Valores

Há algumas coisas que a gente vive e que são tão boas, tão boas, que, ao mesmo tempo em que a vontade é de contar pra todo mundo, é de guardar tudo pra nós, só pra nós, como se o fato de outras pessoas saberem de um momento tirasse da gente a posse dele ou o tornasse menos sublime.

 

Passei por alguns dos momentos mais lindos da minha vida essa semana. Nem eu acredito nisso, tanto quanto não sei dizer o porquê de achá-los tão especiais – já que não aconteceu nada que não tivesse acontecido muitas outras vezes. A questão é: tudo depende da maneira como vivemos. Da intensidade que damos a alguma coisa. Do valor e da importância que reservamos a ela. 

 

Hoje eu só quero pensar nisso, quietinha. Quero rever valores. Novos e antigos. Quero pensar nas coisas boas. Nas ruins. Revivê-las mentalmente. Rir. Chorar. Sentir dor, se for preciso, mas sentir de novo prazer. 

 

Quero acordar amanhã sabendo que valeu a pena viver. Que não estou fazendo tudo errado, ao contrário do que minha cabeça me tem feito acreditar. 

 

 

E quero tirar de mim a idéia de que tudo não passou de um “Até Logo” ou de um “Volte Sempre”, porque, por mais que doa acreditar, cada dia eu tenho mais certeza de que não vale a pena me diminuir por amor. O amor continua, não importa a circunstância. Mas aqui estou eu: sozinha, sem o amor próprio e sem o amor de ninguém. E aí, mesmo sem carinha triste ou a justificativa de que tenho muitos problemas a resolver e não posso prometer nada a ninguém agora, sou eu quem acabo parecendo a vilã da história.

 

Lembrando que, mais uma vez, a história pode existir apenas na minha cabeça.

ontem, a essa hora, eu estava no paraíso.

 

hoje eu mal consigo chegar ao inferno.

 

 

 

 

 

 

 

o mundo continua girando, eu também não posso parar (mas e a força?)

Sem Dizer Adeus

Sorte de hoje: Muitas das grandes realizações do mundo foram feitas por homens cansados e desanimados que continuaram trabalhando.

Eu
Chorei até ficar debaixo d’água
Submerso por você
Gritei até perder o ar
Que eu já nem tinha pra sobreviver (Eu andei…)

Eu
Andei até chegar no último lugar
Pisado por alguém
Só pra poder provar
O que era estar depois do final do além (Eu andei…)

E cheguei exatamente onde algum dia
Você disse que partia pra nunca mais voltar
E eu já estava lá a te esperar sem dizer adeus

Eu
Fiquei sozinho até pensar
Que estar sozinho é achar que tem alguém

Já me esqueci do que não fiz
O que farei pra te esquecer também?
Se eu não sei o nome do que sinto
Não tem nome que domine o meu querer
Não vou voltar atrás
O chão sumiu a cada passo que eu dei (Eu andei…)

Fundo do Baú – I

Achei no meu fotolog (da época em que ele era basicamente meu blog) e, de certa forma, meio que como um texto de auto-ajuda (nesse caso LITERALMENTE), resolvi seguir meus próprios conselhos. Os grifos são de hoje.

Em véspera de dia dos namorados vir aqui falar sobre amor parece até algum tipo de “protesto da encalhada”, confesso. Mas não vejo outra alternativa senão pôr pra fora aquilo que não sai da minha cabeça. Já no comecinho eu deixo avisado que pensem o que quiserem disso – desabafo, intriga, despeito, até inveja. Já pensei em todas as hipótese possíveis, mas descobri que não é nada disso.

