Memórias inventadas.

Estava lá, exatamente da maneira como aconteceu:

– Theresa, desculpa por te fazer passar – por nos fazer passar – por isto na nossa última noite. Não era minha intenção. Acredita em mim, não foste apenas um caso para mim. Deus, tu foste tudo menos isso. Eu disse-te que gostava realmente de ti, e foi a sério.
Ele abriu os braços, os seus olhos implorando para que ela viesse para o seu lado. Ela hesitou durante um segundo, depois acabou por se encostar a ele, com um número infinito de sentimentos contraditórios irrompendo na sua mente. Encostou o rosto no peito dele, não querendo ver a sua expressão. Ele beijou-lhe o cabelo, falando docemente, com os seus lábios agitando-se sobre ela.
– Gosto muito de ti. Gosto tanto de ti que me assusta. Há tanto tempo que não me sentia assim, é quase como se me tivesse esquecido de como outra pessoa pode ser tão importante para mim. Penso que não poderia simplesmente deixar-te partir e esquecer-te, e não o quero. E decididamente não quero que a nossa relação acabe agora. – Por um momento ouvia-se apenas o som suave e constante da sua respiração. Por fim sussurrou: – Prometo fazer tudo o que for capaz para te ver. E vamos tentar fazer a nossa relação resultar.
A ternura na sua voz fez com que as lágrimas dela começassem a cair. Ele continuou, quase demasiado baixo para ela ouvir.

Nicholas Sparks, em As palavras que nunca te direi

O que mais me fascina nos livros é que, vira e mexe, sem querer ou não, acabamos encontrando cenas da nossa vida escritas nas páginas deles, muito tempo antes de, de fato, acontecerem. De repente você pega um livro que está na estante te esperando há meses – anos! – e descobre que, se o tivesse lido antes, talvez não sofresse muita coisa. O que é bom e ruim, porque afinal, viver – seja quando as coisas dão certo, seja quando dão errado – é basicamente acumular experiências. E sofrimentos. Sempre vale a pena, sempre.

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