madrugada

não consegue dormir e fica relendo as mensagens antigas. tentando acreditar naquilo de novo.

precisa disso, né? sua fraca.

enquanto isso, o Orkut ri da minha cara.

Sorte de hoje: A paz, assim como a caridade, começa em casa

ha – ha – ha

não, eu nem ri.

Rei de Paus

Mantendo-se no passo firme

O Rei de Paus surge no Tarot como arcano conselheiro para este momento de sua vida, Ariane, sugerindo a necessidade de manter o máximo de firmeza de caráter diante de situações e circunstâncias adversas. Você sofrerá testes éticos e morais e o mundo observará sua reação diante de tudo isso. Ainda que você transmita uma impressão de autoritarismo e de radicalismo, mantenha-se firme e obterá o êxito almejado. Neste momento, você só poderá contar com sua própria força e vencerá onde outros fracassaram. No final das contas, você descobrirá o quanto pode ser forte em momentos de desafio e ficará feliz ao se perceber com poder sobre sua própria existência. Cuidado apenas com a tentação de exercer poder sobre os outros, pois este não é um verdadeiro poder.

Conselho: Mantenha contato com sua autoridade interior. Confie em si!

É, o Personare também tá rindo da minha cara.

E eu continuo lendo as mensagens antigas e esperando um sinal de vida.

Até essa paixão passar.

As questões do momento são:

Existe a possibilidade de estar apaixonada e ser feliz ao mesmo tempo?

E isso está ligado à (não) correspondência da paixão?

Como eu queria as respostas, meu Deus.

(A propósito, resolvi meu draminha. A palavra amor não existe mais em meu vocabulário – por um bom tempo!
Eu sempre soube  utilizá-la, mas, não sei por que, no ano passado acabei confundindo várias vezes seu significado.
Acho que é a minha mania de amar. De retribuir. De ser sincera. São todas juntas, aliás.
Amo muito, geralmente quem demonstra me amar primeiro. Até aí, não vejo problema algum.
O problema é quando a sinceridade entra em ação e eu começo a externalizar o amor.
Ficar falando “eu te amo” não só desgasta relações como tira o crédito da expressão.
E, acreditem, ela tem muito, muito valor. Pelo menos quando sai da minha boca.
Vai ser difícil não dizer, tanto quanto é duro não ouvir.
Mas as lágrimas que meu travesseiro acolheu hoje me dizem que será melhor assim.)

Alguém já ouviu por aí que amor se prova por atos, não palavras?
Deve ser a mais pura verdade…

_________ a partir daqui quem comanda é a depressão. não será revisado. a merda é infinita e eu não faço questão que ninguém leia. eu só precisava dizer. e não há ninguém pra quem eu possa dizer._________

Sabe que enche o saco ser ariana? É. Não ter medo de me expor, não ter medo de me mostrar. É, é sim. Dar a cara a tapa o tempo todo é estar sempre sujeito a hematomas. Algumas vezes, a dores horrendas. Eventualmente, a cicatrizes eternas. Ser eu demais pode assustar. Ser eu demais pode afastar também. Eu não me sinto boa o suficiente. Nunca. Agora, especialmente, não sou nem de longe boa. Que dirá suficiente. E isso dói no orgulho. Mas não é só o rgulho que sai ferido, não. Nem de longe.

Reparei que muito do que vivo, na verdade, é criação minha.
Não porque eu quero, mas porque tenho um olhar limitado. Egoísta. Se eu tivesse parado pra pensar em tudo isso antes, talvez não tivesse nem me apaixonado. Talvez não sofresse tanto.