Não, pelo contrário. São verdades – contestáveis é claro – mas verdades.
Eu descobri que não há coisa mais difícil do que encontrar alguém pra nos completar hoje em dia. Parece que tudo banalizou, mudou de tal forma… E embora eu não seja ‘velha’ suficiente pra dizer que ‘no meu tempo não era assim’, eu vejo com muita tristeza que do meu nascimento pra cá as coisas deram aquela guinada de quase uns 180º – e isso me assusta! Talvez pela maneira ‘conservadora’ (?) como fui criada, não sei. Não julgo mal, por exemplo, as pessoas que conseguem sair ficando com qualquer um por aí (não, às vezes até admiro!), ou apegar/desapegar facilmente … Admito que também não sou fácil de lidar, com toda essa minha inconstância, essa mania de enxergar as pessoas como elas são e não fingir gostar como muitos fazem, nem mesmo me deixar mudar por alguém… É, eu sou uma pessoa difícil de lidar (e talvez por isso tenha me conformado com o fato de estar sempre sozinha…). Se é trauma ou não, eu não sei.
Do comecinho desse mês pra cá eu já entrei em mil e uma paranóias – coisa que nunca tive na vida, incrível – do gênero “Oh, meu Deus, vou passar o dia dos namorados sozinha!”. Confesso – fiquei mal, chorei, deprimi… Mas quando parei pra pensar de verdade sobre isso, a única coisa que consegui fazer foi rir de mim mesma. Como pode? Nunca tinha me perguntado o porquê de eu estar sozinha (acho que muita gente faz como eu: simplesmente acaba se achando o maior lixo do mundo e se culpando eternamente). Pois bem, perguntei à mim mesma: “Por quê?”. A verdade estava bem ali, ao lado. Coisa que eu falo pra tanta gente na hora de consolar e quase nunca lembro de aplicar à minha vida. Eu estou sozinha porque EU não me permito estar com ninguém. Porque eu espanto qualquer alma viva que se aproxime, com medo de me apegar. Porque eu escolho sempre aquelas pessoas que considero “inalcançáveis” (o nome já diz tudo). E quando, caso aconteça, um “inalcançável” passa a estar ao meu alcance, eu encontro um milhão de defeitos para não estar com ele. Eu fujo de relacionamentos. Se é trauma, medo, o que é eu não sei. Mas eu só consigo gostar de uma pessoa – há longos 6 anos (quase 7 já!) e me conformo por nunca ter sido querida por ela.
Tá, tá, eu enjôo, eu boto defeito, eu critico, eu não aceito relacionamentos (a não ser quando são à distância ou EXPRESSAMENTE proibidos pelos meus pais), então POR QUE DIABOS ESSA CARÊNCIA TODA? Simples… é do ser humano essa necessidade de receber carinho, de se sentir querido, de poder trocar calor… é humana… e eu sou humana (por mais que odeie essa raça ¬¬). Eu não sei ter um relacionamento ‘aberto’, um algo que não seja sério. E eu não quero nada sério, porque não quero me prender à ninguém agora – estar presa à outra pessoa me irrita! Por mais conservadora que eu seja, por mais “BV” que eu seja (hahaha =X), por mais “santa” que me considerem nos grupos (afinal, até hoje eu sempre fui considerada a menos experiente em todos os grupos aos quais pertenci), por mais que haja fatores que me fazem chegar àquelas conclusões bizarras do gênero “homem nenhum presta”, ISSO TUDO NÃO É FATOR FIXO! Isso tudo é variável! Depende de mim. E não é só comigo, não. Descobri que tem MUITA gente que sofre tanto quanto eu do mesmo mal (ou de males parecidos). Enfim, o segredo é não precisar de ninguém pra ser feliz! Enquanto você não for capaz de ser feliz sozinho, não encontrará outra pessoa pra ser feliz com você. Depender dos outros não vale a pena – isso eu sempre soube.

Enfim, falei um monte de baboseiras. A conclusão – nada a ver agora hein! – é que é difícil encontrar alguém que pense da mesma maneira que nós. Sempre. E por isso, vocês que têm namorado, aproveiteeeem! Não só amanhã, essa data comercial, mesquinha, presa à tradições tão pouco interessantes… Aproveitem cada segundo, cada instante, com demonstrações de carinho, com afeto, compartilhando idéias, fazendo aquilo que se tem vontade ao lado daquele que gosta. Não há nada melhor que amar e ser amadooo, aquele amor platônico que nem chega a ser amor, aquela paixãozinha adoescente que acomete não importa a idade… aproveitem…!
Pra quem está sozinho (e eu me incluo agora!), aproveitemos também! À nossa maneira, curtindo aquilo que a solteirice proporciona, sem ficar procurando desesperado por alguém. Na hora certa alguém aparece. E NEM PENSE EM DIZER QUE A SUA HORA JÁ PASSOU. Ninguém sabe qual a hora certa (e é aí que está a graça – quando menos esperamos: puf! surge alguém).

Claro que não tenho mais 16 anos, que o que eu quero agora é bem diferente do que queria naquela época. Mas a verdade é que os grifos – o principal – dizem tudo que eu precisava ouvir agora.

Carta do dia: Ás de Espadas

Rompendo com a estagnação

É chegado o momento, Ariane, de romper com a estagnação. O Ás de Espadas transborda como arcano de conselho para você, hoje, sugerindo que você corte implacavelmente todas as coisas, pensamentos, hábitos e pessoas que não lhe servem mais e que procure sustentar seus pensamentos e opiniões, mesmo que isso signifique desencadear antipatia nos outros. Este é um momento de renovação em sua vida, de idéias novas que fervilham e você poderá tomar as iniciativas que tirarão sua existência da rotina e do tédio. Prepare-se para uma nova e deliciosa aventura e não se preocupe tanto em ter uma “personalidade simpática” nesta fase de sua vida. Há momentos em que a atitude mais sedutora é aquela que não prima pela docilidade, mas que se compromete com a verdade. É quando sabemos que não estamos sendo simpáticos, mas estamos sendo honestos. Ainda que não agrademos, não há como negar o notável poder sedutor da pessoa que age com integridade – mesmo quando age de uma forma superficialmente antipática. 

