Vizinhos

A distância os incomoda. São vizinhos de planeta, afinal. Normal querer estar perto de quem se gosta.
E mais perto. Ainda mais. Quando seu físico alcança o limite da proximidade, querem aproximar-se por dentro. Mais. E mais. Mais um pouco. Um quer tanto o outro que o devora. Cada detalhe de sua existência. Quer tanto que o assimila. Que se vê com as mesmas características. E aí, um dia, de repente, um se vê no outro. Assim, simples. E os dois viram um.

Sem que para isso deixem de ser completamente diferentes. Ou distantes.
Sem que deixem de ser apenas vizinhos de planeta.

Reflections of a Skyline

Algumas coisas nos dizem tanto… Tanto… Que a única reação é não conseguirmos dizer nada. O curta Reflections of a Skyline é uma dessas. Lindo de morrer de amor, eu diria, se não o tivessem dito por mim. E quantas vezes eu já não quis morrer de amor?

Dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes, o curtinha foi gravado num telhado em Londres, durante um dia. Atuando, Christopher Dunlop e Fiona Pearce. Sonoplastia de Richard Sprenger. Vale a pena separar cinco minutinhos pra assistir. Desculpas àqueles que não entendem inglês. 🙁

(Confesso… Às vezes até o mais doloroso me faz falta. Amar é muito bom, amar… Tão tolo quem diz “não” ao amor. Tão tolo… A gente nunca sabe quando – e se – ele vai voltar.)

Via vimeo.

Monique

Sentou ao meu lado e observou atentamente o que eu lia e escrevia sem que eu notasse sua presença. Foi só ao final da aula, quando a bateria do notebook acabou, que notei quem era. Linda, lindíssima. A pele clarinha, as ondas ruivas presas num rabo-de-cavalo. Querida, como não? Se não tínhamos mais intimidade era porque as circunstâncias (tempo, habilitações, idade, gostos, companhias) não contribuíram.
Quando levantou a cabeça, os olhos encontraram os meus. Sorriu como ninguém o faz. Aquele sorriso lindo era dela, só dela. Deu um “oi” e um beijinho alegre, perguntou-me como andavam as coisas na Cásper e calou-se de novo. Segundos depois, como que do nada, disse “O negócio é se entregar à vida acadêmica, sabe? Homens não estão com nada…”. Concordei com um sorriso. Ela continuou. “Sério. A pior coisa do mundo é homem galinha”. “Não”, retruquei, “a pior coisa do mundo é homem que não sabe o que quer”.
Paramos por um tempo, a professora falando em Latim lá na frente, ela dizendo “ou estudo muito, ou viro lésbica, assim não dá mais pra ficar”. Tive vontade de me oferecer pra testar a segunda opção, mas a sensatez falou mais alto e preferi responder a verdade que ela precisava ouvir: Mulher também dá muito trabalho. Rimos de novo. Acho que ela finalmente se sentiu à vontade de vez para desabafar. “Acredita que fulano, depois de um ano e meio de namoro, pediu um tempo porque ‘estava confuso’? Quer dizer… ‘Eu estou confuso e prefiro não me comprometer pra não te machucar’. Acredita???”. Ri alto. Ela não entendeu. “Acredito”. “Estou falando sério! Ele disse exatamente desse jeito!”, “eu sei, não ri de você. Ri porque estou passando exatamente pela mesma coisa”. E ela começou a contar toda sua história, suas mágoas, o tradicional “Eu nunca me apaixono, desta vez estou apaixonadinha e ele me faz isso!”. Tive vontade de dizer algo, mas preferi calar. Deixei-a contar sobr eo ex, sobre como ele era apaixonado por ela, como era amigo e não merecia ter sido trocado pelo queridinho em questão. Mas ela se apaixonou. O ex era amigo, esse não. Esse era uma paixão. Com o ex tinha acabado o tesão, a química. A amizade tem dessas coisas. “E ele, tão lindo, tão fofinho, ele jurou que não quer ficar com outras, são só amigas, o tempo é pra ele pensar, mesmo… Mas elas são tão lindas, poxa…!”. Quis sacudi-la, dar-lhe um tapa na cara. Ela é a menina mais linda da Letras, qualquer um concorda comigo. Mas deizei. Eu sei bem o que faz o amor. Disse apenas que era “assim mesmo, difícil, porque quando estamos apaixonadas, não importa a droga que nos façam ou se as evidências estão ali. Nós QUEREMOS acreditar que nos amam tanto quanto os amamos, e eles não fazem questão de dar o chute final”. Então voltamos a falar sobre trabalhos, Cásper, professores em comum, o que viesse. O tempo da aula acabou, não se ouvia mais nenhuma palavra em latim, arrumamos nossas coisas. Demos abraço e beijinho de comadre. “Boa sorte com sua reportagem!” ela disse, fazendo com que eu lembrasse dos 3000 caracteres pendentes cujo deadline se aproximava cada vez mais. “Obrigada! Se cuida!”. Eu não soube falar nada além disso. “Se cuida”. Por isso quase não tenho amigos. Em silêncio no carro, minutos depois, ri alto de novo. Por que é que a gente sempre pensa que algumas coisas só acontecem conosco? Quer dizer… “Eu estou confuso e não quero me comprometer agora, não quero machucar você”. Exatamente as mesmas desculpas. As mesmas neuras. As mesmas dores. Tudo igual. Acontece comigo, a gordinha nerd, e acontece com ela, a menina mais linda daquele lugar. Sem restrições ou diferenças. O amor é pra todos, a desilusão também. Que merda. Até as mesmas desculpas eles usam. Ou não, ou é tudo verdade. Se sim, PAREM AS PRENSAS. Alguém precisa desconfundir um pouco os homens desse mundo antes da vida continuar.

