Sexta-FAIL

Sexta-feira. Pós prova de Realidade Socio-Economica e Política Brasileira. Bar com os amigos… 23h. Estava feliz.

Quer dizer, a mexicana da outra sala tinha chegado há pouco e podia ter sentado em qualquer lugar – eram várias mesas; muita, muita gente – mas ela sentou bem ao meu lado. Ok, ok; o papo estava legal e eu já não cultivava por ela a antipatia gratuita que durante um tempo viveu no meu coraçãozinho humano, cheio de defeitos. De repente, entre um gole e outro de Coca-cola (no alcohol to make things look better, babies!), a bonita me solta, com um sorriso de orelha a orelha:
– Nooossa, meeeu, você conhece Fulaaaanooooooo*!

Eu preciso fazer uma pausa nesse momento pra descrever o que aconteceu na mesa. Todos os meus amigos conhecem a história do Fulano. Ele é chamado de “aquele que não deve ser nomeado” e gera rodas de debate histéricas frequentemente. Quando ela disse o nome dele PRA MIM, caras de “TENSO” se espalharam pela mesa. Ninguém acreditou no que estava acontecendo. Capiau botou seu copo na mesa, Bruno engasgou com a cerveja, Tory e Francisco se entreolharam. Ninguém conseguia imaginar qual seria minha reação. Nem eu.

Sim, eu. Voltemos à mesa.
– Nooossa, meeeu, você conhece Fulaaaanooooooo!
Eu fiquei completamente sem reação. Acho que por reflexo, pra não deixá-la estender o assunto, tudo o que consegui fazer foi responder, na lata.
– É. Ele é meu ex. O ex.
Levantei da cadeira e nem vi. Olhei para os lados. Fingi arrumar o vestido. Sentei de novo. Enquanto isso, Francisco trocava olhares com a Tory e tentava arranjar alguém corajoso o suficiente pra mudar de assunto. Sim, porque nem com a minha big dica a querida mudou de assunto.
– Ah, ele é tão fofo, né? Muito fofo, já tive uma quedinha por ele, uma super quedinha, mas aí superei ficando com outras pessoas e
tudo mais..
– É, é sim, irresistível ele.
– Ah, só tem uma coisa, né? Ele é FREAK. Você sabe, né? Não que eu não goste, eu ADORO ele… Mas ele é muito freak.
– Sei… (Estava oscilando entre me dar um tiro na cabeça ou voar no pescoço dela.)
– A última vez que o vi, ele cuidou de mim… A gente saiu de balada e eu até vomitei no carro dele … (pense numa história bizarra sobre a balada e sobre ela ter passado mal – com ele cuidando.). Só sei que fomos buscar minha irmã, ele queria ver minha irmã, ele gost… (mudando o tom) Ele era amigo dela, era só pra vê-la mesmo. Enfim, ele é o cara mais fofo do mundo. Tô morrendo de saudades dele, não vejo faz tempo…
– Ah é, acho que tem mais ou menos um mês que eu pedi pra ele por favor não aparecer mais na minha frente. Tô evitando, sabe como é, ainda gosto, difícil ver e tal.
– Ah, sei como é, é foda. Ainda mais ele, ele é tão carinhosooo… Tô com tanta saudade… Tanta! Onde ele mora mesmo?
– Perto do Shopping Santa Cruz. Tá com saudade, é? Faz assim, qualquer hora a gente marca algo. Saímos os três, que tal?
– Muito legal!
– Ok, combinado então.
Ela pensou em falar alguma coisa, talvez fosse contar outra história bizarra. Olhei pro Francisco, já desesperado, e disse “Tá tarde…”. Levantamos, nos despedimos e fomos embora. MESMO.

A paz voltou a reinar na mesa… E eu, definitivamente, passei a gostar da mexicana. É, geralmente quem dá esse tipo de EPIC FAIL sou eu.

Palavra do dia:
TENSO.

*O nome de Fulano foi preservado mais em respeito a mim do que a qualquer outra pessoa. Fica a dica.

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