What if

i wanted to break?

e daí eu simplesmente me derreti. me entreguei. desabei. uma hora meu mundo ia cair, eu já sabia. mas não precisava ter sido agora. não. agora as lágrimas não querem parar de correr, e o coração dói. dói literalmente, sem metáforas por hoje. e o peito e a garganta têm aquela sensação de nó, aperto estranho. eu queria largar tudo. já queria faz algum tempo, só não tinha coragem pra dizer. agora a vontade está ficando mais forte. e mais forte. cada dia mais. cada vez que a máscara de alguém cai na minha frente, a vontade é maior. e máscaras têm caído a todo instante por aqui. eu odeio aquelas pessoas, toda aquela hipocrisia, toda aquela falsidade, todo aquele blablablá de “eu não tenho preconceito, mas…”. que “mas” o quê, meu filho! esse “mas” é a porra do preconceito, se enxerga. largamão dessa politicagem. esse negócio do politicamente correto me irrita. sim. quase todo mundo naquele lugar me irrita. e eu me sinto mal. se eu já não me sinto grande coisa por aí, lá me sinto ainda mais diminuída. gente olhando por baixo, gente fingindo ser o que não é pra ter “amiguinhos”, gente julgando sem me conhecer. gente. gente. gente. por que eu peguei tanto nojo disso? por que eu simplesmente não consigo mais me enganar, como fazia antes, e fingir que tá tudo bem, que aquelas pessoas que se dizem minhas amigas realmente o são, que aquele lugar é maravilhoso e que o fato de eu ter sonhado a vida inteira em estudar lá faz com que as pessoas de lá mereçam minha atenção? por quê? talvez eu só esteja cansada demais. estafada. mas eu não consigo conversar com ninguém, não consigo desabafar como estou fazendo aqui. (e eu vou ser sincera: não consigo desabafar com ninguém poque eu simplesmente não confio mais nas pessoas que estão ao meu redor. algumas ganharam a desconfiança junto com uma medalhinha de honra ao mérito. outras sequer mereciam isso, mas a distância criou essa barreira.) vira e mexe eu tenho uma sensação horrível, como se meu corpo pedisse colo, e eu não tenho a quem recorrer. eu não quero preocupar ainda mais a minha mãe nem o meu pai. minha irmã eu vejo só aos finais de semana. e essa necessidade é tão complexa que sequer aceita qualquer colo. mas também não diz que colo quer. eu não consigo mais escapar do mundo nem por um instante, tudo é mecânico, tudo é obrigação, e, além de tudo, eu perco o pouco tempo que tenho com bobagens. e nem consigo evitar. quer saber, eu posso parecer reclamar à toa. tem gente com problema “muito pior”, eu sei. mas é que pra mim o “muito pior” não existe. ruim é sempre o que nós sentimos! quem nos vê sentir não tem idéia do que se passa por dentro. eu preciso parar. já está na hora de ir, tenho muito a fazer. eu só queria poder me sentir bem de novo. há anos não consigo mais, e sei que ninguém tem culpa nem obrigação de me aguentar. mas eu precisava desabafar em algum lugar.

Um comentário em “What if”

  1. Ei, ninguém tem a culpa nem a obrigação de te aguentar, mas tem aqueles que fazem isso pq vontade própria, por gostar de você!

    Enfim, acho ridículo isso, mas sim… Vou me citar. hahaha: “Tem muita gente passando por coisa muito pior por aí, mas não é por isso que devemos viver menos, dar menos atenção para ou menosprezar o que acontece a cada um de nós. Afinal, estamos aqui para isso: viver.”

    Enfim, viva.
    E não sei se você considera isso uma alternativa, mas eu procuro estar aqui pra te aguentar – se vc quiser.

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