É que eu acho que me apaixonei por uma ilusão. Por uma idéia. Pela idéia de que pudesse haver alguém realmente apaixonado de uma maneira intensa e estranha por mim. Alguém apaixonado por mim de verdade, pelas minhas idéias, pelas minhas palavras. Alguém que me tivesse começado a amar apenas lendo o que eu escrevia. Alguém que suportou quase seis meses de fuga e espanto meu. Que enfrentou meu desprezo com carinho, dando atenção, mostrando-se presente. Alguém que passou comigo quase o ano inteiro, me apoiando, sendo uma das pessoas mais importantes pra mim todos os dias sem nunca termos nos visto. Alguém que não ligava para o fato de eu ser gorda, de eu ser feia, de eu não me encaixar em padrões. Alguém que nunca se preocupou com o fato de eu me vestir mal. Cara, eu realmente acreditei que existisse essa possibilidade. Que essa paixão existisse. E aí, o que eu achava que era medo e desprezo, no dia em que realmente me vi frente a frente com a pessoa responsável por essa idéia existir, transformou-se em paixão. Porque eu nunca tinha sentido aquilo antes. Quando o vi pela primeira vez na Paulista, de perfil, olhando na direção do topo de um prédio, escolhendo um ângulo ideal ou coisa parecida, eu fiquei sem reação.  Essa foi a fase de eu não ME entender. Afinal, a idéia era que eu simplesmente fosse até lá e desse oi. Sou assim com todo mundo. Com ele rolou uma hesitação. Que eu não sabia explicar.  De repente, eu fui em sua direção, apertei-o pelos lados e disse: “OOOOOOOOOIII 😀 “.  Não é normal, sabe, agir como se já tivéssemos intimidade há um tempão. E tanta coisa mudou depois. Eu fui pra sala, ele foi fazer as fotos dele… E, a despeito dos ”eu te amo” que eu recebia dele todos os dias (eu tenho eles guardados no celular. um por dia por mais de um mês :~~~) e pros quais eu não dava bola, dessa vez eu fiquei tipo LOUCA a cada sms novo que chegava.  Saí cedo da aula, mas queria tanto vê-lo de novo (eu queria vê-lo! eu, que fugi o ano inteiro disso!) que esperei tudo que pude naquele escadão. E aí foi a vez dele agir como se nos conhecêssemos há anos, me abraçando daquele jeito. Ainda ali, nunca tinha me passado pela cabeça a idéia de ficar com ele. Aconteceu toda aquela coisa chata, levaram a câmera e tudo mais. E, no meio de um abraço desesperado, saiu um selinho. Blé. O selinho mudou tudo. Fez com que eu tivesse noção do que estava fugindo. De como eu era besta. Fato que eu continuei besta. Tanto que decidimos ir embora, e aí rolou um beijinho apaixonadinho mimimi. Acordei no dia seguinte cantando Accidentally In Love. COMOFAS/? nem lembrava da existência dessa música. E grudei insuportavelmente nele. e se é insuportável pra mim, imagino pra ele, que tem seus problemas. E a história mudou. Tudo se inverteu, sei lá. Eu não sei em que parte de tudo eu fantasiei – se foi no começo, no meio, se está sendo agora… E daí?

Daí que ele não existe mais. Não. Foi uma ilusão que eu criei. Todas essas situações… Eu fantasiei tudo isso. Não existiu, não pode ter existido. Eu criei a pessoa ideal. Fisicamente, psicologicamente, comportamentalmente… Criei, desprezei-a, depois me entreguei a ela, e ela sumiu.EU SÓ QUERIA FAZER PARTE DA VIDA DELE, porra. Não queria títulos, não queria rótulos pro que temos, só queria saber que faço parte da vida dele.

Eu nunca precisei de ninguém, sempre fui do tipo “tô pouco me fudendo”, desapego 100% com qualquer um. Pergunta pros meus amigos. Deu mancada eu taco um foda-se e pronto, vá viver sua vida. Pediu desculpas, eu aceito, mas deleto da convivência. Ninguém é insubstituível. Aliás, não era. Que hoje a história é outra. Com ele eu sinto a necessidade de estar lá. De estar perto. De estar atrás. E toda vez que ele é indiferente, a porra da necessidade aumenta. É tipo um ciclo. E aí eu me faço de tapete. Eu ligo, eu mando mensagens, eu choro sozinha, eu esqueço todas as mágoas quando estamos juntos e me destruo completamente quando estou só. Ele, com seu interesse desinteressado, com seu “se é bom, então eu simplesmente vivo”, eu com meu “ah, tá, vive, mas vive O QUE, porra? o que é isso? é uma paixão, é amor, é só sexo, é uma ilusão minha, é o que, caralho?”. Putaquepariu, como eu sou covarde com ele. Como eu nunca fui com ninguém. É uma espécie de masoquismo. Não importa o quanto eu me machuco, eu quero sempre mais. Os recados apagado sem serem respondidos, as reações desinteressadas a emails e depoimentos, a notícia de que ele foi visto com outra, o fim dos sms diários, o fim das directs diárias, o fim dos diálogos diários, tudo isso dói, doi demais, todos os dias, todas as noites, todas… Já não durmo mais. Quando durmo, é pra ter pesadelos horrendos com ele me dizendo que nunca gostou de mim. Ainda assim, de todas as maneiras possíveis, eu me agarro cada vez mais forte à dor e volto a mandar recados, sms, emails, depoimentos, ligações, volto a ignorar os encontros alheios, eu continuo esperando um amor que talvez nunca virá. Eu, minhas drogas, minhas lamentações. Porque eu lamento, é o que me resta fazer. E continuo precisando doentiamente dele.

Procurar a solução nos astros… Vamos ver:

“Dois arianos juntos? É muito fogo para um relacionamento só. Vocês são igualmente explosivos, o que pode garantir um ótimo relacionamento sexual. Mas, no dia-a-dia, é provável que passem o tempo todo discutindo para ver quem manda mais. É melhor procurar partir para outra pessoa.”

Não tô mentindo. Duvidou, procura no google. Horóscopos também andam me boicotando.

E daí eu escuto meus pais cochichando de manhã, na cozinha, por acharem que estou dormindo, que precisam me ajudar. Que estou completamente louca. “Tadinha, tão nova”. “Precisa de tratamento, precisa se cuidar, não pode ser normal”. Dos meus pais. Completamente louca. Doente. Maluca. Desequilibrada. Depressiva. Eu não precisava, eu não preciso escutar isso dos outros. Eu sei que não sou normal, sempre soube. Mas eu não preciso de tratamento nenhum. Médico nenhum receita felicidade em potinho. Eu bem sei, faz tempo. Desde que, há anos atrás, me passaram uma tal de “droga da alegria”. Fluoxetina não me alegra. Alegria é o caralho. Eu não preciso dessas coisas que dizem que vai me curar, eu só quero poder sentir algo bom sem que pra isso alguma parte de mim tenha que doer.

Sabe qual é a pior parte do caralho dessa história? Eu escrevi tudo isso aqui – não deveria postar, mas foda-se, u tava precisando falar tudo que estava engasgado, danem-se palavrões, erros de português e o escambau – alguns vão ler, outros não. MAS TUDO VAI CONTINUAR DA MESMA MANEIRA. Quer dizer, ele pode ler ou não. Se não ler, não saberá. Se ler, fingirá que não leu e não mudará. E EU CONTINUO COM ESSAS DÚVIDAS INFELIZES. Assim, nem sou tão difícil de lidar. EU falo tudo de que preciso. Geralmente não preciso de nada, só de sinceridade. Ultimamente tá faltando.

Foi erro meu, foi erro meu, eu sei.

Nunca existiu, preciso aceitar isso. Ele nunca disse que era isso, então nunca foi. Eu não vou morrer, porque sou uma fraca e não tenho coragem pra executar as besteiras que me passam pela cabeça. E aí tudo vai passar, tudo sempre passa, acho que isso é o que eu sempre falo.

Não é falta de crédito. Eu acredito em cada palavra que ele me diz. A vida dele está difícil e eu respeito isso. O foda é essa distância maldita. Física. Psicológica. O foda foram todas essas mudanças bruscas. O foda são as cobranças nas minhas costas e tudo dando errado na minha vida. Uma coisa atrás da outra. Tudo dando merda.

E vai tomar no cu. Mais uma noite sem dormir.
Mais uma noite sem resolver nada.

Não posso ouvir músicas, eu choro. QUALQUER UMA DELAS.

Mais um dia numa vida desnecessária.

A verdade

é que eu falo muito e faço pouco.

é que eu já não sei mais se te amo, e, mesmo se soubesse, não deveria sair dizendo isso por aí.

é que eu penso demais, e não consigo controlar.

é que eu preciso de ajuda, mas não quero.

é que eu tô mal, mas logo estarei bem. e daí, mal de novo.

Porque a verdade… A verdade é que eu só sei ser assim.

Cálculos, lágrima e suor

No quarto de janela entreaberta, retomavam o ânimo, seminus, deitados lado a lado. Ele, num de seus inquietantes momentos de silêncio, a olhar para o teto, baseado recém-apagado  na mão esquerda. Ela, com a cabeça reclinada sobre seu peito, a pensar em tudo que vivera ali, no que provavelmente ainda viveria, a calcular mentalmente quanto tempo lhes restava – mesmo sabendo que ninguém é capaz de adivinhar dia e hora para o fim – enquato fingia prestar atenção n’Os Sonhadores, que ele havia colocado especialmente para embalar os carinhos dos dois. Estavam presos dentro de si. Um estalo e o resultado de seus cálculos. Previsível. “Pode nunca acabar… Pode acabar agora”.

Uma lágrima se formou em seu olho esquerdo. Pressentiu-a. Preferiu não se mover. Ele não notaria. Continuou a olhar fixamente para a tela, esperando a gotícula fria e salgada escorrer até seu pescoço – mas foi tomada de surpresa pelo calor do indicador dele, a lhe enxugar carinhosamente o sofrimento mal recolhido. Sempre sincera, defendeu-se. “Pensei que não fosse notar. Evitei me mexer, acreditando que ela pudesse passar despercebida…”. Com sua voz mansa, ele deu continuidade ao diálogo: “Impossível não ver…De repente fui chamado por algo cristalino brilhando em seus olhos. Tive de tocá-la, não pude evitar. O que há?”. Ela entrou em um conflito de milésimos de segundo: não queria mentir, mas a sinceridade não cabia ali. Para tudo há um limite. “Nada. Deve ser a posição em que estou. Meus olhos são sensíveis, lacrimejam à toooa” – mal conseguir terminar de falar: recebeu dele um beijo apaixonado, êxtase físico enquanto morria por dentro.

Era tudo cada vez mais perfeito, cada vez mais maravilhoso, cada vez menos real. Não podia ser real. Abriu os olhos. Afastou-o devagar e tocou suavemente os lábios que mal haviam parado de beijá-la. Ofegante, arrancou-lhe os óculos. Era real. Beijaram-se mais uma vez. Seu medo aumentou. Aumentou também a paixão. E o desejo. Então começaram um jogo de carícias em que não havia vencedor: ambos deveriam ser explorados minuciosamente, até o final. Cada cicatriz, tatuagem, cada cheiro, cada pelinho daqueles corpos deveria tornar-se conhecido pelos dois.

O pouco de roupa que lhes restava no corpo até então foi visto de novo só horas depois, caído atrás da cama. Entre sussurros, beijos apaixonados, dedos e lábios perscrutadores, carícias esquivas, em plena tarde de verão, ignorando quaisqer Sonhadores, baseados, lágrimas ou janelas, fizeram amor.

E nenhum dos dois conseguiu pensar em mais nada.

Originalmente publicado em http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1376718

uns e outros

 

tão diferentes, tão distantes universos

se um é retiro espiritual, o outro é fantástico mundo

um já viveu tanto, o outro tão pouco

um é tão feliz , o outro tão triste

um é tão distante , o outro tão entregue

um se preserva tanto, o outro tanto se expõe

um já tem seus grandes amigos, o outro está ainda descobrindo o que é amizade

um deseja, o outro ama

um vive , o outro sonha

um aproveita , o outro planeja

um aceita , o outro questiona

um sabe, o outro quer saber

um não quer, o outro quer

um finge não ouvir, o outro finge não estar falando

 

enquanto um adquire repertório e experiência, o outro está apenas se iniciando.
então um
está sossegado, o outro não poderia estar mais aflito

(e nem mesmo a aflição consegue diminuir um pouco o efeito arrebatador que a paixão por um causou no outro
se alguém tem de ceder, ele cede, um recebe do outro tudo que quiser)

 

 

 

e a parte em que o outro virá logo a ser só um pedacinho insignificante da história de um

dói  só no primeiro, o lado mais fraco

 

mesmo assim

este só se sente tentado a uma coisa:

dizer “eu te amo” infinito

em silêncio, com os olhos

quantas vezes puder

 

 

até o dia em que tudo (tudo o quê?)

até o dia em que isso acabar

 

 

seja lá o que isso for.

porque assim como um pode ser o inverso do outro,

nada impede que estes sejam, na verdade, não o inverso, mas a metade.

 

dizem por aí, afinal, que yin e yang se complementam.

 

e o consolo dessa vez não é de que tudo sempre pode piorar, não.
o consolo hoje é também a verdade e a razão do desespero: a verdade é que tudo vai passar

 

(alguém diz pro outro ir dormir ao invés de passar  madrugada chorando em frente ao computador enquanto o um – sem vergonha – o um… sabe-se lá onde o um se meteu?)

quinta-feira à noite

22h. coração apertado, nó na garganta, desespero. colbie caillat no player mental.   —-aleatoriedades em questão   2009 amor saudade  medo  dúvida expectativas frustrações dores tudojuntoemisturado     (maldita sms, malditos emails e maldita dependência)

quinta-feira à tarde

14h. silêncio indesejado: o cd acabou. falta de coragem de apertar play em qualquer coisa.

falta de vontade de pensar.

pensamentos aleatórios que deveriam ser enviados por telepatia

os efeitos do meu sagrado remédio – você – passaram. quero, preciso loucamente de mais. de novo. muito. pra sempre.
agora.

minha droga, meu vício.
você. é só o que me falta aqui.

(contra a minha vontade, vou deitar. só o que me resta, longe de ti, é sonhar)

quinta-feira de manhã

no relógio, 8h. na vitrola, Mart’nália. na cabeça… bom, na cabeça a resposta é bem previsível.

— pensamentos aleatórios ajuntados pra serem guardados num potinho:

se eu pudesse – ah! se eu pudesse… – fotografava cada uma das suas expressões e colava todas elas na minha parede, pra ficar olhando o dia todo. o biquinho de beijo, a carinha de mimimi, o sorriso, o olharzinho malandro… se bem que… fotografaria, sim, e esconderia todas num lugar em que só eu pudesse ver. só eu. se eu pudesse… eu pegaria você todinho só pra mim.

(e eu ainda não sei diferenciar um astra de um civic de longe no escuro. nem um fiesta de um focus, ou um picasso de um 307. eu preciso de óculos e um pouco de atenção no mundo, que minha cabeça anda completamente nas nuvens. não que isso importe, claro.)

Lisbela

De novo o sinal. De novo o “Próxima Estação: Vila Mariana”. Eu já reparei que aquele turbilhão de pensamentos que começa a me incomodar quando estou com ele resolve se organizar quando eu chego na estação Santa Cruz.

É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma vontade de entender o que não dá pra descrever. E o pior é que me divirto com isso.

Às vezes eu acho engraçado, sabe? Eu não acho normal ficar fazendo perguntas pra ele na hora em que estamos… cheios de carinho. Mas, ao mesmo tempo, eu não consigo segurar algumas. Sinto-me uma menina boba, ingênua. Às vezes sinto que estou fazendo papel de idiota. Mas não consigo não fazer. Não consigo deixar, não consigo não parar pra pensar no que tá rolando. É difícil.

