Os momentos em que me dou conta de que não fui nada pra ele são interessantes pelo fato de que eu me sinto sem chão, completamente. Um lixo humano. Mas quanto mais eu vejo que fui insignificante, mais quero provas disso. E leio, releio, fico me remoendo. Sinto ódio de mim, e o amo ainda mais. E aí sinto que, comigo, nada do que ele viveu foi importante. Paro pra pensar. Se for pra ser sincera, não foi importante mesmo. Não pra ele, que já viveu tudo isso antes. Se o foi pra mim, é porque foi novo. É porque me contento com migalhas. É porque tenho vocação pra mendigar amor. E certamente o fato dele não ter curtido é culpa minha. Entro em transe. Daqui a pouco já estou conformada, daqui a pouco já me perdoei, esqueci que ele não me ama e estou morrendo de saudade dele de novo.

 

É sempre assim.

Amado

Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu

Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém

Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer

Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus

Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só

Esperando um sim ou nunca mais

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você

Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer

Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação
, milagres do amor
Sinto uma extensão divina

É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você

Sempre achei que essa música dizia tudo – desde a primeira vez em que a ouvi, no carro da Aninha, numa tarde quente e feliz a caminho da Augusta. Eu, que nem gosto de Vanessa da Mata… Agora a letra faz mais sentido que nunca. Essa entra pra lista das versões que eu TENHO que fazer quando tiver uma câmera decente pra gravar.

Sacrifícios

escape

Engraçado, porque acabo de falar sobre sacrifícios/escolhas no outro post, e também porque estava agora mesmo viajando no postsecrets como se tivesse escrito mais da metade daquelas imagens. Engraçado. Os grifos são meus. 

Carta do Dia:    O Homem Pendurado
Descobrindo a importância dos sacrifícios

A palavra “sacrifício”, associada ao arcano XII do Tarot, é geralmente mal compreendida, Ariane. As pessoas a associam a algo “ruim”, justamente porque vivemos numa sociedade que valoriza o fácil, que estimula o comportamento preguiçoso. Todavia, esta palavra nasce da união dos termos “sacro” e “ofício”, ou seja, “trabalho sagrado”. Muitas vezes nos vemos em posição de impotência e somos levados a sacrificar alguns sonhos e a entender que, por mais poderosos que sejamos, existem circunstâncias em que simplesmente nada ou pouco podemos fazer. O Homem Pendurado emerge então como carta conselheira do Tarot para este momento de sua vida, sugerindo a necessidade de cultivar a espera e entender que a impotência é, antes de tudo, uma lição de humildade. Tudo passa e você certamente se abrirá a tempos melhores no futuro, sentindo que seus planos (no momento paralisados) fluirão a contento. 

Conselho: Procure meditar a respeito das coisas que interiormente lhe bloqueiam.

É assustador porque é incrivelmente parecido com o que eu quis dizer ali embaixo, minutos atrás. Enfim. É a vida.

Estreante

Vi as fotos de um casal (até bem conhecido na bobosfera blogosfera) que eu, particularmente, considero muito fofinho. O amor dos dois é  estampado em seus sorrisos, sabe? Ver todos aqueles momentos deles juntos… Uma vida, gente. Uma vida. E eu desejei um amor desses pra mim. Sem inveja deles, numa boa. Eu só desejei o que muita gente deseja a vida toda e não tem: amor mútuo. É. O que vai e volta. Aquele que é tão verdadeiro e tão natural que todo mundo vê no olhar dos dois. Eu só desejei que, algum dia, numa dessas minhas entregas totais e profundas, a pessoa do outro lado se entregasse também. 

Deitei a cabeça no travesseiro e as lembranças que tem me acompanhado com uma certa frequência voltaram a dominar meu pensamento. Festival de risadas, provocações, situações embraçosas, noites no carro, no escadão, no pub, tardes de amor, coisas nossas. Das primeiras às últimas. E eu senti falta, como era de se esperar. Quando a gente abre mão de algo que gosta muito, por mais que seja pelo nosso próprio bem, sentir falta é inevitável

(Foi assim com o teatro, com a música, foi assim com muitas coisas na minha vida. E acredito que ainda será com muitas mais. A vida é feita de escolhas, sobretudo. Porque conquistamos muita coisa, mas ninguém pode ter tudo. Não cabe no tempo, no espaço, não cabe na cabeça e nem no coração. E eu sou a prova viva de que, quando tentamos abraçar o mundo, quando se tenta ter tudo que se quer de uma vez, por maior que seja o esforço em manter as coisas bem, além de nada sair bom o suficiente, a piração é quase certa. )

Talvez por isso eu tenha chegado à conclusão que cheguei. Talvez por isso tenha entendido que agi da maneira correta, pelo menos até agora. Não posso me cobrar tanto por ter sido imatura. Foram muitas experiências novas de uma vez, não sou obrigada a nascer sabendo lidar com tudo.

A verdade segue mais ou menos por esse caminho. Quer dizer, todas essas coisas pelas quais tenho passado… Eu passaria por elas de qualquer jeito algum dia, com alguém. Não posso culpar a ele, nem a mim. Ok, vou me dar o direito de lamentar minha imaturidade porque acho que, caso já tivesse alguma experiência, talvez as coisas tivessem um final (ou mesmo um curso) diferente. Se bem que aí entra também a idéia de que, caso eu já tivesse alguma experiência, as coisas poderiam não me parecer tão maravilhosas assim…

Então não vale a pena ficar formulando hipóteses. “Mas e se eu não tivesse cobrado?”. “E se eu tivesse experiência?”. “E se eu tivesse cedido?”. E se, e se, e se… Não vale a pena. As coisas já aconteceram. Não teriam acontecido de outra forma. Tudo é o que tem que ser. Eu sempre soube disso. De repente, entro nessas paranóias irritantes. Eu cobrei. Cobrei porque tenho princípios, e meus princípios exigiram isso. Meus princípios, que eu inclusive traí várias vezes por ele não ter cedido à cobrança. Mas tinha que ser assim. De outra forma, eu não teria aprendido. Pra tudo na vida se tem uma primeira vez. Geralmente não é das melhores – é só pensar no meu primeiro beijo, no primeiro dia na faculdade, no primeiro evento que cobri… É só pensar no meu histórico que eu aceito isso facilmente. 

Sou uma péssima estreante. Péssima. Mas sempre me dedico ao máximo pra que tudo fique bom no menor intervalo de tempo possível. E acho que isso é tudo que posso fazer, seja por mim, seja pelos outros.

Agora me fala, por que será que é tão difícil aceitar essas coisas, se a gente sabe delas a vida inteira?

 

E assim eu sigo esperando. Esperando a minha estréia como a amada. 
É tudo que eu mais quero no mundo: Não alguém que me prometa nada, nem que fique dizendo que me ama, mas alguém que me ame de verdade e não precise de mais do que um sorriso pra me dizer isso.

Acho que é necessário cumplicidade, companheirismo, é necessário compartilhar.

(Eu sei que eu me iludo facilmente com palavras, como foi da última vez. Mas estou aprendendo ainda. Vou conseguir parar de pensar nele um dia, é só que é tudo muito recente.)