O dia em que eu surtei

1224603400091_f

Nota: É só mais um surto ridículo de fangirl.

Eu sempre vi milhares de pessoas famosas pela Paulista, de cantor da Fresno, ex-protagonista da malhação e ícones do underground até ator global, passando pela Monique Evans e pelo travesti do Ronaldo. Celebridades e pseudocelebridades que eu olhava, respeitava e tratava de igual pra igual. Porque eu sei que se eu fosse famosa e estivesse na minha, caminhando pela rua, jantando ou alugando um filme nos arredores da minha casa, eu simplesmente não ia gostar de uma louca surtando e pulando em mim.

Ok. Eu sempre odiei fãs loucos e ridículos.

SÓ QUE, não é segredo pra ninguém, eu já fui a fã mais alucinada do mundo. Sim. Passava o dia inteiro lendo, vendo fotos, procurando notícias, assistindo a vídeos, ouvindo a músicas. Eu era uma bitolada e meu mundo era a Pitty. Não havia uma pergunta que você fizesse sobre ela e eu não fosse capaz de responder. Passou (eu pelo menos achei que tivesse passado) quando saí da adolescência. Ficou só minha paixão doentia pelo Martin Mendonça (para os leigos, o cara mais delícia do mundo guitarrista dela). Então, até ontem, eu me considerava absolutamente curada.

521651365_ba2da96fe7_b

ACONTECEU ASSIM: Estava a caminho da estação Brigadeiro com Clara, Francisco, Tory e Leonardo, como de costume. Rigonatti me ligou, estávamos conversando, alguém falou que precisava ver um DVD e entrou na 2001. Eu fiquei do lado de fora, ao telefone. (Já estava alterada por causa da minha nota no trabalho de Comunicação Comparada que, milagrosamente, veio com um “DEZ! Impecável!” escrito e um “Parabéns!” diretamente dos lábios do professor.)

Quando desliguei e fui entrar, já sozinha, vi um cara absolutamente maravilhoso vindo na minha direção. Na direção da porta, infelizmente na verdade. E aí bateu a sensação de “nossa, conheço esse cara!”. Normal, sinto isso o tempo todo, especialmente depois que comecei a usar o Twitter, há dois anos. Mas olhei pro braço dele e vi um “Tomaz” tatuado. Tudo ficou claro pra mim. E escuro ao mesmo tempo.

 

Martin, Tomaz e a tatuagem que mudou minha vida
Martin, Tomaz e a tatuagem que mudou minha vida

PUTAQUEPARIU, MAN, É O MARTIN MESMO!!!!! Ok. Abrimos a porta ao mesmo tempo, ele acenou com a cabeça num “obrigado” e foi embora. FOI EMBORA. E eu não fiz nada. Imagina, eu? Tímida do jeito que eu sou. Burra do jeito que eu sou…  Entrei, completamente desesperada, com o coração a mil. Fui contar pro pessoal, ninguém me dava bola, ninguém nem sabia quem era Martin. E eu ainda me via obrigada a disfarçar porque, OI?, ninguém que trabalha na locadora precisava ver uma doida surtando por ver o Martin Mendonça.  Desisti de tentar contar pra alguém e fui virar pra ir embora. A bolsa esbarrou numa coluna gigante e DERRUBEI A MALDITA COLUNA. Sem que eu visse. Só escutei uns “Ariane, ariane, arianeeeeeeee” e ploft! Já estava no chão. Quando virei pra olhar a besteira que tinha feito, onde estava a coluna eu vi…

1232666709576_f

ELA! A PITTY! LINDA, MARAVILHOSA E BLASÉ COMO EU SEMPRE IMAGINEI. Em volta, algumas pessoas correndo pra levantar o que eu tinha derrubado, óbvio. Mas a Pitty estava lá. Parecia uma bonequinha, vestidinho cor-de-rosa, cabelos presos pra trás. Virei, roxa, pra Clara e falei, lágrimas nos olhos: “Clarinha, a Pitty tá aqui”. A última vez que senti isso foi quando conheci o Sérgio Mallandro e o Bozo, aos quatro anos. Com um desespero que ninguém imagina. E falei “Eu vou embora. Eu preciso ir embora daqui”. Enfim. Eu não vi mais nada. Fiquei surtando várias e várias vezes na minha, em silêncio. E NÃO FUI FALAR COM ELA. Eu li a vida inteira que ela odeia isso. Do jeito que eu estava, corria o risco de tomar uma leve cortadinha. Não queria meu ídolo me achando ridícula. (Se bem que, depois de derrubar uma coluna na locadora, certamente, se ela tivesse de ter alguma opinião sobre mim, seria essa! hahaha). Prefiro que ela continue sem saber da minha existência. 

Pausa. Eu sei que pareço uma menininha de 12 anos contando essa história. Foi como me senti naquela hora também. Gente, como eu chorei. Como eu chorei na rua, como eu chorei quando eu cheguei em casa, como eu chorei hoje de manhã quando ouvi minha mãe e minha irmã me zoando na cozinha sem saber que eu estava acordada e ouvindo. Dói ouvir algumas coisas, por mais que sejam verdade.

Eu chorei. E eu não ligo, porque eu não tive controle sobre nada do que eu senti. Fiquei sem chão como nunca tinha ficado antes. Eu, que tenho contato com gente assim o tempo todo. Eu, que  já havia imaginado a possibilidade de encontrá-la pela Paulista várias vezes, pensado numa situação absolutamente normal. Eu quase morri, de verdade. Mas quem sou eu pra falar em sanidade? Olha a cara que eu tenho tido nos últimos dias!

 

Anotem: isso é tudo que verão sobre meu aniversário nesse blog. TUDO.
Anotem: isso é tudo que verão sobre meu aniversário nesse blog. TUDO.

Podem rir de mim agora, eu não ligo. Eu sei que é ridículo, também vou rir um dia. Por enquanto, eu ainda não acredito. E o não acredito não se refere ao fato de ter visto a Pitty, não. O não acredito aqui é relacionado à minha reação. 

 

Eu não acredito que tô entrando em crise existencial por causa de um dez, um aniversário insano, um pouquinho de álcool, uma queda no vão do metrô e um encontro com meus ídolos.

Preciso de tratamento, urgente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *