Pela manhã

Foi uma noite linda, apaixonante, não queria deixar a alegria acabar. Quis que o tempo parasse, como quando era criança. Que bobinha. Resolvi pedir ajuda. Agarrei-me a Rubem Fonseca e deixei-o tomar conta de mim. Deixe que tome conta. Já não sou mais a mesma de um ano atrás. A menina que grifava livros, alguém poderá dizer um dia. (Como sou bobinha!) Apaixonante esse Fonseca, meninos. Recomendo. Fazia tempo não o lia. Posso apostar que desde o Ensino Fundamental. Quem quiser me encontrar, sabe exatamente onde. Continuo imersa nos carinhos e nos cheiros de ontem. Na ironia da vida com música e situação repetidas. Fonseca me acompanha. Com licença, desculpem a ausência. Errado é não viver a vida. (Louca, completamente louca, podem falar.)

Foto por Hophopscotch

Encontro

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Ela volta do jantar solitário, cabeça nas nuvens, pasta sanfonada na mão, coquezinho-secretária, óculos embaçados pelo rímel recém-passado. Malditos cílios gigantes que sempre esbarram nas lentes… Não é um de seus melhores dias. Confusão mental, a sempre triste confusão mental.

Caminha olhando para cima, sempre. Não por arrogância ou esperança, mas porque, inexplicavelmente, há algum tempo já não há o que lhe fascine mais que o céu. Especialmente o céu logo acima da torre da Gazeta, sua torre, pedacinho da sua vida. De repente, uma voz a tira do transe.

– Olá, você vai atravessar a avenida?
A velhinha sorri afetuosamente.

– Vou sim.
A resposta vem ainda com algum receio. Não gosta de contato com estranhos. Tem dificuldade pra conversar até com conhecidos…

– Me ajuda a atravessar? Fico tão receosa…
A doçura da senhora a conquista. Faz que sim com a cabeça e volta os olhos para o farol.

– Você trabalha por aqui?
– Estudo na Gazeta
– Cursinho?
– Não, Jornalismo…
– Jornalismo… É uma bela profissão para as mulheres. Em que ano está?
– Segundo.
– E como é o campo?
A pergunta do campo. Do mercado de trabalho. Sempre a pergunta do mercado de trabalho. Responde qualquer coisa, deseja não ter parado ali. Odeia falar sobre área de trabalho, campo, especialização… Todos sempre lhe torcem o nariz ao ouvir suas opiniões e opções.
O sinal abre. Coloca a mão nas costas da velhinha e atravessam, enquanto, cachinhos brancos ao vento, vestido floral, a idosa continua:

– A filha do meu irmão fez jornalismo. Trabalha naquela revista… como é… Valor, conhece?
– Economia?
– Isso, isso! Trabalhava na Gazeta Mercantil, mas recebeu uma proposta mais lucrativa, sabe como é, dinheiro a mais é sempre bom… Ela adora economia. Você… Tem alguma área de interesse em especial?
– Tecnologia.

Chegaram ao outro lado da Avenida. Paradas em frente ao Top Center, as duas se entreolham.

– Você tem mesmo cara de quem gosta de tecnologia, como não pensei nisso? Sério…
– Obrigada…

A dona da cabecinha branca olha para os lados como quem não sabe para onde vai. A idade tem dessas coisas. Por um instante, fica com as mãos no queixo. Solta de repente e puxa a garota, que recebe um afetuoso beijo no rosto.

– Sucesso, menina! Sucesso! Você merece muuuuito sucesso! Obrigada, obrigada mesmo!

Ainda assustada com a estranha alegria advinda apenas de alguns segundos de atenção, sorri. Agradece. A confusão já não está mais dominando sua mente. Só consegue se sentir contagiada pela felicidade e pelo carinho da terna desconhecida.

– Mulheres! Mulheres! Sucesso, hein?, ainda gritava a senhora, parada entre a banca de jornal e o ponto e ônibus.

