Sobre amigos e felicidade

Não lembro sequer mais ou menos em que ponto da viagem foi que engatei essa idéia. Mas ela apareceu, ali, no metrô, e ficou me atormentando. Atormentando não, que não era um pensamento ruim. Simplesmente ficou sussurrando no meu ouvido. “Você ama – e é amada”.

Poucas vezes na minha vida (se eu digo poucas é porque são poucas MESMO) eu tive essa sensação. Esse tipo de insight aleatório de “Porra, como eu gosto de fulano!”. Sim, são poucas as pessoas sem as quais eu não consigo viver. Ou eram poucas, que hoje me dei conta de que gosto de muito mais gente do que imaginava.

 

Da minha família eu nem preciso falar. São meu sustento, meu ânimo de todos os dias. Não, não estoufalando desse amor especificamente. Estou falando do amor de amigo. Daquele que vem à tona cada vez que eu dou risada – e como eu dou risada! – ou que eu sinto vontade de chorar ou me defenestrar. Eu falo das vezes em que ouço qualquer nota do violão e, sem nem ver, já estou pensando na Clarinha e na Tory. Das vezes em que vejo um clipe novo e tenho vontade de ligar para o Adam no meio da madrugada pra contar pra ele o como eu achei legal – e é sempre mais ou menos nessa hora que ele, surpreendentemente, aparece online cheio de amor e atenção pra dar, numa sintonia assustadora. Falo das vezes em que ouço Ludov ou Vanguart e fico lembrando das noites insanas que vivi ao lado do Bruno Guerrero (noites responsáveis por uma porção de carinho que só cresce e um respeito sem tamanho); das vezes em que abro o e-mail e fico triste porque não tem nenhum texto novo do Brunella ou nenhuma resposta do Ferrari (é, porque as pessoas de que gosto às vezes se esquecem de mim!). Eu acho engraçado como até quando eu falo uma gíria ou uma expressão aleatória eu lembro de alguém – ficadica, Fran. Daí que deviants me lembram o Leo, e toda vez que o celular vibra eu penso no Omar. Tem também a incrível historia de como o shuffle sempre faz “Carinhoso” tocar quando tem algo acontecendo com o André, tipo um sinal. E eu não posso ver uma banca de jornal sem ter imediatamente uma visão do Capiau. Não tem como ouvir Chico sem lembrar da Luiza, nem pensar em bebedeira e não associar à Marcelli. Aliás, toda vez que eu falo alguma besteira, me vem a imagem do Matheus: “Essa Ariane… Só atiça, fazer que é bom…”.

Enfim, poderia ficar a madrugada aqui listando pessoas de quem me recordo o tempo todo. O mais engraçado é que, além de não ter tanto contato com algumas delas, eu tenho muita dificuldade de demonstrar o que sinto pelas outras (talvez porque nem eu mesma saiba o que sinto). Mas é engraçado como, de repente, no metrô, enquanto cantava All My loving e ria sozinha de mais um dia de trabalho que levou minha saúde e minha boa vontade embora, eu ouvi “Você ama – e é amada” vindo direto do inconsciente. Eu sei que não sou amada por todos eles, talvez nem pela metade. Mas amá-los já me faz bem o suficiente para me fazer seguir. Eu tenho pessoas de quem devo cuidar (embora, na maior parte do tempo, sejam eles que cuidem de mim), isso é que muitas vezes me impede de encher a cara de comprimidos ou simplesmente pular na linha do trem (sim, é escroto, mas já pensei em fazer isso).

 

Ok, há certas coisas inexplicáveis, como ficar pensando em pessoas que não estão aqui, que eu nunca imaginei que fosse conhecer, que são fofas gratuitamente, ou mesmo nas que me maltratam o tempo todo. Mas se essa é minha forma de ser feliz, é assim que vai ser. Pelo menos por enquanto.

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