Cafeína alternativa

Já faz algum tempo que não durmo. É. São trabalhos e mais trabalhos ocupando minha mente. Quando as preocupações não me causam insônia, é porque estou acordada fazendo trabalhos. Enfim, minha vida sai-às-cinco-chega-meia-noite-deita-às-três-sai-às-cinco- (…) não está sendo legal. Pareço um zumbi, não rendo, não ando muito feliz por mil e um motivos que qualquer um que lê esse blog já pescou de alguma maneira, embora eu nunca seja muito clara. Enfim, estou bem downzinha. E não consigo dormir. É café, chocolate, coca-cola, red bull, enfim. Os cânceres andei deixando de lado. Mas há outros vícios que não deixo. Roer unhas, música, música, música. Madrugadas à base de Blip.Fm, Last.Fm, Twitter e poesia. É um tal de ler feeds, comentar, postar em tudo que é possível, observar. Nada saudável. Nada. Continuo a mesma dramática piegas de sempre, e, infelizmente ainda me importo bastante com a reação dos outros quanto a isso. Não canso de ter a sensação de que estou atrapalhando, cansando, chateando. Mesmo quando eu lembro que só lê o blog quem quer, só lê meu twitter quem me segue (e segue porque quer!), só me ouve quem pergunta.

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Álvaro de Campos

E continuo aqui. Esperando respostas. Emails. Replies. Recomendações. Torpedos. Janelinhas piscando. Continuo aqui, na minha cafeína alternativa, no meu remédio das madrugadas, na minha fuga desse mundo cruel e doido a que chamamos ‘realidade’. Agora me diz: vale a pena? Vale a pena me preocupar com o real se outras pessoas têm a mesma função e não se preocupam? Vale a pena ir ao mesmo lugar todos os dias e não ver mudança nenhuma? Esses pensamentos me incomodam, acreditem. Eles parecem querer me fazer largar tudo. E eu não posso. Ou não quero, não sei. Eu só sei que não consigo dormir. E por hoje, pra mim, é o suficiente. Saber que minha cafeína não acaba, embora as pestanas estejam já pesando. Sabendo que a angústia vêm rapidinho, basta olhar pro lado e ver o número de tarefas se acumulando.

Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?
Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?

Às vezes eu sinto falta do semestre passado. Pior que fosse, tínhamos uns aos outros. Não tinha rolado ainda toda uma coisa que me chateou muito e fez com que o grupo se dissolvesse (e – pelo menos na minha concepção – tenha se tornado insuportável conviver com todos e nenhum ao mesmo tempo). Saudades do padabar, de dividir a conta com poucos porque alguns nunca tinham dinheiro (e também nunca avisavam não ter!), de comprar e compartilhar cânceres como se fosse proibido e escondido, como criança. Saudades de sentar numa mesa com pessoas em que confio, falar besteira, rir à toa, chorar também – por que não?, e simplesmente estar lá, vendo o sorriso dos outros. Quanto sentimento se constrói e se destrói em tão pouco tempo… (E como eu odeio, odeio, odeio quando algumas coisas acontecem!) Certas atitudes não só magoam como deixam feridas expostas. Mas não quero entrar em detalhes, só queria dividir com alguém (alguém TEM que ler isso) um dos motivos da minha falta de sono.

E eu juro, juro mesmo, que tento ser feliz. No meu mundo, no Fantástico Mundo de Ariane, na minha vidinha sem sal.

É um universo barato.

3 comentários em “Cafeína alternativa”

  1. Eu li. E pra variar, eu vo dizer aquilo que eu digo sempre. Eu to aqui pra te ouvir, pra tudo aquilo que você precisar. A gente nem se conhece direito, mas fazer o quê? Eu tenho essa mania de querer ajudar todo mundo e ninguém ao mesmo tempo. E é nessas horas (nas horas em que eu não quero ajudar ninguém) que você tem que vir falar comigo. Assim eu vou dar atenção só pra você. E mesmo que eu não possa te ajudar a resolver, eu posso dividir o peso disso com você. Como você mesma disse, piegas talvez. Mas eu gosto de ser assim. Eu ainda acho que me importar pelos outros pode me trazer uma felicidade inexplicável. E enquanto estiver dando certo, eu não paro.
    :*

  2. Eu li. E nem te conheço. Gosto muito de ler poemas de madrugada e os meus preferidos são os do Fernando Pessoa. Particularmente não gosto do Álvaro de Campos, e sim do Ricardo Reis…mas foi assim que encontrei o seu blog. Sei que faz bastante tempo que você não posta, mas não sei se tem o mesmo hábito que eu de ficar lendo blogs antigos…então…é isso.

    Abraços!

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