Let it go

lua em 2.03.09

A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda. Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos. Chorei porque vi a lua, e a lua me lembrou de uma conversa que tive há não muito tempo com alguém que, espero, não terei conversas íntimas nunca mais.

A noite mal dormida graças às dores insuportáveis trouxe de presente uma manhã melancólica e tão dolorosa quanto a madrugada. Na caixa de entrada,  só o Personare, dizendo, infelizmente, aquilo que eu já sabia desde a cena na moto:  “transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos dias, Ariane. (…) sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! (…) não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. (…) A reflexão para o período é: do que eu preciso me libertar?” . Eu realmente estava fugindo, vide posts anteriores nesse mesmo blog. Já sabia também do que precisava me libertar. Só não sabia como.

No início a culpa era minha. Eu ia atrás da dor, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém soubesse. Ele não sabia que eu estava ali, mas eu estava. Fuçava tudo, achando que descobrir as coisas me faria sentir uma raiva inexplicável e levaria todo amor embora. Bobagem, amor é perdão, sou toda perdão, sempre fui. Descobrir as coisas me deixava mal comigo mesma, com ninguém mais. Mas o fundamental é não perdermos o respeito por nós próprios, então eu disse adeus (confesso: submissinha como nunca o fui com ninguém, esperando que do outro lado viesse um “Não, não vá, sei o que quero, quero você” – bobagem de novo, não se deve esperar que alguém te diga algo só porque você o diria). Enfim, disse que ia embora, mas isso muitas vezes o fiz: despedia-me, mas voltava antes de virar a esquina. Dessa vez fui de verdade. Achei que finalmente fosse conseguir vencer esse sentimento estranho e o “Adeus” foi com toda a convicção que ainda restava aqui dentro.

Era a vez dele ser culpado. É dessa massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade. Sempre se fez de bobo, nisso não havia novidade nenhuma. Mas achei que o bom senso se manifestaria dessa vez. Esqueci a miséria egoísta que todo ser humano é. Na verdade ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra. Ter me recolhido aos estudos me fez muito bem. Enquanto lia, fingi não notar que tudo parecia um aviso, um lembrete. Mas está tudo lá, está tudo aqui, e o pior cego é aquele que não quer ver. Eu não queria, talvez fosse uma esperança, talvez achasse realmente que isso fosse dar certo um dia. Mas agora vejo, não que isso me tenha feito bem, que não vai ser diferente do que foi até hoje. Agora sou capaz de notar o quanto tenho sido boba, o quanto muita gente o é. O que começa errado, termina errado, e errado será se tiver novas chances de acontecer, a experiência da vida e das vidas tem cabalmente demonstrado que ao tempo não há quem o governe.  O tempo vai curar, eu espero, essa ferida que tem corrido cada vez mais previsível. O tempo vai me manter forte para que eu não falhe, de novo, comigo mesma.

Sinto falta de tanta gente, de tanta coisa, que engraçada é a internet, que engraçada é a vida, que panaca sou eu. A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegado, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projecto confuso. Está tudo ali, na sua mão, e você acaba por não segurar. Está tudo disperso, tudo solto, tudo confuso, e você chora dizendo que queria ter. Nunca achei que essa coisa de Close your eyes, clean your heart, let it go fosse fácil, juro. Mas não sonhei – nem de longe – com toda essa dificuldade que tenho enfrentado. Não é que eu queira ter alguém, não, que ultimamente o que quero é que me tenham. Cansei de ser só minha, cuidar sempre dos outros e acabar esquecida. Sinto que só vai parar de doer quando ele deixar de existir pra mim. Só não vejo meios disso acontecer sem que eu aja de maneira infantil. Porque é assim que ele tem agido. Sendo infantil.

É por isso que horóscopos, em especial o Personare, me divertem. Eles dizem o óbvio, ok. Todo mundo tem algo de que precisa se libertar. Às vezes, só precisamos ouvir isso de alguém, ué. E ele diz. É só não viver em função disso. É só saber o que vale a pena ouvir. Hoje ele confirmou o que tenho pensado há tanto tempo… “Seja fiel aos seus ideais, não se contente com pouco. Avalie criticamente o ambiente e corte todas as pessoas e situações que não servem mais em sua vida, sobretudo pessoas que você não avalia como construtivas, afinal todas as relações se pautam numa boa troca. Conselho: Mantenha seu nível de exigência alto, não se contente com pouco.” Vêem? O mesmo que eu disse ontem no Twitter, ao citar Saramago. É de doer o fígado. (Mentira, as dores são por culpa da enxaqueca mesmo). É de partir o coração que, com tanta reflexão, tanta dor e sofrimento (não só psicológicos, mas físicos!) eu ainda não tenha conseguido me resolver. Eu quero meu equilíbrio de volta. Enquanto isso não acontece, quero ir logo ao pronto-socorro tomar uma injeção na veia, que a Neosaldina já não está resolvendo mais.