Às vezes eu me sinto uma criança. É. Eu, que na maior parte do tempo fico filosofando e criando teorias, de repente só me vejo capaz de fazer perguntas. E perguntas tolas, perguntas inocentes, infantis. Coisa que ninguém, jamais, perguntaria literalmente a alguém, sabe? E eu pergunto! Eu solto as minhas dúvidas como se as pessoas fossem obrigadas a saber respondê-las. É um impasse: ou fico calada e parece que estou sendo, sei lá, debochada, desdenhosa, ou pergunto e fico parecendo uma criança. Ultimamente tenho preferido parecer a criança. Tenho fugido de me esconder. Sempre fui assim, aliás. Não sei porque nos últimos tempos tive tanto medo de me mostrar. Talvez fosse medo de perdê-lo. Mas eu não vou perder. Eu sinto isso.

Sinto que na verdade nem o tenho pra mim. Na verdade eu não tenho o homem em si, tenho os momentos que passo com ele. É isso. Isso é tudo, tudo que me pertence. E isso nunca ninguém vai tirar de mim. Nunca. Ele vai, mas os momentos continuarão sendo meus.

“No dia em que alguém me disser o que temos, dou um troféu a ele”
“Isso te tortura, né?’
“Muito”
(olhares, mimimis e carinhos)
“Eu só me pergunto: É bom ou não? Se é bom, aí eu não ligo”
“Eu não. Se é bom é que eu me preocupo. Eu sou egoísta. Se acho bom, quero prolongar o quanto puder… E nunca, nunca o que é bom dura muito pra mim…”
“Aaaaaaaaaaaah, como ela é otimista… otimista, otimista.”
“Eu nunca disse que era otimista.”

Acho que estou aprendendo a lidar com essa situação. Com essa entrega incompleta. Como se houvesse um elástico, não sei. É, um elástico preso num ponto fixo, no centro da minha vida. E quando eu vou muito longe, ele me puxa de volta ao meu lugar.

A minha felicidade não é ele, não pode ser ele. É sim feita dos  momentos que tenho com ele – porque isso eu posso ter com outras pessoas, eventualmente. Bom, eu sei que nada dura pra sempre com ninguém. Queria parar de pensar no amanhã, sabe? Pelo menos por um segundo… Conseguir pensar só no agora, curtir só o que tá acontecendo. Queria só ser feliz, mas eu não sei. Eu não sei ser assim.  Desde pequena, o futuro sempre me fascinou muito. Eu só espero não perder meu presente pensando no que vai acontecer depois . (por ficar olhando demais pra frente.)  Ahhhh…

Eu devia ter mais dificuldade pra dizer “Eu te amo”. É. Por que dizer “eu te amo”? Acho que isso é uma coisa que eu posso guardar pra mim. A menos que eu goste de ficar com cara de boba, quando digo “eu te amo” e ele só sorri e destrava a porta do carro para que eu vá embora logo. Sempre há horários, compromissos, sempre há alguma coisa entre nós. E quer saber a verdade? É melhor assim. Essa é a primeira pessoa de quem eu não enjoei após um dia junto. Vai ver é isso. Vai ver é isso que me fascina nele: o fato dele saber “não estar nem aí” nas horas certas. Porque quando as pessoas realmente estão completamente na minha, a única coisa que sei fazer é olhar pra elas e dizer “Tchau, tchau, não é isso que eu quero”. Pode ser. Pode não ser. Quem liga?

Cara, devia ser proibido ficar viajando depois de um tempão maravilhoso com alguém que amamos, sabe? Devia ser proibido pensar! Sei lá, é engraçado. De repente eu me vejo sem conseguir completar um raciocínio, eu penso numa coisa – e ai já vem outra, e outra, e outra… e eu não consigo parar, e ao mesmo tempo eu não posso parar.É muito estranho. Mas eu não trocaria estar com ele por nada no mundo.