BLUE PUB

Segunda-Feira

Prato do dia

Porção de batata-frita sabor italiano

PROMOÇÕES

Uma loira deliciosa por conta da casa

Pague as caipirinhas, leve as pernas bambas

(ps: Adoro batata-frita, ok?)

cada dia mais…

Já quis tanto você…

Engraçado: pensar em você dessa forma é mais pensar em mim do que em qualquer coisa. Lembrar de todo gesto, todo carinho, do elevador, do carro, dos estacionamentos, dos livros, da rua, da escada rolante, dos cafés, do edredom cor-de-rosa, das goiabinhas… de tudo. Tudo que foi e tudo que podia ter sido. Tudo sou eu tanto quanto é você. Mas nada nunca me parece nem um pouco com o que um dia chamei de “nós dois”. No entanto, foram os únicos momentos em que isso existiu.

Coração

20090321232749É isso, o coração é essa coisa mole que faz a gente chorar às cinco da manhã por saber que não há ninguém do outro lado. Do telefone. Do computador. Da janela. Não há ninguém em lugar nenhum. Pelo menos ninguém que ele esteja esperando. Não há ninguém que o ame, ninguém que ele ame em troca. O coração é essa coisa dura que nos força a sentir o que ele quer, na hora em que bem entende. Ele nos enche de esperança na vida, depois nos faz desejar a morte como quem nunca teve esperança nenhuma. Nem ele mesmo é capaz de se limitar. Limites. O coração não conhece limites. Pelo menos o meu, não. E eu sofro. Sofro, porque tenho um coração maior que o mundo – e ele nem se preocupa em saber o que eu quero, como me sinto. O coração é arma do demo. Tira do sério.

E o pior, pior de tudo, é que ninguém acredita quando eu digo. Todo mundo acha que o coração é só uma bomba que nada tem a ver com as desventuras dessa vida.

O que eles não percebem é que, numa segunda-feira pela manhã, eu jamais estaria chorando assim se ele, o coração, não perdesse o ritmo, apertasse forte e, de repente, disparasse, como quem quer alcançar o primeiro lugar duma corrida contra ele mesmo. Não veem que, até quando a gente fecha os olhos e dorme, quando todo o corpo descansa, o tinhoso continua lá, funcionando, maquinando, agitando tudo com seu vem e vai.

Ah, o coração… Coisa do demo.

Aspas

“Você entende que eu não fui de ninguém esse tempo todo?”

Entendo, mas não espere que isso me console. Não me interessa que outros não o tenham possuído, eu também não. Eu sou como qualquer uma que possa ter passado pela sua vida. Você não foi de ninguém, enquanto fingiu ser meu. Daí, pra tentar me consolar (!) e me convencer de que somos melhores juntos, você me diz isso. “…não fui de ninguém o tempo todo”. É, você, definitivamente, não serve pra consolar nem convencer ninguém.

Mas serviu pra me fazer enxergar a verdade, por mais dolorosa que esta seja.

Acordando

É domingo, a realidade bate à porta, a vontade de gritar por socorro vai embora e eu acabo mesmo é me entregando ao chororô.
Mas vale a pena, vale a pena pensar na verdade, em como a vida é o que é. Não tem essa de “apaixonando” não, o que eu preciso é de um banho de realidade desses todos os dias. Ele não está a fim de você. Eles não estão a fim de você. Eles não estarão a fim de você.

Fodam-se todos os homens e mulheres, eu bem vou ficar sozinha, engolindo a carência. =)

A propósito, eu já disse que odeio comprar roupas? Pois odeio. Odeio profundamente, só não odeio mais do que esse meu azar com o amor.

auto-retrato

Impulsiva. Passional. Nem se recuperou de uma paixão louca ainda e já está lá, imersa numa pseudo-paixão nova, cheia de suspiros, risinhos, vontades. Sem nenhuma expectativa, mas sempre falando demais – que é pra estragar tudo antes da hora. Afinal, de novo ela entrou no campo complicado da amizade, do semi-beijo distraído no canto do lábio, do cara mais velho, da idéia errada de que um dia uma dessas loucuras pode dar certo.

E depois ainda diz que não é masoquista.

O que a gente diz pra ela? Boa sorte, amiga.
Não custa deixar a pobre tentar, né? A vida taí é pra isso.