Observação:
O conteúdo grafado em itálico corresponde a trechos de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

O conteúdo entre aspas foi retirado do site Personare.

A imagem da lua é realmente dessa noite é foi tirada por Dave Young.

Madrugada de domingo

Terminei o livro com um estranho pesar que não saberia explicar aqui: mal o consigo compreender. Saí do quarto, pus-me de frente ao grande espelho da copa. Não gostei do que vi, nunca gosto. Senti vontade de me fechar ali para sempre – bobagem minha, pessoas com problemas realmente muito mais sérios que os meus não o fazem, por que eu, aparentemente saudável, tenho agora esse medo de encarar a vida? Voltei para o meu quarto, dirigi-me à estante dos adorados, aqueles que sempre me fazem bem. Passei os olhos sobre os títulos, nenhum me chamou dessa vez. Fiquei ali ainda alguns minutos a pensar, olhar e dialogar com eles. Talvez Cecília ou Pessoa, não, não, não estou hoje para poesia, podia tentar Flaubert, Goethe, Remarque, estão acenando de leve, são tão simpáticos… Mas não, não, não quero, simplesmente me deprimiria ainda mais, não, chega de literatura por hoje, amanha pego algo às escuras, saberei do que se trata apenas quando estiver já na faculdade. Voltei à beira da cama, sentei-me como quem senta no sofá dum desconhecido, recatada, encolhida. Olhei em direção ao meu espelho. Veja só, como mudei, como estou sempre a mudar, cada dia mais diferente e, no entanto, sempre a mesma. Ainda não sabia, mas esse pensamento me viria cutucar de novo na manhã seguinte. A mãe bateu à porta, deitou-se em minha cama como uma adolescente que vai escrever em seu diário, pediu-me um beijo. Eu te amo demais, filha. Beijei-a na testa, dei-lhe um abraço longo e silencioso. Pegou o livro que repousava ao meu lado. Em que parte estás, Já terminei, Não acredito, vives de literatura, és pior que eu, não fazes nada além disso, ler, ler mais um, ler de novo. Suspiramos as duas. Rimos as duas, ela falava de mim como se fosse diferente, não o era, a não ser pelo fato de trabalhar – mas como seu trabalho envolvia também ler e ler e ler mais um pouco, estávamos agora na mesma. Agora me fale, o que acha da cena das galinhas, acho que é na volta da moça dos óculos escuros, esse li há tempos, não me recordo bem como é, sei que há coelhos também. Pensei por um instante. Sim, sei do que falas, há peles de coelho espalhadas pela casa, pedaços de carne crua mastigados sobre a mesa, só a mulher do médico pode ver, Claro, horrível, lembrei-me dela porque no filme não aparece, Imagino, seria difícil adaptar cena assim, inclusive, falando no filme, dessa vez senti vontade de assisti-lo, sei que nunca gosto de adaptações, se foi por isso mesmo que não fui contigo ano passado, mas agora estou curiosa para saber como o fizeram, Desse gostei, acho que devias ver. Paramos as duas. Vou dormir, estou cansada, amo-te muito, Vá sim, vou também, até amanhã à noite. E ela foi. Fiquei um tempo ainda sentada, olhando em direção ao vazio, a pensar no que me tem angustiado. Melzinha acomodou-se no cantinho a ela reservado ao lado de minha cama, afofou seu cobertor e fechou os olhinhos negros e tristes. Tive pena, apaguei as luzes, achei que realmente era hora de dormir. Boa noite, Melzinha, baixei a mão, recebi uma lambidinha carinhosa, virei para o lado e dormi o sono dos descontentes, a espera do que havia de vir.

 

Pela manhã, passei pela prateleira novamente, sorteei um livro ao acaso, coloquei na mochila. Ao chegar na faculdade, depois do trajeto pelos anos 90, abri-a para ver de qual se tratava. Nada de Novo No Front. Remarque vencera. Mais um sinal de que ando reclamando demais de uma vida que tem sido até que bem fácil.

