apnéia

pensamentos (muitos deles) passeando pela cabeça. minha vida. meu futuro. meu ano. meus problemas. meus sentimentos.

sensação estranha no peito. estranha porque ruim, não porque desconhecida. pelo contrário, a velha e conhecida dor no peito. a chata da taquicardia atacando novamente. 

 

olho pelo vão da porta entreaberta e vejo minha mãe fazendo suas coisas na copa, concentrada em sabe-Deus-o-quê. ponho a mão no peito, uma forma de, talvez, amenizar a dor e conseguir respirar. não estou conseguindo respirar.

 

passo por ela como se nada estivesse acontecendo, vou à cozinha, tomo um copo d’água. não muda nada, mas eu finjo pra mim mesma que estou melhor. tudo passa. tudo vai passar.

 

volto para o quarto, ainda fingindo estar bem. tudo pra não ter que ouvir de novo o mesmo sermão de todos os dias. “ele não te faz bem, ele não é pra você”. eu já sei, eu já entendi.

celular vibra. “você que diz, meu bem. quer vir umas duas?”. “ok, duas horas estou por aí”. fecho os olhos, respiro fundo. de novo.

mais um copo d’água.

duas horas, talvez um problema a menos. termino de me vestir. 

“Ariane! Vem terminar de desocupar o banheiro!”

toalhas, pentes e roupas na pia. corro pra lá, antes que o humor dela piore.

 

 

duas horas. duas horas.

sopro, apnéia, falta de ar. sopro, apnéia, falta de ar.

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