O retorno

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Nos últimos dias, enquanto lia, tinha ímpetos de correr para o computador – não sabia bem o porquê. Depois de abrir email, reader, orkut e todas aquelas parafernálias online a que estou acostumada, sentia uma imensa insatisfação – também inexplicável. Desligava tudo e voltava, fiel, à leitura que inspirara o acesso.

A verdade é que o amor, quando amor, não passa mesmo de um conjunto de clichês. Por isso, ao ler romances, contos, crônicas, poesias, frases que remetam a esse assunto – estando apaixonada – acabava rolando uma identificação absurda. Aí corria para o mundo paralelo. E puf! “Ele” não estava mais lá. Nunca mais estaria, fui eu mesma quem o expulsou, ora vejam.

Foi a lição mais dura que tive nos últimos tempos: O amor só é bom quando é a dois. Ou não, que não falo aqui por todos os amores e amantes que existem (será que alguém tem noção de quantos são?), apenas por mim e pela minha maneira de sentir. Na minha situação, o amor só seria bom se fosse correspondido. Não era. Não era posse também – que isso o amor nunca é, quem disser que sim está confundindo.

Então, lá vou eu, de volta aos romances, às lágrimas. Soube, finalmente, que deveria curar o sofrimento. Que não era saudável. Que poderia ser evitado. Eu lembrei, depois de tanto tempo, o quanto isso é normal. Voltei às minhas companhias habituais. Papel, caneta, poucos e bons amigos de verdade. Música, literatura, poesia, fotografia… Com muito esforço, uma gotícula de amor próprio. Que sem isso é impossível conseguir.

E já não me sinto vítima de uma obssessão. Não. Agora meus sonhos mudaram, agora até dormindo eu consigo dizer não ao que antes não podia resistir. Sim, porque antes eu tomava o veneno sabendo do seu efeito nocivo – apenas porque o amor exigia de mim um segundo de êxtase mesmo que esse segundo viesse aliado a anos de agonia.

Curada não estou. Mas o processo de resguardo que precede minha cura agora é bem menos doloroso.

A velha Ariane voltou.
(A Ariane pré-babaca, pros que ainda não entenderam.)

2 comentários em “O retorno”

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