Coração

20090321232749É isso, o coração é essa coisa mole que faz a gente chorar às cinco da manhã por saber que não há ninguém do outro lado. Do telefone. Do computador. Da janela. Não há ninguém em lugar nenhum. Pelo menos ninguém que ele esteja esperando. Não há ninguém que o ame, ninguém que ele ame em troca. O coração é essa coisa dura que nos força a sentir o que ele quer, na hora em que bem entende. Ele nos enche de esperança na vida, depois nos faz desejar a morte como quem nunca teve esperança nenhuma. Nem ele mesmo é capaz de se limitar. Limites. O coração não conhece limites. Pelo menos o meu, não. E eu sofro. Sofro, porque tenho um coração maior que o mundo – e ele nem se preocupa em saber o que eu quero, como me sinto. O coração é arma do demo. Tira do sério.

E o pior, pior de tudo, é que ninguém acredita quando eu digo. Todo mundo acha que o coração é só uma bomba que nada tem a ver com as desventuras dessa vida.

O que eles não percebem é que, numa segunda-feira pela manhã, eu jamais estaria chorando assim se ele, o coração, não perdesse o ritmo, apertasse forte e, de repente, disparasse, como quem quer alcançar o primeiro lugar duma corrida contra ele mesmo. Não veem que, até quando a gente fecha os olhos e dorme, quando todo o corpo descansa, o tinhoso continua lá, funcionando, maquinando, agitando tudo com seu vem e vai.

Ah, o coração… Coisa do demo.

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