A garota continua seu caminho, passando pelo escadão, até chegar à Faculdade Cásper Líbero. Ah, a Cásper… Sorri para o segurança, cumprimenta o bedel com quem dividiu a viagem elevador e, como se fosse outra pessoa, passa o fim de sua segunda-feira esperando o melhor – não dos outros, mas de si mesma.

Senta em frente ao seu computador para fazer um trabalho, para, de sopetão, por um instante e, de repente, passa-lhe uma ideia louca pela cabeça. Ah, tolinha. Esqueceu de perguntar o nome daquela que por muito tempo ainda irá figurar em seu pensamento lembrando-a de sorrir pra vida…

Quem a vê assim já não sabe mais dizer quem ajudou quem.
Mas qualquer um apostaria que quem mais ganhou nisso tudo foi ela, que, perto de seus vinte anos de idade, andava sofrendo sem porquê.

Foto por Raphael Strada.

Coisas que uma garota piegas não deve ler

The Blissful Art of Being and Breathing

We must not allow the clock and the calendar to blind us to the fact
that each moment of life is a miracle and a mystery.
– H. G. Wells

One warm evening nine years ago…

After spending nearly every waking minute with Angel for eight straight days, I knew that I had to tell her just one thing. So late at night, just before she fell asleep, I whispered it in her ear. She smiled… the kind of smile that makes me smile back. And she said, “When I’m seventy-five, and I think about my life and what it was like to be young, I hope that I can remember this very moment.”

A few seconds later she closed her eyes and fell asleep. The room was peaceful… almost silent. All I could hear was the soft purr of her breathing. I stayed awake thinking about the time we’d spent together and all the choices in our lives that made this moment possible. And at some point, I realized that it didn’t matter what we’d done or where we’d gone. Nor did the future hold any significance.

All that mattered was the serenity of the moment.

Just being with her and breathing with her.

do Marc and Angel Hack Life, Practical Tips for Productive Living

Eu chorei. Loucamente.

Nos últimos dias…

Nos últimos dias estive perdida. Chamei Thierry de Thiago, Giancarlo de Gianvitor, caí no vão do metrô, entre o trem e a plataforma. Falei absurdos, cedi a suaves paixões, senti atrações incontroláveis, disse “eu te amo” a alguém. Nos últimos dias chorei de saudade, corei em frente ao computador, desejei loucamente um abraço, *aquele* abraço, e esperei pacientemente por um futuro que, eu sabia, não estava por vir.

Nos últimos dias senti mais carinho pelos outros, desejei mais vezes ser amiga e ajudar alguém, saí com mais pessoas, comi, bebi e ri sempre mais do que de costume. Nos últimos dias meu coração entrou num turbilhão que chocava desejo, amor, amizade, paixão – e eu não soube, talvez, expressar ternura, saudades, tesão e amizade como desejava.

Nos últimos dias li demais, fui eu mesma como sempre, só que eu estava intensa como nunca, só isso. Nos últimos dias houve melancolia, carinho, revelações, adeus. Ganhei novos amigos, notei que já tinha alguns a quem não dava o devido valor.

Nos últimos dias reparei que já vivi bastante. Não o bastante, não o suficiente. Apenas mais do que imaginava ter vivido. Percebi que não sou tão ingênua quanto julgava. Que uns tapas na cara quase sempre fazem bem. Gastei dinheiro, chorei mágoas, ri e fiz os outros rirem das minhas alegrias e das minhas desgraças.

Nos últimos dias contemplei a existência humana de maneira engraçada, como se não fizesse parte dela. Sorri para desconhecidos, ignorei o ódio que sinto de minha imagem e me deixei ver e ser vista. Coloquei ideias em execução, controlei a libido que me parecia mais à flor da pele do que nunca, descobri que ainda não encontrei o amor da minha vida – que talvez nunca encontre – e socorri uma amiga acidentada.

