de abraçar alguém forte e chorar, chorar, chorar, e dizer “socorro, está tudo lindo, tudo dando certo e eu me sinto uma idiota, uma merda, só uma idiota não sabe aproveitar esse momento perfeito e ser feliz, eu não consigo simplesmente ser feliz porque eu amo aquele puto e ele ignora minha existência” me contive e limitei meu comentário a “estou bem, pode ficar sossegado”. voltei pra minha mesa, respondi em sua janela “já estou nervosa, tarde demais”. desmanchei por dentro, corroí, mordi os lábios, bufei, pedi socorro a alguns amigos, encontrei conforto numa piadinha com o já profundamente querido companheiro de trabalho, pedi que me passassem mais obrigações e me permiti rir de novo. de repente eu estava gargalhando no meio de todos feito uma louca, a sensação de ser querida num lugar, não necessariamente por todos, mas pelo menos por alguns, a sensação de pertencer, de não estar tão sozinha. louca. acho que sou uma louca, que ninguém nunca vai entender, que ninguém deveria saber que é assim. e quer saber, não que ser eu mesma justifique meus erros, mas sinceramente me acalma que me conheçam, me acalma tanto quanto me deixa mais vulnerável. é a vida. pra falar a verdade, o que eu mais quero é poder escrever “essa foi a última vez que chorei por você” e não voltar atrás no minuto seguinte, enquanto releio o texto. sinto saudades do tempo em que eu achava que você era um idiota “ai olha que paspalho fazendo uma declaração de amor” porque desde que eu comecei a te ver como um homem de verdade a idiota da história fui eu dizendo “eu te amo eu te amo eu te amo” e ouvindo de volta um “linda obrigado adoro seu jeito”. é. Idiota. louca.