uns e outros

 

tão diferentes, tão distantes universos

se um é retiro espiritual, o outro é fantástico mundo

um já viveu tanto, o outro tão pouco

um é tão feliz , o outro tão triste

um é tão distante , o outro tão entregue

um se preserva tanto, o outro tanto se expõe

um já tem seus grandes amigos, o outro está ainda descobrindo o que é amizade

um deseja, o outro ama

um vive , o outro sonha

um aproveita , o outro planeja

um aceita , o outro questiona

um sabe, o outro quer saber

um não quer, o outro quer

um finge não ouvir, o outro finge não estar falando

 

enquanto um adquire repertório e experiência, o outro está apenas se iniciando.
então um
está sossegado, o outro não poderia estar mais aflito

(e nem mesmo a aflição consegue diminuir um pouco o efeito arrebatador que a paixão por um causou no outro
se alguém tem de ceder, ele cede, um recebe do outro tudo que quiser)

 

 

 

e a parte em que o outro virá logo a ser só um pedacinho insignificante da história de um

dói  só no primeiro, o lado mais fraco

 

mesmo assim

este só se sente tentado a uma coisa:

dizer “eu te amo” infinito

em silêncio, com os olhos

quantas vezes puder

 

 

até o dia em que tudo (tudo o quê?)

até o dia em que isso acabar

 

 

seja lá o que isso for.

porque assim como um pode ser o inverso do outro,

nada impede que estes sejam, na verdade, não o inverso, mas a metade.

 

dizem por aí, afinal, que yin e yang se complementam.

 

e o consolo dessa vez não é de que tudo sempre pode piorar, não.
o consolo hoje é também a verdade e a razão do desespero: a verdade é que tudo vai passar

 

(alguém diz pro outro ir dormir ao invés de passar  madrugada chorando em frente ao computador enquanto o um – sem vergonha – o um… sabe-se lá onde o um se meteu?)

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