Noite de domingo

casal noite rua

“Você é masoquista, eu não”, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E essa ideia, esse “você é masoquista” perturbou-a ainda repetidas vezes antes que finalmente aceitasse essa condição. Masoquista. O maldito tinha razão.

Tinha razão. Não gostava de nada que não a descontrolasse, remexesse por dentro, arrancasse pedaços, causasse espasmos loucos de vontade. Não gostava de nada ameno e racional. Não gostava da tranquilidade: só achava bom quando era insano, quando era confuso, quando lhe tirava o ar e causava dores estranhas.

(Por isso não estava tão feliz. Aquela relação planejada, cheia de limites, casual, a ideia de não poder se apaixonar, de saber estar com alguém que não a quereria, tudo aquilo a podava, limitava, tudo aquilo causou-lhe um desencanto profundo.)

Às vezes as pessoas pagam um preço alto por sonharem demais. Quase sempre, aliás. Ali, por exemplo. Naquela noite gostosa, feita especialmente para o amor. Ali. A vontade existia, mas não foi daquela vez. Talvez não fosse pra acontecer nunca, isso não importava. Aquela paixão que a motivava a fazer loucuras não estava ali. Não era a ele que ela pertencia. Só estava carente, só isso. Precisava de colo. E se estava fazendo as coisas do jeito errado, meu bem… Agora não queria nem saber. A ideia de aproveitar o que tinha nas mãos naquele instante prevaleceu, e foi bom – tanto quanto assustador – conciliar razão e emoção.

“Você é masoquista, eu não”, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E ela sorriu como quem sabia que aquilo era verdade. “Vou pra casa”, ela respondeu com carinho. Entreolharam-se. Um beijo, um abraço forte o suficiente para machucar. “Tem certeza?”, perguntou, respeitando a vontade dela, mas mostrando que não concordava com a decisão. “Tenho. Vou para casa”. Estava criando mais uma ferida quando dizia não a ele – mas e daí? Era masoquista mesmo, a dor é que lhe dava prazer.

imagem via vi.sualize.us

Repeteco sentimental

via-unicorlogy

Preciso de carinho. De um corpo soltando seu peso sobre minhas costas, ambos deitados de bruços. Preciso dar e receber colo de verdade. Quero carinho, um amigo. Quero um amor. Poder esperar o pior de mim e do outro. Quero alguém que não resolva aparecer só depois que eu o abandonar. Quero dar valor e ser valorizada. Algo além daquele contato físico que os hormônios pedem… Eu nem faço questão do contato físico. Eu quero alguém em sintonia comigo, só isso.

“Só isso”. Como se fosse fácil.
19 anos esperando…

(imagem via)

Sexta-FAIL

Sexta-feira. Pós prova de Realidade Socio-Economica e Política Brasileira. Bar com os amigos… 23h. Estava feliz.

Quer dizer, a mexicana da outra sala tinha chegado há pouco e podia ter sentado em qualquer lugar – eram várias mesas; muita, muita gente – mas ela sentou bem ao meu lado. Ok, ok; o papo estava legal e eu já não cultivava por ela a antipatia gratuita que durante um tempo viveu no meu coraçãozinho humano, cheio de defeitos. De repente, entre um gole e outro de Coca-cola (no alcohol to make things look better, babies!), a bonita me solta, com um sorriso de orelha a orelha:
– Nooossa, meeeu, você conhece Fulaaaanooooooo*!

Eu preciso fazer uma pausa nesse momento pra descrever o que aconteceu na mesa. Todos os meus amigos conhecem a história do Fulano. Ele é chamado de “aquele que não deve ser nomeado” e gera rodas de debate histéricas frequentemente. Quando ela disse o nome dele PRA MIM, caras de “TENSO” se espalharam pela mesa. Ninguém acreditou no que estava acontecendo. Capiau botou seu copo na mesa, Bruno engasgou com a cerveja, Tory e Francisco se entreolharam. Ninguém conseguia imaginar qual seria minha reação. Nem eu.

