Insônia

(postsecret)
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Uma das piores facetas da insônia é que, não importa o quanto você role na cama, bata na cabeça ou tente não pensar em nada, ela simplesmente não te deixa escolher no que não quer pensar – o que significa que, certamente, seus pensamentos vão se focar de forma caótica exatamente naquilo que você menos gostaria de pensar a respeito.

Eu confesso: tenho fugido, sim, de pensar nele e em todas as coisas que rolaram nos últimos tempos. Não estava sendo saudável pensar nelas 24 horas por dia. Cheguei a dormir quinze horas seguidas esse fim-de-semana só pra não ficar acordada sofrendo – mas dessa vez não teve jeito, a insônia pegou, me sacolejou na cama e intimou: você vai sair dessa (ou afundar de vez, quem sabe?) agora, chega de ficar fingindo que está tudo bem.

Há mais de um mês não consigo ler direito. Quem me conhece sabe o quanto isso é grave. Há mais de um mês eu não tenho (de novo) autoestima, não tenho coragem, não tenho muitas razões pra sorrir por aí. E isso é bobagem! É bobagem, porque as coisas têm acontecido pra mim. Têm se concretizado, vindo atrás de mim quando não vou atrás delas. Não é assim pra todo mundo. Aí vem um sentimento filhadaputa pelo qual a única responsável e culpada sou eu e ousa atrapalhar meus planos? Não, hoje não, agora não dá. Agora eu não quero amar ninguém, não quero ficar pensando em como poderia ser se esse alguém também me amasse, não quero mais saber se ainda pensa em mim. Não está me fazendo bem.

Ontem eu me vi aconselhando uma amiga exatamente na mesma situação que eu (e que, na cabeça dela, é diferente, mas enfim) e dizendo pra ela exatamente o que EU deveria fazer. Não que eu já não o tenha feito algumas vezes esse ano, não que eu não esteja disposta a fazê-lo agora… Mas me senti meio hipócrita por saber o que tem de ser feito e mesmo assim agir da forma errada – já que só quem sofre com isso sou eu.

“Enfim, acho que já passou da hora de pararmos de encarar a vida feito conto de fadas…”, eu disse. E ela me respondeu “O foda é que tudo é ele.”. Debochei. “Pf, como se eu não soubesse… Cada música, cada cor, cada sinal de telefone, cada mensagem que não vem ou que não mandamos, cada casal de filme, novela, comercial, cada tweet aleatório, cada menção ao amor…”. Foi aí que ela ficou surpresa. “Você me entende”, disse, sem saber que era a mim mesma que estava descrevendo. E então falou algo que me fez acordar de vez. “Dá vontade de voltar atrás. Chegar e dizer ‘ESQUECE, eu te amo, vem pra cá *abraça*’, mas… Eu tava só me machucando”. PERAÍ, apitou aqui dentro. Foi exatamente isso que fiz há alguns dias. Eu corri atrás. Liguei, mandei mensagem, insisti, fiz tudo que tive vontade. E foi exatamente isso que acabou me arruinando de vez. Tentei explicar: “Sabe o que acontece? Eles podem até voltar, mas isso não muda nada do lado de lá. Só do lado de cá. E do lado de cá, com ou sem eles é sempre muito doloroso. Só que com eles não tem jeito de melhorar. Sem eles sim”.

Não é covardia da minha parte, como pode parecer. Ela mesma argumentou que estar com eles é melhor a curto prazo, que os momentos bons compensam tudo, que só dói mesmo quando vemos tudo de longe. Mas não é verdade. Eu e ela já sofremos o que tínhamos de sofrer. Já enfrentamos os problemas, as nossas adversidades e as deles. A questão é que não se pede nem se compra amor. Ou ele existe, ou não. Infelizmente, pra nós, eles eram os “The One”. Pra eles, nós éramos “mais uma”. A conclusão que dei à ela dei também a mim mesma. “A gente sofre até quando está com eles. Porque tem uma hora que a não-reciprocidade não consegue mais se esconder. E incomoda. Ficar com eles é arrancar todos os dias a casquinha da ferida. Deixá-los é esperar cicatrizar e ir embora em paz.”

Deixá-lo é esperar a ferida cicatrizar e ir embora em paz

Só consegui pensar nisso a noite toda. Em como foi bom, em como eu queria mais e mais e mais. No tempo que perdi me guardando pra mim mesma, e ao mesmo tempo, no que eu ganhei sendo assim. Eu preciso dele, mas ele não precisa de mim – e isso tem que acabar agora, enquanto é cedo, enquanto ainda não fiz tantas besteiras, enquanto não me deixei tomar demais pelas loucuras que a paixão costuma causar. Eu quero paz, só preciso de força pra deixá-lo. E isso eu acho que não é impossível conseguir… É só lembrar que já fui capaz uma vez. No mais, nós duas temos nos preocupado taaaaaanto com eles, em como largar mão, em como terminar… E pra eles nada nunca nem começou, nós nem estamos aqui.

5 comentários em “Insônia”

  1. Então tá, me junto ao time dos que poderiam se encaixar em certas situações… A diferença é que eu fiquei 4 anos gostando da mesma pessoa. Cheguei a namorar outra pensando na primeira, terminei, conheci pessoas maravilhosas, voltei a terminar tudo por conta de alguém que durante muito tempo não se permitiu nem sonhar num futuro a dois comigo. Lindo né?

    Mas a vida passa, o tempo passa, e até os amores, pois é, os amores também passam.

  2. É, Pri. Mas eu já gostei 8 anos da mesma pessoa. Desse exato jeitinho que você falou. E a pessoa sobre quem eu falo no texto… Bom, já vai pra 9 meses. 9 meses em que eu fiquei com outros pensando nele, em que deixei de fazer várias coisas porque simplesmente só tinha ele na minha cabeça. Não é saudável, não importa se leva uma semana, um mês, ou anos. Por mais que a gente ame, tem que saber viver a vida sozinho.

    E não deixa de ser verdade que até os amores passam. Graças ao bom Deus.

  3. Depois de ver algumas coisas que você acabou de escrever no twitter vim ler seu blog. Daí li alguns textos que você falava do que está sentindo por ele. Não pude conter minhas lágrimas (de verdade) por lembrar das várias vezes que sofri assim e especialmente de uma que me deixou sem chão. Concordo com vocês quando dizem que os amores passam, mas acho que de certa forma ficam pequenos restos dos amores do passado eternamente dentro de nós. Eu já superei o meu grande sofrimento, já tenho um outro amor muito mais verdadeiro (talvez por ser recíproco), mas lá no fundo ainda me dói ter passado por toda aquela dor que nem achei que existisse antes de senti-la. Sendo bem realista, isso que está aí vai doer muito. Talvez a pior parte seja perceber ou supor que a dor e talvez o sentimento sejam só seus.Azar o deles se não sabem viver a dor como nós. E de certa forma, um dia você se cansa da dor e ensina a si mesma que ela tem que se transformar apenas em mais um resto. Como todos os outros. Mas dói. Sempre dói. Mas a dor também nos faz sentir mais vivas.

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