Conselho: Ser fiel à verdade gera antipatias, mas muitas vezes é fundamental!

 

Grifos meus. É… Foi um dia triste, somente digo isso.

apnéia

pensamentos (muitos deles) passeando pela cabeça. minha vida. meu futuro. meu ano. meus problemas. meus sentimentos.

sensação estranha no peito. estranha porque ruim, não porque desconhecida. pelo contrário, a velha e conhecida dor no peito. a chata da taquicardia atacando novamente. 

 

olho pelo vão da porta entreaberta e vejo minha mãe fazendo suas coisas na copa, concentrada em sabe-Deus-o-quê. ponho a mão no peito, uma forma de, talvez, amenizar a dor e conseguir respirar. não estou conseguindo respirar.

 

passo por ela como se nada estivesse acontecendo, vou à cozinha, tomo um copo d’água. não muda nada, mas eu finjo pra mim mesma que estou melhor. tudo passa. tudo vai passar.

 

volto para o quarto, ainda fingindo estar bem. tudo pra não ter que ouvir de novo o mesmo sermão de todos os dias. “ele não te faz bem, ele não é pra você”. eu já sei, eu já entendi.

celular vibra. “você que diz, meu bem. quer vir umas duas?”. “ok, duas horas estou por aí”. fecho os olhos, respiro fundo. de novo.

mais um copo d’água.

duas horas, talvez um problema a menos. termino de me vestir. 

“Ariane! Vem terminar de desocupar o banheiro!”

toalhas, pentes e roupas na pia. corro pra lá, antes que o humor dela piore.

 

 

duas horas. duas horas.

sopro, apnéia, falta de ar. sopro, apnéia, falta de ar.

às vezes eu tenho certeza a impressão de que não estou dando valor às coisas certas

(des)propósitos

hoje é mais um daqueles dias em que eu acordo repetindo “Deus, me dê força” e reajo com um “só Jesus!” pra tudo. eu preciso de força e coragem, preciso reagir às coisas boas de maneira natural, preciso conseguir dizer o que há pra ser dito. não importa em que circunstâncias. hoje é mais um daqueles dias em que preciso enfrentar a mim mesma. e como é difícil, Deus, como é difícil.

 

(obrigada por essa quinta-feira cinzenta, Deus. obrigada por me manter viva – deve haver algum propósito nisso! eu preciso de força, Pai, e sabes bem disso. então me ajuda, ajuda a tomar a atitude certa. obrigada, obrigada, obrigada… amém.)

Bom dia, quarta-feira.

O despertador toca. Chuva batendo na janela. Organização mental. “Ligar pra ele. Ir ao mercado. Arrumar o guarda-roupas. Postar no vitrola. Mandar email pra galera. Ir à autoescola. Descobrir como chegar à Vila Madalena. Arrumar cabelo/roupa. Mas ah.. Ligar pra ele… É, ligar pra ele…”. Chuva batendo na janela. 9h10 no relógio. “Dez minutos pensando no que preciso fazer? hunf”. Puxo o edredom e me cubro até a cabeça. “Preciso de força. Força”. Coloco o despertador pra tocar 9h30 e fico lá, sufocando no meu mundinho de medo, enquanto a chuva bate na janela. 

 

Despertador toca de novo. Chuva batendo na janela. Levanto, tomo um banho, café e pão quentinho me esperam na mesa. E eu corro pra vida, que correr dela, está comprovado, não me leva a lugar nenhum.

Fraquezas

Fraquezas. Somos cheios delas. Às vezes ficam ocultas por um bom tempo. Às vezes, a vida toda. Alguns não têm essa sorte; são assaltados por elas freqüentemente. Como eu. Eu vivo minhas fraquezas.

 

Durante grande parte da minha vida, fui incapaz de chorar. Incapaz de sentir pena, piedade, compaixão. Não sofria pelos outros, não sofria nem mesmo por mim. Sorria sempre, uma forma de parecer forte – não importa quão despedaçada eu estivesse por dentro. De repente, reviravoltas. Eu, que sempre fui acostumada à vitória, deparei-me com derrotas sucessivas, arranhões dignos de cicatrizes horrendas. Pela primeira vez e numa estocada só, meu mundo caiu.