 

Não me matem por ter escrito à moda de Saramago. Estava piraaando quando rascunhei esse texto. Não quis mudar o original. Não achei bonito, fato. Mas piração é piração, prefiro respeitar. Prometo não fazer de novo. (Não prometo nada, o texto é meu, escrevo como bem entender! hahaha)

Toca, Raul!

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Eu, minha infância e minhas lembranças, divididas entre "A Verdade Sobre A Nostalgia" e "Você Ainda Pode Sonhar", nos tempos da Rua Wolstein, 74

Uma das maiores recordações da minha infância, é engraçado, é a de como eu amava ouvir as fitas do meu pai: tinha coisas loucas, sempre, mas as minhas favoritas eram  Queen, Beatles e, especialmente, Raul Seixas e Pink Floyd. O diabo é o pai do rock! O diabo é o pai do rock! Enquanto Freud explica as coisas o diabo fica dando toque! Pra mim, criança de tudo, era sensacional aquele cara gritando ali, no bom e velho português, algo sobre diabo e rock – coisas que eu, em casa, sequer podia falar naquele tempo sem ouvir poucas e boas, tamanha a rigidez de minha mãe – com aquela empolgação. Cantava junto baixinho, cantava junto escondido. – Faz o que tu queres: Há de ser tudo da Lei. Pulava ao som de Raul até sentir que  as molas do sofá de couro preto pediam socorro.

Vim assaltada por essas recordações no caminho da faculdade, meu pai, eu, a radial e o toca-fitas prata do fusquinha vermelho. Viva! Viva! Viva A Sociedade Alternativa! A vinte e oito dias de meus dezenove anos, entre o chiado da fita e o inconfundível barulho do motor do besourinho VW, comecei essa semana no início dos anos noventa. Pense num dia com gosto de infância, sem muita importância, procure lembrar: você por certo vai sentir saudades… Incrível como o mês de março para mim é sempre nostálgico, como que me dizendo, na voz de Raul: Faça uma força; você não está velho demais prá voltar e sorrir.

Eu não nasci há dez mil anos, mas aprendi de pequena que quem não tem colírio usa óculos escuros, ora ora. Como vivi Seixas! Éramos três, meu pai e seu gurgel ‘conversível’ branco, minha mãe e seu fusquinha azul, eu a cantarolar Eu sou a mosca que posou em sua sopa… Eu sou a mosca  que pintou prá lhe abusar… – cantarolar quando ainda mal sabia falar. Quantas vezes, no decorrer da minha vida (que ainda nem foi tão longa assim, convenhamos!), não aconteceu de, em diálogos com minha mãe, uma das duas aludir a Tente Outra Vez, que a vida nunca nos pareceu fácil: ela sempre trabalhando muito, eu sempre a estudar, até quando brincava. Mamãe sempre diz que essa música lhe faz bem. Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar… Não pense que a cabeça agüenta se você parar… Não! Não! Não! Realmente, sempre me lembrará a força que ela teve durante esses anos todos – e que só quem a conhece sabe quão grande realmente foi.

No alto de meus quinze anos, revoltada com a politização excessiva de alguns, alimentada pela necessidade de afirmação comum da adolescência, minha espada era guitarra na mão. É. Saía bradando por aí, não sem causar estranhamento em alguns: Se você acha o que eu digo fascista, mista, simplista ou anti-socialista, eu admito, você tá na pista: Eu sou ista, eu sou ego, eu sou ista, eu sou ego, eu sou egoísta… Por que não? Por motivos diversos, mesmo depois de mudar muito, concluí hoje, parada num farol da Avenida Rebouças, cabeça entre noventa e uns e 2009, que essa é ainda a música que melhor me sintetiza. O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço.

Estávamos já chegando à Faculdade de Educação quando começou a tocar Metamorfose Ambulante. Nem meu desprezo por Paulo Coelho, nem minha espécie de ‘TOC’ quanto à regência do verbo “preferir” me impedem de gostar dela – talvez porque ambas as informações me tenham chegado ao conhecimento depois da própria música, que eu tenho impressão de ouvir desde muito antes de compreender qualquer palavra. Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo… Engraçado como mudei, como estou sempre a mudar, cada dia mais diferente e, no entanto, sempre a mesma. A memória, a essência, o caráter,  os princípios (agora não tão inocentes quanto antes)… Tudo intacto aqui dentro.