Nos últimos dias me peguei erroneamente a uma obsessão pela dignidade. Bobagem minha: constatei que quanto mais situações indignas eu vivo, mais posso dizer que fui feliz. Esse negócio de dignidade não é pra mim, não, é para os outros. E eu cansei de fazer coisas pra quem não me liga a mínima.

Nos últimos dias senti ciúme como se fosse a primeira vez. Dei vexame, falei besteira, passei da conta. Vivi excessos, um inferno astral e tpm constante. Pensei em desistir. Forcei-me a continuar. Tomei nem sei quantos pitos da vida. “Olá, amiga, isso aqui é a relaidade!”. Mas minha realidade nem por isso deixou de ser completamente semelhante à ficção, à literatura e ao cinema, os mais piegas que você puder imaginar.

Nos últimos dias deixei meus dezoito anos para trás como que projetando-os para um futuro nãotão distante. Nos últimos dias, caros amigos, eu vivi. Melhor, percebi que estava viva. E vi que isso, apesar das constantes mágoas e sequelas, era bom.

Decadência

a palavra ideal pra marcar o adeus-dos-18-olá-dos-19. mas eu falo sobre isso outra hora.

só posso dizer uma coisa: sou tão forte e tão fraca que até me dói.

Situação-limite

Lei de Murphy impera, é fato. Saudades, ausência, amigos me encontrando acabada…

Os hematomas pelo meu corpo me lembram que o aviso de “Cuidado com o vão entre o trem e a plataforma” não é tão sem sentido assim.

E aí eu agradeço a Deus por ser tão gordinha. Sério. Podia ter sido bem pior.

Resolução para os 19 anos: Mais atenção, menos álcool. E cuidado com o vão entre o trem e a plataforma.

Engraçado…

Acho que, pela primeira vez nesse ano, minha inspiração virou uma espécie de diálogo, não um post pra esse blog.

De qualquer forma, quem sabe um dia, quando a poeira tiver baixado, eu não poste ele aqui?

Quem sabe…

#mimimi

pals

She had an earthquake on her mind
I almost heard her cry out as I left her far behind
and knew the world was crashing down around her

I sink to the ocean floor because I know that we are more but
I’ve made this mess
I built this fire, Are you still mine?

Cause baby I’m not all right when you go
I’m not fine, Please be all mine
I never want you to go because I am all yours so please be all mine.

She had an earthquake on her mind apparently the kind that would
bury us alive

by putting all this weight on us forever
I lie here on the ocean floor broken castle by the shore and
I made this mess
I built this fire, Are you still mine?

Let me save us
I’ve slaughtered us, I’ve murdered our love
I can taste it, This blood in my mouth
This knife in my lungs
Have I murdered our love?

Please be all mine…

imagem via A Softer World

Ainda pulsa

Está doendo um pouquinho. Só um pouco. Só o suficiente pra acelerar o coração e colocar algumas lágrimas no rosto. Acho que acontece, é normal. Devem ser os hormônios. Malditos hormônios. Internet é um veneno. Caralho, como é possível? O amor é importante. Porra. Que moral você tem pra dizer isso? Só teve até hoje pena e amor próprio. Meu coração dói, que estranho. De novo aquela necessidade de colo. De novo o aperto geral, a vontade de me comprimir todinha, todinha, até desaparecer. Acho que eu preciso de um abraço. De um beijo com paixão. Com carinho. De alguém me dizendo no ouvido que tudo vai ficar bem. Pelo menos dessa vez, eu queria sentir que fui lembrada. É. Queria me sentir um pouco menos objeto… É. Eu ainda tenho um coração.

Às vezes eu acho que as pessoas se esquecem disso. E ele – coração burro da porra! – faz questão de continuar sentindo, e sentindo, sentindo… Armadilha do demo.

Eu não quero mais chorar. Não. Não quero.
Tirem a dor daqui.

Me pinta de rosa

Tô bege, amiga!

(Não sou o tipo de garota fresca que chora até pra aparar as pontas, mas… PUTAQUEPARIU, CADÊ MEU CABELO???? *desesperada*)