Fraquezas

Fraquezas. Somos cheios delas. Às vezes ficam ocultas por um bom tempo. Às vezes, a vida toda. Alguns não têm essa sorte; são assaltados por elas freqüentemente. Como eu. Eu vivo minhas fraquezas.

 

Durante grande parte da minha vida, fui incapaz de chorar. Incapaz de sentir pena, piedade, compaixão. Não sofria pelos outros, não sofria nem mesmo por mim. Sorria sempre, uma forma de parecer forte – não importa quão despedaçada eu estivesse por dentro. De repente, reviravoltas. Eu, que sempre fui acostumada à vitória, deparei-me com derrotas sucessivas, arranhões dignos de cicatrizes horrendas. Pela primeira vez e numa estocada só, meu mundo caiu.

 

Então eu levantei. Não olhei para trás, não é fácil seguir em frente quando se pensa naquilo que ficou. Lembrei que nunca deixei de realizar aquilo que sonhei. Que sempre consegui tudo o que tinha por objetivo. E simplesmente segui. Achei que fosse ser tudo como sempre foi, mas não. Algo mudou em mim. Talvez a dor tenha me feito humana. Eu enxerguei. Enxerguei o que o tempo todo esteve exatamente na minha frente sem que eu notasse. Vi que fingir alegria era me boicotar. Que só feria a mim mesma, mais ninguém.

 

Aprendi, na marra, a chorar. Não tinha controle. E aí foi a fase manteiguinha derretida. É que a luta era grande (não que não seja mais) e eu chorava para não desistir. Cada vez que a fraqueza batia, deixava explodir. Foi me permitindo ter essas explosões que consegui chegar aos objetivos mais uma vez. 

 

Mas esse não foi o fim. Para chegar onde estou agora, retrocedi. Parece que o ser humano tem esse defeito de querer ser forte. De se mostrar capaz. E foi assim que, guardadas as devidas proporções, minhas vitórias, ainda que pequenas, inflaram meu ego mais do que deveriam. De um segundo para o outro, sem me pedir permissão, o auto boicote voltou à ativa – e lá estava eu, me segurando de novo. 

 

Às vezes, vestia a máscara da alegria excessiva. Às vezes, a da tristeza incomum. Eventualmente, surgia a máscara do despeito. “Não estou nem aí”. Só um idiota acreditaria em qualquer uma delas. Ninguém é cem por cento nada. Ninguém é só alegria, ou só tristeza. Ninguém tem um momento “nem aí” e sai dizendo isso por todos os cantos, simplesmente porque quando você realmente não está nem aí… Não está nem aí MESMO. Ignora os fatos, não debocha deles. 

 

Dessa vez funcionou menos do que de costume. O ano não estava nem na metade e eu já sentia as dores, o peso da verdade sobre mim. “Eu não vou conseguir”, era o que pensava. E dentro de mim, uma montanha russa de sensações fazia questão de funcionar 24 horas. Cedi. Cedi às máscaras, à dor. Passei a viver de reclamar, deixei de fazer a única coisa que podia me tornar vitoriosa. Fiquei esperando que tudo acontecesse sozinho, que as coisas viessem prontas em minha direção. 

 

Quando a paixão chegou, nem hesitei. Por que não me entregar? Já havia perdido tudo o que levara um tempão para conseguir. Não tinha nada a perder. Nos últimos anos, guardava amor e mágoas lado a lado. E não me permitia mais sentir. E como amei! Reprimi durante muito tempo todo e qualquer sentimento alheio a esse amor. Alimentei um fantasma, dormi com ele todas as noites, ano a ano. No dia em que, de surpresa, meu coração acelerou por outra pessoa da mesma maneira que havia acelerado 8 anos antes pelo fantasma, exatamente da mesma maneira, eu o libertei. 

 

Por algum tempo, eu vivi a vida de verdade, não aquela que criei pra mim. Foi paixão daquelas doentias, que tiram do sério. Senti coisas que não sentia há muito tempo. Fiz coisas que nunca tinha feito. Faria muito mais ainda, se o tempo não tivesse se encarregado de me mostrar que eu estava errada. Que não era mais adolescente, não devia mais agir como tal. Que a paixão, por mais intensa que fosse, não era a mesma dos dois lados – e que minhas expectativas não condiziam com o que o outro lado tinha a me oferecer. 

 

Misturaram-se a frustração de um amor não correspondido às consequências de minha irresponsabilidade. Estou aqui, no início de mais um ano, sem saber o que fazer, sem ter a quem recorrer, cheia de decisões a tomar sem que possa pedir ajuda. São decisões que cabem a mim. Não há certo ou errado. E aí eu choro. O ar me falta, a cabeça dói. Algumas vezes perco o controle do corpo, noutras estou rindo e fingindo que está tudo bem.

 

Olhando de cima, tudo o que vejo são fraquezas. Fraturas expostas, tocadas, uma a uma. O que eu vivo são minhas fraquezas. O que não temo eu evito, o que me é seguro demais não me importa. Não sei se é algo significativo ou não, se enxergam minhas fraquezas como eu as enxergo. Eu só sei que eu não mudaria minha maneira de viver a vida. Talvez apenas umas coisa: essa minha mania de pensar demais antes de fazer. Isso é coisa de gente fraca.

 

(Texto sem sentido e sem revisão. quem liga? O blog é meu.Hunf.)

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