Luz

USP Está todo dia no mesmo lugar há quase dois anos e nunca tinha feito uma caminhada pelas redondezas. Hoje o destino quis que fosse forçada a isso e só assim um mundo novo se abriu ao seu redor. De repente viu que andava cega, sabe? E que é legal observar as folhinhas caindo e o resquício de baseados no chão e o dente-de-leão semi-soprado e as criancinhas na creche e as pessoas que passam andando rápido abraçadas em seus livros enquanto falam sozinhas (é! Não é a única que fala sozinha!) e o ventinho nos cabelos e o sol refletindo no lago e os carros indo e vindo e os circulares abarrotados de gente. Tudo que estava ali o tempo todo, mas que nunca tinha se permitido enxergar. Podia culpar o pai, pra quem tudo sempre “É muito perigoso!”, mas a verdade é que também é muito cômodo simplesmente acatar as ordens dele e ser servida. É a única culpada: existe um momento em que, pra ter sucesso e seguir em frente, é preciso subverter. Senão ficará parada no mesmo lugar. Inércia, etc etc.

Tudo isso em quinze minutinhos andando entre folhas, árvores, bicicletas, estudantes e prédios. Toma um café e um copo d’água, recompõe o fôlego (ex-fumante-sedentária andando sem aquecimento significa formigamento na certa) e vai almoçar. Tempurá, adora. Depois, chupar limão e comer abacaxi e morango docinhos. A vida é feita de pequenos prazeres. Só enxergando isso é que é possível ser feliz. Está todo dia no mesmo lugar há quase dois anos e agora, finalmente, prometeu a si mesma uma nova chance.

the velvet underground, all tomorrow’s parties

(foto: Camila Andrade)

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