Hoje podia ser domingo, segundo de janeiro, pra mim vai dar no mesmo lugar: vai dar na minha alegria. Eu não quero mesmo nada, eu não tenho nada a ver com isso. Às seis e dez da manhã, o motor do fusquinha 68 se desligou completamente, e eu sorri por dentro, um sorriso de gratidão, porque não há prazer maior que saber que devo a Raul todo esse meu amor ao rock. Demos sorte, nós que tivemos essa oportunidade. Tem gente da minha idade que diz ser do rock graças ao som de Avril Lavigne – não estou brincando nem sendo preconceituosa, é só somar dois e dois pra ver que realmente posso me considerar privilegiada. E sobraram lições, pra toda vida. A de que hoje me valho, todo um contexto que aqui não cabe explicar leva-me a isso, é uma das melhores: Se o rádio não toca a música que você quer ouvir, não procure dançar ao som daquela antiga valsa! Não! Não! Não! É muito simples! É muito simples! É só mudar a estação, é só girar o botão…

Todo Mundo Está Feliz Na Terra, penso. E aí, casperiana sem lar, como me intitulei ano passado numa carinhosa alusão à Raulzito, eu saio do carro, pronta pra mais um ano. Cansei de passar os dias só, sem ter ninguém. Vivo a sofrer, me lamentando, também procurando toda verdade esquecer. Penso nas últimas ilusões que vivi enquanto subo as escadas do prédio deserto do bloco B. Eu posso ficar melhor sozinha. Quando eu me sentia caída você me botava pra baixo,tão pra baixo… Você tem sido uma pedra bem no meu caminho, e eu nunca tive coragem pra dizer. Eu realmente não preciso de você… Tento me convencer. Todo homem tem direito de pensar o que quiser. Agora é que o ano começa de verdade. E eu fico imaginando quantas vezes a voz de Raul ainda não fará todo o sentido do mundo para mim nos momentos mais aleatórios… Gente é tão louca… E no entanto tem sempre razão.


É tudo verdade

Às vezes algumas lembranças me vêm à mente e a única vontade é a de dizer para mim mesma que não aconteceu, não está acontecendo, nada disso é real. Só que, dizendo isso ou não, é fato, tudo continuará da mesma maneira. Tudo irá seguir, os problemas e as soluções, as alegrias e tristezas. Tudo está ali, ignorando ou não. É tudo verdade, então eu prefiro encarar.

Desculpem-me se tenho sido uma chata que fala sempre das mesmas coisas, que tem sempre as mesmas reclamações – ou reclamações novas sobre assuntos antigos. Desculpem-me, só tenho evitado fugir do que me atormenta. Porque fugindo ou não, continuará me atormentado, ora vejam.

Eu juro, por tudo que há de mais sagrado, que tenho tentado mudar. Não por ninguém – que não conheço alguém digno de me exigir algo do gênero – mas por mim, porque eu quero e preciso ser feliz agora, o amanhã, para qualquer um de nós, pode ser nunca, quem conhece o futuro?

Desculpem-me. Tenho sido uma chata. Mas não, isso não vou mudar. Não por enquanto. Aos incomodados: podem se afastar, não ficarei magoada, respeito o espaço e a decisão de cada um. Aos chatos, insistentes, invejosos ou implicantes apenas por prazer pessoal… Fodam-se todos, encho minha boca para dizer. Cansei de viver preocupada com o juízo que farão de mim. No fim, já reparei, o único juízo que me interessa é aquele que eu mesma tenho a meu respeito – e muitas vezes, nos últimos tempos, ele foi negativo porque me deixei tomar por uma estranha necessidade de fazer feliz a outro, que não eu.

Não sei porque falei tudo isso. Em todo caso, Eu vejo: é tudo verdade. Não adianta correr, todos sabemos. A vida está aí, a felicidade nunca é plena, é só um conjunto de momentos. Então estou por aqui, quem quiser ter momentos que eu possa guardar no meu conjunto assim denominado, só ligar, mandar scrap, email, direct, reply, sinal de fumaça, qualquer coisa que o valha. Encontrando-me na calçada, não se assuste se eu lhe der um abraço íntimo e apertado. Também não me julgue caso não o reconheça ou simplesmente dedique a você meu silêncio. Não escolho a reação que tenho diante das pessoas, apenas vivo-a. E acredite, até hoje, tem sido melhor assim.

Eles têm sempre a razão

de Vinícius e Tom:

haja o que houver
há sempre um homem para uma mulher
e há de sempre haver
pra esquecer um falso amor
e uma vontade de morrer
seja como for
há de vencer o grande amor
que há de ser um coraçao
como perdão pra quem chorou

E quem sou pra discordar?