Seria piração se eu dissesse que tudo que eu queria agora era deitar a cabeça no colchão – assim, no colchão mesmo, sem travesseiro – ficar totalmente estirada e dormir? Dormir e sonhar com tudo que aconteceu, porque eu preciso que isso se refaça na minha cabeça – eu ainda não consigo acreditar. Eu não sei, eu me perdi, sabe? Num dos momentos com ele. Em alguma hora ali, eu me perdi. E eu não consigo me recompôr. Não consigo. Tudo o que eu queria era que isso passasse logo. E que não passasse nunca.

Nossa Língua Portuguesa, que eu tanto prezo, vai me perdoar dessa vez. Isso é a transcrição fiel de uma piração que tive no metrô hoje, no caminho de volta pra casa. Não estou em condições de decidir se deve permanecer aqui ou não. O fato de eu ter gravado isso em público deixa claro que não estou em estado normal. Só me dei conta agora. Então eu vou. E depois eu volto. Ou não. Sempre tem essa opção.

2009

Alguns viram o ano comemorando. Outros vendo os fogos, fazendo simpatias, orando, agradecendo, pedindo. Eu, caros leitores (supondo que haja alguém para ler – assim é que são escritos todos os textos), virei o ano sentada no sofá, telefone na mão, turbilhão de pensamentos.

Não quis ir até a praia ver queima de fogos nenhuma, não quis ligar o rádio ou coisa parecida. Sentei-me no sofá, sozinha na gigante casa de praia, olhei para o aparelhinho que ultimamente tem sido meu único meio de contato com o mundo (e com ele, sempre ele) e paralisei. Acho que gastei alguns minutos paralisada, até que o aparelho vibrou – mensagem de amigos e mais amigos, pessoas que eu realmente posso dizer que amo – fazendo com que eu voltasse ao mundo “real” (se é que o meu mundinho não pode também ser chamado assim).

Nas primeiras horas desse 2009, pensei em muita coisa. Em como tudo tem acontecido de maneira inesperada na minha vida, que já foi tão previsível. Não cheguei a conclusão nenhuma. Se tivesse chegado, seria às conclusões erradas. Sim, porque desde o dia primeiro muita coisa mudou.

Muita coisa se fez e desfez no meu coração, e eu já não me sinto tão deslumbrada quanto antes. Acho que nem deveria. De vez em quando é bom encarar que a verdade não é tão doce quanto me faz pensar meu fantástico mundo. É, o mundo não é sempre fantástico, os amores nem sempre são correspondidos, as coisas nem sempre seguem o rumo planejado. Às vezes chove exatamente no dia em que você foi à praia. Às vezes é bem no dia em que você se prepara pra fazer aquele programinha de frio que faz aquele calor desesperador. Às vezes as pessoas erram tentando acertar, às vezes quem mais queremos por perto precisa ir embora. Às vezes quem mais pensamos merecer nosso amor não é digno nem do nosso olhar. Às vezes um inimigo tem mais serventia do que um suposto amigo.

A vida é cheia desses “às vezes”. A vida é cheia de “e se?”s e de ironias maldosas. A vida também é cheia de alegrias, é só saber de qual ângulo olhar.

Agora mesmo, estou olhando de um ângulo que, embora seja cruel o suficiente para me entristecer por dias, é também o melhor que eu poderia ter escolhido. Tem coisas que estão fadadas ao fracasso. Aquelas que doeriam a qualquer instante. Nessas horas, prefiro a dor precoce. Prefiro conhecer o terreno no qual piso. E é muito, muito melhor quando descobrimos estar cavando no lugar errado antes de cansar. E eu estava. Meu tesouro não está aqui. O meu dilema é: devo preencher o que cavei até agora antes de partir em busca do lugar certo ou simplesmente abandonar o buraco vazio e ir viver minha eterna busca sem pensar na falha novamente?