 

Então eu levantei. Não olhei para trás, não é fácil seguir em frente quando se pensa naquilo que ficou. Lembrei que nunca deixei de realizar aquilo que sonhei. Que sempre consegui tudo o que tinha por objetivo. E simplesmente segui. Achei que fosse ser tudo como sempre foi, mas não. Algo mudou em mim. Talvez a dor tenha me feito humana. Eu enxerguei. Enxerguei o que o tempo todo esteve exatamente na minha frente sem que eu notasse. Vi que fingir alegria era me boicotar. Que só feria a mim mesma, mais ninguém.

 

Aprendi, na marra, a chorar. Não tinha controle. E aí foi a fase manteiguinha derretida. É que a luta era grande (não que não seja mais) e eu chorava para não desistir. Cada vez que a fraqueza batia, deixava explodir. Foi me permitindo ter essas explosões que consegui chegar aos objetivos mais uma vez. 

 

Mas esse não foi o fim. Para chegar onde estou agora, retrocedi. Parece que o ser humano tem esse defeito de querer ser forte. De se mostrar capaz. E foi assim que, guardadas as devidas proporções, minhas vitórias, ainda que pequenas, inflaram meu ego mais do que deveriam. De um segundo para o outro, sem me pedir permissão, o auto boicote voltou à ativa – e lá estava eu, me segurando de novo. 

 

Às vezes, vestia a máscara da alegria excessiva. Às vezes, a da tristeza incomum. Eventualmente, surgia a máscara do despeito. “Não estou nem aí”. Só um idiota acreditaria em qualquer uma delas. Ninguém é cem por cento nada. Ninguém é só alegria, ou só tristeza. Ninguém tem um momento “nem aí” e sai dizendo isso por todos os cantos, simplesmente porque quando você realmente não está nem aí… Não está nem aí MESMO. Ignora os fatos, não debocha deles. 

 

Dessa vez funcionou menos do que de costume. O ano não estava nem na metade e eu já sentia as dores, o peso da verdade sobre mim. “Eu não vou conseguir”, era o que pensava. E dentro de mim, uma montanha russa de sensações fazia questão de funcionar 24 horas. Cedi. Cedi às máscaras, à dor. Passei a viver de reclamar, deixei de fazer a única coisa que podia me tornar vitoriosa. Fiquei esperando que tudo acontecesse sozinho, que as coisas viessem prontas em minha direção. 

 

Quando a paixão chegou, nem hesitei. Por que não me entregar? Já havia perdido tudo o que levara um tempão para conseguir. Não tinha nada a perder. Nos últimos anos, guardava amor e mágoas lado a lado. E não me permitia mais sentir. E como amei! Reprimi durante muito tempo todo e qualquer sentimento alheio a esse amor. Alimentei um fantasma, dormi com ele todas as noites, ano a ano. No dia em que, de surpresa, meu coração acelerou por outra pessoa da mesma maneira que havia acelerado 8 anos antes pelo fantasma, exatamente da mesma maneira, eu o libertei. 

 

Por algum tempo, eu vivi a vida de verdade, não aquela que criei pra mim. Foi paixão daquelas doentias, que tiram do sério. Senti coisas que não sentia há muito tempo. Fiz coisas que nunca tinha feito. Faria muito mais ainda, se o tempo não tivesse se encarregado de me mostrar que eu estava errada. Que não era mais adolescente, não devia mais agir como tal. Que a paixão, por mais intensa que fosse, não era a mesma dos dois lados – e que minhas expectativas não condiziam com o que o outro lado tinha a me oferecer. 

 

Misturaram-se a frustração de um amor não correspondido às consequências de minha irresponsabilidade. Estou aqui, no início de mais um ano, sem saber o que fazer, sem ter a quem recorrer, cheia de decisões a tomar sem que possa pedir ajuda. São decisões que cabem a mim. Não há certo ou errado. E aí eu choro. O ar me falta, a cabeça dói. Algumas vezes perco o controle do corpo, noutras estou rindo e fingindo que está tudo bem.

 

Olhando de cima, tudo o que vejo são fraquezas. Fraturas expostas, tocadas, uma a uma. O que eu vivo são minhas fraquezas. O que não temo eu evito, o que me é seguro demais não me importa. Não sei se é algo significativo ou não, se enxergam minhas fraquezas como eu as enxergo. Eu só sei que eu não mudaria minha maneira de viver a vida. Talvez apenas umas coisa: essa minha mania de pensar demais antes de fazer. Isso é coisa de gente fraca.

 

(Texto sem sentido e sem revisão. quem liga? O blog é meu.Hunf.)