Sim, eu. Voltemos à mesa.
– Nooossa, meeeu, você conhece Fulaaaanooooooo!
Eu fiquei completamente sem reação. Acho que por reflexo, pra não deixá-la estender o assunto, tudo o que consegui fazer foi responder, na lata.
– É. Ele é meu ex. O ex.
Levantei da cadeira e nem vi. Olhei para os lados. Fingi arrumar o vestido. Sentei de novo. Enquanto isso, Francisco trocava olhares com a Tory e tentava arranjar alguém corajoso o suficiente pra mudar de assunto. Sim, porque nem com a minha big dica a querida mudou de assunto.
– Ah, ele é tão fofo, né? Muito fofo, já tive uma quedinha por ele, uma super quedinha, mas aí superei ficando com outras pessoas e
tudo mais..
– É, é sim, irresistível ele.
– Ah, só tem uma coisa, né? Ele é FREAK. Você sabe, né? Não que eu não goste, eu ADORO ele… Mas ele é muito freak.
– Sei… (Estava oscilando entre me dar um tiro na cabeça ou voar no pescoço dela.)
– A última vez que o vi, ele cuidou de mim… A gente saiu de balada e eu até vomitei no carro dele … (pense numa história bizarra sobre a balada e sobre ela ter passado mal – com ele cuidando.). Só sei que fomos buscar minha irmã, ele queria ver minha irmã, ele gost… (mudando o tom) Ele era amigo dela, era só pra vê-la mesmo. Enfim, ele é o cara mais fofo do mundo. Tô morrendo de saudades dele, não vejo faz tempo…
– Ah é, acho que tem mais ou menos um mês que eu pedi pra ele por favor não aparecer mais na minha frente. Tô evitando, sabe como é, ainda gosto, difícil ver e tal.
– Ah, sei como é, é foda. Ainda mais ele, ele é tão carinhosooo… Tô com tanta saudade… Tanta! Onde ele mora mesmo?
– Perto do Shopping Santa Cruz. Tá com saudade, é? Faz assim, qualquer hora a gente marca algo. Saímos os três, que tal?
– Muito legal!
– Ok, combinado então.
Ela pensou em falar alguma coisa, talvez fosse contar outra história bizarra. Olhei pro Francisco, já desesperado, e disse “Tá tarde…”. Levantamos, nos despedimos e fomos embora. MESMO.

A paz voltou a reinar na mesa… E eu, definitivamente, passei a gostar da mexicana. É, geralmente quem dá esse tipo de EPIC FAIL sou eu.

Palavra do dia:
TENSO.

*O nome de Fulano foi preservado mais em respeito a mim do que a qualquer outra pessoa. Fica a dica.

Love

Porque a parte de “eu sou piegas” não é novidade pra ninguém e se hoje eu passei a manhã estudando, o horário de almoço foi do Stumble. Afinal, eu preciso dele pra viver, fazer o quê? Ok.
Trombei com isso, aí ferrou-se pra sempre. Tentei achar o original, mas não consegui. Vai a tradução em inglês mesmo… Naquela de sempre: os grifos são meus.

Love

Because of you, in gardens of blossoming flowers I ache from the
perfumes of spring.
I have forgotten your face, I no longer remember your hands;
how did your lips feel on mine?
Because of you, I love the white statues drowsing in the parks,
the white statues that have neither voice nor sight.
I have forgotten your voice, your happy voice; I have forgotten
your eyes.
Like a flower to its perfume, I am bound to my vague memory of
you.
I live with pain that is like a wound; if you touch me, you will
do me irreparable harm.
Your caresses enfold me, like climbing vines on melancholy walls.
I have forgotten your love, yet I seem to glimpse you in every
window.
Because of you, the heady perfumes of summer pain me; because
of you, I again seek out the signs that precipitate desires: shooting
stars, falling objects
.

Pablo Neruda

Repararam?

Mudei o layout e a preguiça me impediu de digitar os posts que escrevi hoje. Outra hora, Brasil, outra hora. =*

I’ll Be Your Mirror

ft_nico

I’ll Be Your Mirror me faz chorar. Acho que só o amor de verdade consegue fazer com que duas pessoas diferentes consigam ser uma o espelho da outra. Só amando é que eu consigo ser eu mesma e ao mesmo tempo refletir o que o outro é comigo. I’ll Be Your Mirror é amor. Amor como eu acho que nunca terei… Mas eu me contento em cantar e ficar pensando nas pessoas que já refleti sem que essas me refletissem de volta.

I´ll be your mirror
Reflect what you are in case you don´t know
I´ll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home

When you think the night has seen your mind
That inside you´re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hand
´Cause I see you

I think it´s hard you don´t know
The beauty you are
But if you don´t, let me be your eye
A hand in the darkness, so you wont be afraid

When you think the night has seen your mind
That inside you´re twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hand
´Cause I see you

I´ll be your mirror
(Reflect what you are)

Velvet Underground & Nico