Murphy

Começou ao abrir os olhos. 8AM. Hora da aula. E ela ainda estava ali, no carro, dando seu último cochilo, enquanto deveria estar fazendo trabalho de IELP, já que, na semana anterior, preocupada com o TCC, esquecera da prova e agora estava de exame antes mesmo de fazer qualquer coisa.

Os olhos semicerrados refletiram no espelho a sua frente. Estavam vermelhos. MUITO vermelhos. Ótimo. Atrasada e com cara de quem veio direto da balada. 

Telefone tocando na aula de Lingüística.  ? Alô criançada, o Bozo che — ?. Levantou desesperada, levando mala e mesa junto. Tropeçou, esbarrou no interruptor e apagou as luzes da classe. Professora de cara feia. Não voltou mais para a sala. (Quem colocou esse maldito toque no celular? Aliás, COMO O CELULAR ESTAVA LIGADO???)

Digitou um post enorme no blog. Foi apertar publish e, SEM TER IDÉIA DO POR QUÊ, fechou a aba. A MALDITA ABA DO CHROME FECHOU.

Trabalho de Antropologia regado à enxaqueca. Cama, dor, náusea. No fim, teve de ir pra aula. Não teve trabalho de Antropologia, somente. Bye, bye, três pontos. Isso não lhe pertence mais. Não pode mais faltar, mesmo… MAS AZAR POUCO É BOBAGEM :).

Saiu pra comer, deu vinte reais na mão do vendedor e nem esperou o troco. Só foi notar meia hora depois, no meio da aula de foto – que ela atravessou descaradamente em direção à Paulista pra buscar seus dezoito reais.

Chegando em casa, finalmente! Acabaram seus problemas. O QUÊ? Como assim? QUEM FOI QUE DISSE QUE ERA PRA SER UM DIA FÁCIL? Foi descer do carro, o allstar se desentendeu com o piso molhado e quando ela viu estava dentro de uma poça, encharcada, com os cabelos lindos e escorridos, meia noite, na porta de sua casa.

 

Belo dia.

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